Papo de Empreendedor

Papo de Empreendedor

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É preciso pensar duas vezes antes de escolher o nome da futura empresa

Semana passada fui a Campinas, distante 100 quilômetros da capital paulista, entrevistar um grande empresário da área de educação. No caminho, aflita para não perder a hora, pois o motorista insistia em desafiar o GPS que ele havia comprado há poucos dias, decidi fixar os olhos nos letreiros das empresas para não me irritar ainda mais. Eis que fui surpreendida com as letras garrafais estampadas na frente de uma lavanderia: UOSHI. Sim, estava escrito exatamente assim. E o pior, não era brincadeira. Nem em inglês, nem em bom português. Não tive tempo de questionar o autor da maravilha, mas parei para pensar o que leva os empreendedores a batizar suas empresas com nomes tão fora de propósito. E basta parar e olhar em volta para confirmar o quanto esses absurdos se multiplicam. Você se sentiria à vontade comendo em um bar chamado Sujinho? Pois ele existe e é famoso na capital paulista. E exibiria orgulhoso a sacola de uma loja de calçados chamada Pezão? (mais…)

Parceria surpreendente

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Não é de hoje que estilistas e designers trocam figurinhas em suas searas, sem sentir o desconforto de estar em território alheio. A Papel Craft, a pioneira das butiques de papel, adora convidar nomes importantes do mundo da moda e das artes para criar as estampas de suas coleções de caixas e papéis. Nesta semana, porém, lendo um jornal especializado em economia, me deparei com uma parceria, no mínimo, inusitada. (mais…)

Executivos devem ter tato ao falar em público. Dunga não?

Desde que a Copa do Mundo tomou conta da televisão não há como, pelo menos, não prestar atenção no que acontece na África do Sul. Eu, especialmente, gosto de futebol – estou até razoavelmente bem colocada no bolão – e confesso que vivo com os olhos espichados para a tela. Mas, esta semana não foram os gols de Luis Fabiano, o terno de Maradona ou a goleada de Portugal que me despertaram maior interesse. Foi, sim, o jeito, para dizer o mínimo, “rude” de se comunicar do técnico Dunga. Ninguém é obrigado a concordar com tudo, mas há de se ter o mínimo de compostura e respeito diante do microfone.

Qualquer manual de comunicação empresarial recomenda aos seus executivos o mínimo de tato ao falar em público, afinal é a imagem da empresa que está em jogo. Por isso, todo cuidado é pouco. Fica o aviso: mesmo em momentos de grande fúria, não é permitido perder a classe.

Abaixo, reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, explica o episódio.

Figurinhas da Copa do Mundo viram negócio

Uma das propagandas que mais me chamou atenção na avalanche de anúncios temáticos sobre a Copa do Mundo é a da Mastercard. Para quem ainda não viu, o filme conta a história de um filho que encontra o Pelé em um restaurante, fala algo para o Rei que, na sequência, aceita ser fotografado com a camisa canarinho e uma bola. Com a ajuda da tecnologia, a foto se transforma na figurinha que faltava para o pai completar o álbum amarelado da Copa de 70. [Assista o vídeo no fim do post] (mais…)

A eficiência da propaganda boca-a-boca

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Semana passada, uma amiga me contou que o melhor pastel de feira da cidade não era feito exatamente em uma feira livre, mas na esquina da rua onde fica a escola que nossos filhos estudaram.

Como ela adora superlativos, decidi no sábado à tarde conferir de perto. E não é que o sujeito transformou a entrada da garagem em uma grande banca e ostenta uma faixa de agradecimento à fiel clientela que o elegeu o melhor pastel de feira de São Paulo. O preço e a fartura dos recheios contribuíram muito para a escolha. Independentemente do sabor, cada pastel custa R$ 2,50. Atrás da bancada de madeira, forrada com plástico, no mínimo seis funcionárias se revezam na elaboração e fritura dos pastéis, cujos pedidos são anunciados a altos brados e numa rapidez assustadora. Há fila para tudo: para pedir, para pagar, para comer, para disputar os poucos lugares para sentar. Eu demorei pelo menos dez minutos para conseguir pedir um pastel de palmito com camarão. Mas, ninguém desanima. A banca é um sucesso. (mais…)

O poder da grife

brigadeiro1No início de abril, ao lado de dezenas de outras jornalistas, fui conferir de perto um novo endereço da cidade: uma loja só de brigadeiros. Parecia, até pouco tempo atrás, impossível alguém sobreviver vendendo apenas o delicioso docinho tipicamente brasileiro. Pois bem, a loja enche os os olhos pelo visual e convida a um verdadeiro banquete, com nada menos do que 40 tipos de brigadeiros preparados na hora. Nem preciso dizer que nos fartamos experimentando (sem culpa e longe da balança) cada um dos sabores oferecidos. Portas abertas ao público, não é que a casa fica cheia. Véspera de Páscoa e a espera era de meia hora, já que os brigadeiros são feitos na hora, sob a supervisão da clientela. Levar um cento das delícias para casa, aos mais desavisados, significa desembolsar R$ 250, comer uma variação de brigadeiro mole, em uma singela panelinha de alumínio azul bebê, não custa menos de R$ 19. Mas, para alegria da criançada, é possível levar para casa a panelinha e a colher. (mais…)

Cadê o atendimento 5 estrelas

Esta semana fui entrevistar um empresário e o destino escolhido para o encontro foi um dos mais badalados cafés da região da nova Faria Lima, ponto nobre de São Paulo. A decoração suntuosa chama a atenção, mas às vezes atrapalha a movimentação, já que as cadeiras se comparam a verdadeiras esculturas em tamanho avantajado. Mas, o que mais tirou a minha paciência foi o atendimento. De cinco em cinco minutos, um garçom se aproximava e insistia para que fizéssemos os pedidos. Quando finalmente decidimos o que desejávamos comer, ele disparou a sugestão do chef com tamanha insistência, que para nos livrarmos rápido da tarefa, optamos pelo prato do dia. A entrevista era longa e, por isso, demoramos para comer e, principalmente, para degustar a sobremesa. Qual não foi a minha surpresa quando, sem a menor cerimônia, o cidadão retirou o prato com a saborosa torta de chocolate praticamente inteira. (mais…)

De porta em porta

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Disputar o bolso do consumidor está cada vez mais difícil, não há como negar. Não é à toa que as grandes marcas buscam cada dia mais novos canais de venda, mesmo que para isso ingressem em searas dominadas pela concorrência. É o que deve acontecer em breve com O Boticário, a maior rede de franquias de beleza do país. A empresa acaba de abrir um gigantesco centro de distribuição e criou um novo braço da holding que, segundo comentários de bastidores, configuram-se como os primeiros passos em direção à venda direta. Isso mesmo, ao tradicional mercado de venda porta a porta, reduto da multinacional Avon e da concorrente Natura. A disputa será acirrada. Não há nada confirmado, mas é difícil acreditar que o novo projeto não ganhe corpo rapidamente, afinal nove entre dez especialistas em varejo afirmam que o futuro está na venda multicanal. Quem não investir na diversificação, garantem, será engolido. É esperar para ver.

Paixão pelo que faz

Gustavo Caetano (à esq.) recebe o prêmio de Empreendedor do Ano das mãos de Nelson Blecher, diretor do núcleo de jornalismo de negócios da Editora Globo

Gustavo Caetano (à esq.) recebe o prêmio de Empreendedor do Ano das mãos de Nelson Blecher, diretor do núcleo de jornalismo de negócios da Editora Globo

O ano vai chegando ao fim e não há como não refletir sobre o que fizemos e vivemos. Não é de hoje que escrevo sobre empreendedorismo, já se vão 12 anos. E, mesmo assim, não paro de me surpreender.

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Customização levada a sério

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Circular pelas ruas do distrito histórico de Fort Worth, no Texas, significa mergulhar num cenário de filme de cowboy. E eles estão por todos os lados. Alguns prontos para exibição, outros à espera de apenas uma cerveja bem gelada, já que o calor castiga. Mas, muitos chegam de longe com um único objetivo: encomendar um novo par de botas sob medida na lendária M.L.Leddy’s, a grife dos astros de rodeio, das celebridades de Hollywood e até dos presidentes.

Na fachada, um letreiro em neon vermelho dá o recado: Leddy hand made boots. E mesmo quem chega de longe sem entender absolutamente nada do mundo dos rodeios, como eu, se surpreende ao cruzar a porta de entrada, tamanha a quantidade de botas à disposição da clientela. Curiosa, circulei em cada um dos ambientes da loja, que recebe os clientes com bancos forrados de couro de boi e adornados com chifres – exótico, para dizer o mínimo. Em pouco tempo, um aplicado vendedor me contou que tudo é feito a mão, a fim de que as botas calcem perfeitamente e se adaptem ao estilo de vida do consumidor, suas atividades, hobbies e lugares que frequenta.

Depois de uma minuciosa entrevista, é possível escolher desde modelos clássicos feitos de couro de vaca, até os mais inusitados, como os de couro de elefante, camelo, crocodilo e pele de pavão. Quem exige exclusividade, pode tirar as medidas, escolher o tipo de couro, a variedade dos recortes e a gama de detalhes. Depois, basta desembolsar até US$ 10 mil por um único par de botas e aguardar até um ano para receber a encomenda exatamente como imaginou. Caro? Há quem não ache. Fundada em 1922 e hoje sob o comando da terceira geração da família, a fábrica artesanal tem cadastrados 250 mil clientes, entre eles, Robert Redford e os presidentes Ronald Reagan e George W. Bush.

Ao sair da Leddy, ainda com o som da clássica música country soando nos ouvidos, tive mais certeza do que nunca de que trabalhar com nicho é, e será por muito tempo, um grande negócio. Afinal, quanto mais a tecnologia avança, mais sonhamos ter algo único, feito só para nós.

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