Papo de Empreendedor

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Crianças (e pais) digitais

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O pouco tempo disponível para os filhos faz muitos pais tentarem compensar a ausência com mimos para a criançada. A reportagem De olho nas crianças, publicada na edição de março de 2009 de Pequenas Empresas & Grandes Negócios, revela que os pequenos já influenciam cerca de 70% das compras de alimentos e bebidas.

De olho nesse nicho, empresas de todo o mundo lançam produtos e serviços inusitados para o público mirim. Enquanto meninas de São Paulo já fazem festa dentro de limousines, uma empresa de São Francisco (EUA) uniu dois mercados em expansão – o infantil e o digital – para criar o site Story Something.

A nova página da internet (ainda em versão beta) permitirá que pais e mães gerem histórias personalizadas, em que seus filhos são os protagonistas. A empresa reuniu uma equipe de autores profissionais para escrever as aventuras, focadas em crianças de três a oito anos. Inicialmente, os pais poderão escolher entre cerca de 50 roteiros. Depois, só informar o nome e idade do pimpolho e acessar a historinha na web ou recebê-la por e-mail. Para as famílias hi-tech, mais uma inovação do Story Something: os livros personalizados podem ser lidos pelo iPhone ou pelo Kindle, o leitor de e-books da Amazon.

Que outras oportunidades a nova geração, formada por crianças totalmente familiarizadas com o mundo digital, pode trazer? Que tal unir o serviço do Story Something com o de sites que permitem a edição e publicação de livros, como o Clube de Autores, mostrado aqui no Papo de Empreendedor? Ou permitir que avós-coruja narrem e gravem as histórias criadas especialmente para seus netos? 

Parece que a era dos novos negócios já começou, você não acha?

Clientela virtual

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O consumidor está menos fiel aos canais tradicionais de venda. Cada vez mais, os compradores de todo o mundo utilizam os meios digitais – internet, celular e TV interativa – para conhecer produtos e serviços e comparar qualidade e preço antes da compra. Essas novas características do consumidor afetam diretamente o varejista, que precisa se adaptar aos canais digitais de venda e relacionamento para atender as exigências da clientela do futuro.

Confira as principais conclusões do estudo “Neoconsumidor. Decifra-me ou te devoro”, conduzido em 11 países e apresentado hoje pela consultoria especializada em varejo GS & MD – Gouvêa de Souza:

- 73% dos internautas já utilizam a web para fazer comparação de preços. Isso gera um efeito econômico, reduzindo a rentabilidade das empresas

- O marketing tradicional já começa a perder espaço para as novas mídias, obrigando as marcas a rever suas estratégias de comunicação

- 53% dos consumidores brasileiros já ficam incomodados se suas lojas preferidas não venderem também pela internet. Se o seu público-alvo tem mais de 25 anos e renda mensal entre R$ 6.600 a R$ 9.800, você precisa ter ainda mais pressa para entrar no comércio eletrônico

- 42% dos brasileiros gostariam de receber promoções e propagandas pelo celular, especialmente a clientela entre 25 e 44 anos, das classes C e D

E então, o seu negócio está preparado para conquistar o novo consumidor?

Marketing responsável

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Enquanto os bancos no mundo todo encaram o estigma de serem o epicentro da crise econômica internacional, a unidade holandesa do ING criou uma ação de responsabilidade social bastante generosa para a imagem da marca. Os clientes que assinarem contratos de financiamento imobiliário ganham a chance de ajudar famílias de Bangladesh e da Índia a construírem suas casas próprias.

Funciona assim: o cliente doa 300 euros e o banco, outros 300. Para maximizar o impacto do projeto, o ING fez parceria com a ONG holandesa Wereldfoundation. Ao invés de simplesmente dar o dinheiro, a entidade oferece microcrédito a micro e pequenos empreendedores que já tomaram recursos de microcrédito para os negócios antes e mostraram-se financeiramente responsáveis. Como o dinheiro volta para a ONG com os pagamentos, mais pessoas podem ser beneficiadas com novos empréstimos para construir suas casas.

Uma idéia simples e eficiente, tanto para melhorar a imagem da instituição financeira quanto para melhorar a vida das famílias beneficiadas! Você já parou para pensar que ações socioambientais simples e de baixo custo a sua empresa e os seus consumidores poderiam fazer em conjunto?

Eco-cliente é bom?

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Em um artigo publicado na revista eletrônica dedicada à sustentabilidade da Harvard Business School, HBR Green, o professor e consultor Steve Bishop alerta as empresas para o perigo de focar ações de marketing e desenvolvimento de novos produtos na clientela ecologicamente engajada.

Segundo ele, mirar nesse consumidor não funciona por dois principais motivos:
- Companhias já bem estabelecidas podem perder sua base de compradores ao mudar a estratégia. A maior parte dos consumidores quer satisfazer as suas necessidades antes de levar em conta às necessidades do planeta. E, frequentemente, os produtos verdes não atendem às exigências da maioria das pessoas.

- As pequenas marcas segmentadas, que realmente atraem o público ambientalista, dificilmente atingem a grande massa. Essas empresas ficam presas em uma espécie de gueto verde – virtuoso, porém limitado.

Para Bishop, a solução é simples: ao invés de focar em um nicho verde, foque em comportamentos verdes que todas as pessoas comuns podem adotar. Ele acredita que as empresas interessadas na sustentabilidade não devem se preocupar em oferecer produtos verdes, e sim soluções para o cotidiano dos consumidores que também façam sentido para o meio ambiente.

O que você, leitor do nosso Papo de Empreendedor, acha disso tudo? Já pensou em alguma maneira de deixar o seu negócio mais sustentável e ajudar a sua clientela a fazer o mesmo? Conte para a gente!

Hambúrguer sem culpa

Até bem recentemente as redes de fast food iam na contramão da corrente de sustentabilidade e refeições saudáveis. Seja por sorte ou por uma incrível visão de futuro, em 1961, o americano George Propstra inaugurou a rede Burguerville com conceitos bastante atuais: a compra de matéria-prima somente de produtores locais e a formatação do cardápio de acordo com os alimentos da estação.
Hoje com 39 restaurantes, a marca exibe a sustentabilidade como diferencial para atrair a clientela. Além de garantir a compra local de carne e queijo livres de hormônios, a cadeia adotou práticas como a reciclagem do óleo (de canola, que é mais saudável) utilizado nas cozinhas, investimento em um programa de energia eólica, a compostagem dos restos de alimentos e a reciclagem dos demais resíduos.
Para ter a consciência socioambiental limpa, os consumidores da Burguerville aceitam pagar mais por seus hambúrgueres, batatas-doces fritas e milk shakes de abóbora. Se até as cadeias de fast food – historicamente vilãs do meio ambiente e da boa saúde – estão revolucionando seus modelos, o que você poderia fazer para tornar a sua empresa mais sustentável e mais vendedora?

Etiqueta bem bolada

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As (muitas vezes) malfadadas etiquetas com instruções de lavagem e composição do tecido parecem estar ganhando a simpatia das consumidoras. Pelo menos é o que indica estudo realizado pela Cotton Incorporated, associação de produtores e importadores de algodão dos Estados Unidos. Segundo a pesquisa, 37% das mulheres sempre checam as informações das etiquetas e outras 20% o fazem quase em todas as compras. O interesse pelas orientações de cuidados com a peça aumenta conforme a idade das compradoras: 51% das mulheres de 35 a 55 anos e 59% das senhoras de 55 a 70 anos seguem os passos à risca. Portanto, se você atua no ramo da moda, capriche no visual e no conteúdo de suas etiquetas. É uma boa oportunidade para reforçar a sua marca.

São Paulo também é turismo


Além de movimentar a maior economia do país, São Paulo também já é um importante pólo turístico. Levantamento feito pela São Paulo Turismo (SPTuris) revelou que 11 milhões de turistas visitaram a cidade em 2008, sendo 9,3 milhões de viajantes nacionais e 1,7 milhão de estrangeiros. Esse número coloca os paulistanos à frente dos cariocas na recepção: o Rio de Janeiro recebeu 6,2 milhões de visitantes no ano passado, segundo o jornal Metro.

Em 2004, quando a capital paulista ainda não era promovida como destino turístico, o número de visitantes foi 34,15% menor. A velocidade do crescimento do setor na cidade pode revelar muitas oportunidades de empreendedorismo. Surpreendentemente, os negócios não são o principal atrativo de São Paulo. 56,5% chegam à metrópole para visitar amigos e parentes e 22,5%, para fazer negócios.

As informações reveladas pela SPTuris são preciosas para quem empreende no setor. Um resumo do estudo pode ser acessado aqui. Inspire-se e conte aqui no Papo de Empreendedor como a sua empresa vem aproveitando essa praia.

Óleo de cozinha vira energia em restaurantes

A americana Owl Power Company, que fabrica sistemas de energia limpa, lançou neste mês um equipamento que pode resolver dois problemas de bares e restaurantes em uma única tacada. O Vegawatt transforma óleo de cozinha usado em energia elétrica e água quente.

Do tamanho de uma geladeira, a engenhoca gera de 10% a 25% da energia elétrica necessária para os estabelecimentos, segundo a fabricante. Além da economia, o sistema ainda dá fim para um dos mais poluentes resíduos do segmento de food service: o óleo usado nas frituras. O Vegawatt pode ser financiado por US$ 435 mensais, durante cinco anos. A economia esperada é de US$ 850 por mês. Quem tem dinheiro em caixa, também pode pagar US$ 22.000 à vista e recuperar o investimento em três anos.

Enquanto a novidade não chega no Brasil, nada de jogar o óleo de sua cozinha no lixo ou no ralo. Além de entupir a tubulação da rede de esgoto (o que encarece sua manutenção), um único litro de óleo contamina 20.000 litros de água potável, segundo a Sabesp. Se você já encaminha o óleo da sua empresa para reciclagem, compartilhe com a gente qual foi a solução encontrada.

O Obama é pop

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, nem tomou posse e já é um ícone pop. Se ele realmente vai salvar a economia americana ainda não se sabe, mas empreendedores ao redor do mundo aproveitam o momento para fazer negócio.

Na terra de Obama, no Brasil e até no Quênia já tem gente ganhando dinheiro com o presidente pop. A empresa de brindes Green With Envy estampou em uma bolsa a primeira página do Los Angeles Times do dia 5 de novembro de 2008, anunciando a vitória do primeiro presidente negro americano. Ao preço de US$ 75, os estoques iniciais esvaziaram-se rapidamente.

No site de leilões e-Bay, é possível escolher entre mais de 21 mil itens diferentes com o rosto, o nome ou a já famosa frase da campanha eleitoral, “yes, we can”. Do outro lado do Atlântico, Barack Obama virou marca de celular. A fabricante Mi-Fone criou o Mi-Obama, que vem com câmera digital e tem preço estimado de US$ 30.

Em São Paulo, o bar O`Malley`s vai festejar a posse do presidente, na próxima terça-feira, 20 de janeiro, em grande estilo. Segundo matéria de Época Negócios, os clientes acompanharão as cerimônias ao vivo em um telão e terão até um sanduíche criado especialmente para a ocasião.

Uma mancha na Petrobras

Os impactos negativos dos negócios sobre o meio ambiente já começam a gerar problemas para as próprias empresas. Ontem, o Conselho do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa anunciou a nova carteira de empresas comprometidas com boas práticas socioambientais. E a Petrobras ficou de fora. O vilão da estatal foi o diesel que ela produz, com alto teor de enxofre.

Segundo a ONG Nossa São Paulo (uma das 12 entidades que solicitaram a exclusão da gigante do ISE), a Petrobras não cumpriu a resolução 315/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que determina a redução do teor de enxofre no diesel comercializado no Brasil a partir de janeiro de 2009.

Em resposta, a Petrobras afirma que a resolução do Conama não está relacionada à quantidade de enxofre no diesel, e sim aos limites de emissões que os novos motores deverão atender. A estatal diz ainda que se comprometeu a fornecer o diesel S-50, com menor teor de enxofre, a partir de janeiro de 2009.

Mas não é de hoje que a sustentabilidade da Petrobras vem sendo posta à prova. Alguns fundos de pensão na Europa, por exemplo, não investem em ações da Petrobras por causa da freqüência dos derramamentos de petróleo que a envolvem.


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