Papo de Empreendedor

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A força da classe C

 

Muito se falou (e ainda se fala) sobre o aumento do poder de consumo da classe C, mesmo em tempos de economia instável. Há quem diga - eu também me encontro nesse grupo -, que para crescer no varejo é preciso conquistar esse público não só pelo bolso, mas principalmente pelo coração. E para isso não basta ler sobre os hábitos e comportamentos desse público, é preciso ir onde a chamada nova classe média está. É exatamente isso que está fazendo a Coca-Cola. Desde o início deste mês, uma Kombi percorre bairros populares do Recife vendendo Coca-Cola. Por R$ 1,89, o cliente recebe um litro de refrigerante mais o vasilhame. Depois, quando quiser comprar mais, o consumidor leva a garrafa de vidro e paga R$ 1,39 para recebê-la cheia. A idéia é que a Kombi circulasse pela periferia do Recife por quatro horas. Para surpresa de todos, desde o primeiro dia a carga se esgota em duas horas, o que comprova de que falar com esse público vale mais do que a pena. Se até a Coca-Cola está prestes a investir pesado em uma nova estratégia de distribuição, por que não pensar no assunto?

 

Cuidado com a pizza!

Domingo à noite é dia de pizza em casa, pelo menos, para boa parte dos paulistanos. E eu me incluo nessa lista. Pizzaria é o que não falta nesta cidade. O díficil é conciliar preço, sabor, e entrega com qualidade. Quando digo qualidade não estou levando em conta a sofisticação dos ingredientes ou o atendimento, mas, sim, o estado como a pizza chega à mesa. Isso porque não foram poucas as vezes que a metade calabreza ganhou sabor de quatro queijos, graças ao vôo razante feito pelo motoboy entre a pizzaria e o prédio. Ninguém contesta que o serviço de delivery é uma mão na roda, que facilita a vida, mas que também deixa a desejar, isso deixa.

Estima-se que 2.500 restaurantes da cidade de São Paulo ofereçam o serviço e boa parte coleciona mais reclamações do que elogios. Assim, se você está disposto a agregar o delivery ao seu negócio, preste atenção: não dê mais valor à velocidade da entrega do que à qualidade do serviço. Cuide das embalagens para que a comida chegue quente, saborosa e com o visual esperado; equipe o motoboy com caixas com divisórias que permitam separar o quente do frio, o sólido do líquido, o salgado do doce; e, por fim, treine o entregador para que ele faça o transporte de maneira correta, sem altas emoções pelo caminho. O resultado, com certeza, não irá desapontar.

 

O consumidor é único

 

Esta semana, ao chegar em casa, encontrei nada menos do que cinco catálogos apresentando as novas coleções do verão 2008/2009. Confesso que de bate pronto, me interessei por dois. Os outros três ficaram esquecidos sobre a mesa. Todos, contudo, chamavam a atenção pela qualidade das fotos, do papel de primeira linha, da impressão cuidadosa. Depois de conferir os lançamentos das grifes que mais de moldam ao meu gosto (sou do tipo, clássica, confesso!), pensei o quanto as demais empresas haviam gasto com a produção dos catálogos e quanto deste dinheiro escorria pelo ralo, sem que a consumidora sequer removesse o celofane que envolvia a brochura. Assim como eu, muitas outras devem também tê-los esquecido em algum canto da sala.

Diante de uma realidade que a maioria já vivenciou, será que não está na hora das empresas reverem seus gastos com esse tipo de divulgação? Ou melhor, selecionar as diversas ferramentas de marketing de acordo com o perfil do seu público? No lugar de produzir 50.000 catálogos, será que o retorno não seria o mesmo com apenas 10.000 bem distribuídos? Dizem os especialistas, que uma ação de marketing de relacionamento, como o envio de catálogos, impacta em 15% nos resultados financeiros. Mas quando é diferenciada, chega a incrementar as vendas em até 21%. Diante das estatísticas, vale à pena personalizar muito bem as remessas, afinal cada cliente é único, e gosta de ser visto como tal.

Brinde pra que te quero?

Quantas vezes você já não se perguntou para que precisa de mais uma quinquilharia guardada na última gaveta do armário ou no baú de brinquedos das crianças? Com certeza, muitas. Afinal, assim como nove entre 10 brasileiros, não resistimos a um brinde, seja ele um pequeno chaveiro com o logotipo de uma empresa cujo produto você raramente consome, ou uma caneca colorida, um bonequinho de corda, um boné, etc, etc. Mas mesmo abarrotados de coisas não resistimos a uma convincente campanha de marketing e engordamos as filas em busca dos bichinhos da Parmalat, dos ursinhos da Coca-Cola, das camisas comemorativas da seleção brasileira distribuídas pela Guaraná. Fazemos o sacrifício porque achamos que vale a pena e nos sentimos orgulhosos quando completamos a coleção.

Do outro lado do balcão, o varejo gasta tempo e dinheiro na tentativa de despertar no consumidor o desejo de posse do produto agregado ao brinde. Segundo estudo divulgado recentemente pela Ipsos (www.ipsos.com.br), empresa de pesquisa, 52% dos consumidores informam que compram produtos com brinde promocional, principalmente alimentos, produtos de higiene pessoal e de limpeza. Quando questionados sobre que tipo de brinde mais desejam, eles não têm dúvida: gostam dos úteis, de boa qualidade, que podem ser escolhidos e que são entregues no ato da compra.

A pesquisa revelou, ainda, que entre um brinde sem grande apelo emocional e uma promoção, o brasileiro gosta mesmo é da segunda. “A promoção leve 3, pague 2 foi identificada como a mais popular do mundo, com 45% das preferências, seguida pela ganhe 1/3 a mais de produto, com 36%”, diz Sonia Bittar, diretora da área de Shopper & Retail da Ipsos. Fica o recado: se você quiser fisgar o consumidor através dos brindes pense muito bem no que irá oferecer. Sem valor emocional agregado você disperdiçará dinheiro no lugar de fidelizar o consumidor!

 

Os shoppings precisam se renovar

 

Em recente palestra realizada em São Paulo, o publicitário Roni Rodrigues, sócio da agência Box 1824, especializada em estudos do comportamento dos jovens, afirmou que está mais do que na hora dos shoppings centers se reinventarem. E não basta rever o projeto arquitetônico ou usar e abusar dos aspectos sensoriais para atrair o cliente. É preciso se transformar em um centro de educação, bem-estar e de geração de informações sobre as marcas que abriga.

As sugestões, num primeiro momento, confesso, parecem futuristas, mas têm sentido quando falamos de um mundo cada vez mais informatizado. Segundo Rodrigues, como o consumidor moderno varre a internet antes de ir às compras, nada mais óbvio que o próprio shopping facilite a sua vida e espalhe totens (terminais digitais de informações) por suas áreas com detalhes de vários produtos, incluindo preço e todas as lojas onde estão disponíveis. “O cliente é que escolherá o endereço que mais lhe interessar e cujo custo/benefício seja mais atraente”, diz o publicitário. Outra sugestão é que as roupas venham acompanhadas de um chip que, ao ser lido em um terminal, revelará não só as informações técnicas da peça, como sua disponibilidade de estoque e preço em vários endereços. Por fim, os shoppings devem facilitar o acesso dos freqüentadores às comunidades on-line, porque a opinião de quem já fez a compra terá cada vez mais peso para o consumidor na hora de fazer suas escolhas. Vale pensar!

A revolta das listras

Depois de décadas injustiçadas, banidas do guarda-roupa das mais gordinhas, as listras horizontais finalmente conseguem se vingar da turma da vertical, vista agora como a nova vilã de quem não é lá muito amiga da balança.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de York, na Inglaterra, mostrou que roupas com listras verticais criam a ilusão ótica de um corpo mais volumoso - ao contrário da crença vigente até agora de que elas afinavam a silhueta. Para chegar a essa conclusão, voluntários analisaram 200 pares de fotos de mulheres vestidas com peças de listras verticais e horizontais. Depois, indicaram as imagens que consideravam mais magras. Venceram as vestidas com modelitos na horizontal. Portanto, quem tem por hábito elogiar a cliente diante do espelho usando basicamente esse argumento precisa urgentemente rever seu discurso. A equipe de vendas que se cuide!

Municípios de porte médio estão em alta

Há quase três meses quando mergulhei em busca de caminhos que norteassem a reportagem de capa da edição de agosto da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, o primeiro sinal que recebi dos estudiosos, mais precisamente de um geógrafo do IBGE, foi que os municípios médios, aqueles na faixa dos 200.000 habitantes, eram os que apresentavam melhores índices de crescimento. Batiam as grandes metrópoles com a vantagem de ainda guardar bons índices de qualidade de vida.
Reportagem na rua, eis que esta semana me deparo com mais um sinal de que eles são mesmo os astros do momento. Pesquisas revelam que os municípios com populações em torno de 200.000 pessoas também são os melhores endereços para expansão de shopping centers, principalmente os localizados nas regiões Norte e Nordeste. Portanto, quem está disposto a investir na área vale à pena ficar atento e pesquisar endereços com esse perfil.

Consumidor precisa se reeducar

Pesquisa recém-saída do forno feita pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), realizada em parceria com o Provar/Fia e a Felisoni & Associados revela que as perdas nos supermercados brasileiros alcançaram 2,15% do faturamento de 2007, que foi de R$ 136,3 bilhões. Estamos cansados de saber que toda empresa trabalha com perdas e gasta fosfato e dinheiro para diminuir seus percentuais. Mas o que mais me chamou a atenção foi que a ruptura provocada nas gôndolas está diretamente ligada ao comportamento dos consumidores, na maioria das vezes, ao péssimo comportamento. Os dois principais vilões das quebras operacionais são o manejo inadequado dos produtos, que acaba por inutilizar as mercadorias para a venda, e os furtos. Um absurdo, para não dizer, uma vergonha.

Liquidações cada vez mais cedo

Quem neste fim de semana deu uma batida de pernas pelos principais shoppings de São Paulo se deparou com vitrines recheadas de promoções. Os descontos, pasmem, chegavam a 70%. Algumas lojas, ainda mais adiantadas, já apresentavam suas prévias da próxima estação, numa prova de que o calendário está definitivamente descontrolado.
É certo que um mês depois da entrada oficial do inverno, o sol insiste em brilhar e os termômetros a subir, mas não dá para o varejo sair queimando tudo o que está na prateleira com tamanha antecedência. Fico me perguntando, será que os pequenos lojistas têm fôlego suficiente para agüentar essa desova de estoque antecipada sem comprometer o fluxo de caixa? Como podem acertar o passo ao longo do ano a fim de não gastar nas compras, o que certamente não arrecadarão nas vendas?
Por outro lado, o consumidor não reclama, já que consegue garimpar peças de qualidade e atemporais pelo preço de custo. O resultado são corredores cheios e um volume de sacolas ainda não vistos desde que o inverno cravou oficialmente sua marca na folhinha.

Contraste a olhos vistos

Quanto mais se vive, mais se aprende, já dizia minha avó. E mesmo tendo apenas cursado a faculdade da vida em muitos momentos ela tem mesmo razão. Esta semana, fui de mala e cuia para Rio Verde, em Goiás, em busca de informações para uma grande reportagem que estamos preparando aqui na revista. Chegar lá já é uma aventura que dura, entre escalas e conexões, nada menos do que seis horas. Praticamente o mesmo tempo que os portugueses levam para viajar de Lisboa a Natal, no Rio Grande do Norte.
Rio Verde é um dos eldorados do centro-oeste do país, uma das cidades mais prósperas, com um PIB per capta alto e muito dinheiro circulando, fruto do agronegócio (www.rioverdegoias.com.br). Mas, se por um lado o progresso é claro, com a tecnologia de ponta ditando as regras nas lavouras e nas granjas, em alguns pontos a cidade se assemelha aos mais provincianos municípios.
Com bagagem e equipamento de trabalho, fomos surpreendidas, eu e a fotógrafa, com a ausência de um serviço simples: táxi no aeroporto. Isso mesmo. O aeroporto, que mais parece uma precária rodoviária (foto) fica distante do centro e conta boa parte do tempo apenas com a oferta de moto táxi. Cá pra nós, seria impossível cruzarmos longas distâncias na garupa de uma moto. Para quem está acostumada com as mordomias da maior metrópole do país, a surpresa é grande. Passado o primeiro impacto, fica aqui uma sugestão a quem deseja empreender e está em busca de uma oportunidade rentável: que tal oferecer um serviço de táxi de qualidade, com carros bem conservados, taxímetro aferido - esse é outro detalhe, a maioria lá prefere combinar a corrida a usar o tal aparelhinho – e pontualidade? A empreeitada não é nada difícil, já que Rio Verde conta apenas com dois vôos diários e demanda garantida, pois os aviões chegam e decolam lotados. Vale a pena pensar!