Papo de Empreendedor

Papo de Empreendedor

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Cadê o atendimento 5 estrelas

Esta semana fui entrevistar um empresário e o destino escolhido para o encontro foi um dos mais badalados cafés da região da nova Faria Lima, ponto nobre de São Paulo. A decoração suntuosa chama a atenção, mas às vezes atrapalha a movimentação, já que as cadeiras se comparam a verdadeiras esculturas em tamanho avantajado. Mas, o que mais tirou a minha paciência foi o atendimento. De cinco em cinco minutos, um garçom se aproximava e insistia para que fizéssemos os pedidos. Quando finalmente decidimos o que desejávamos comer, ele disparou a sugestão do chef com tamanha insistência, que para nos livrarmos rápido da tarefa, optamos pelo prato do dia. A entrevista era longa e, por isso, demoramos para comer e, principalmente, para degustar a sobremesa. Qual não foi a minha surpresa quando, sem a menor cerimônia, o cidadão retirou o prato com a saborosa torta de chocolate praticamente inteira. (mais…)

De porta em porta

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Disputar o bolso do consumidor está cada vez mais difícil, não há como negar. Não é à toa que as grandes marcas buscam cada dia mais novos canais de venda, mesmo que para isso ingressem em searas dominadas pela concorrência. É o que deve acontecer em breve com O Boticário, a maior rede de franquias de beleza do país. A empresa acaba de abrir um gigantesco centro de distribuição e criou um novo braço da holding que, segundo comentários de bastidores, configuram-se como os primeiros passos em direção à venda direta. Isso mesmo, ao tradicional mercado de venda porta a porta, reduto da multinacional Avon e da concorrente Natura. A disputa será acirrada. Não há nada confirmado, mas é difícil acreditar que o novo projeto não ganhe corpo rapidamente, afinal nove entre dez especialistas em varejo afirmam que o futuro está na venda multicanal. Quem não investir na diversificação, garantem, será engolido. É esperar para ver.

Paixão pelo que faz

Gustavo Caetano (à esq.) recebe o prêmio de Empreendedor do Ano das mãos de Nelson Blecher, diretor do núcleo de jornalismo de negócios da Editora Globo

Gustavo Caetano (à esq.) recebe o prêmio de Empreendedor do Ano das mãos de Nelson Blecher, diretor do núcleo de jornalismo de negócios da Editora Globo

O ano vai chegando ao fim e não há como não refletir sobre o que fizemos e vivemos. Não é de hoje que escrevo sobre empreendedorismo, já se vão 12 anos. E, mesmo assim, não paro de me surpreender.

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Customização levada a sério

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Circular pelas ruas do distrito histórico de Fort Worth, no Texas, significa mergulhar num cenário de filme de cowboy. E eles estão por todos os lados. Alguns prontos para exibição, outros à espera de apenas uma cerveja bem gelada, já que o calor castiga. Mas, muitos chegam de longe com um único objetivo: encomendar um novo par de botas sob medida na lendária M.L.Leddy’s, a grife dos astros de rodeio, das celebridades de Hollywood e até dos presidentes.

Na fachada, um letreiro em neon vermelho dá o recado: Leddy hand made boots. E mesmo quem chega de longe sem entender absolutamente nada do mundo dos rodeios, como eu, se surpreende ao cruzar a porta de entrada, tamanha a quantidade de botas à disposição da clientela. Curiosa, circulei em cada um dos ambientes da loja, que recebe os clientes com bancos forrados de couro de boi e adornados com chifres – exótico, para dizer o mínimo. Em pouco tempo, um aplicado vendedor me contou que tudo é feito a mão, a fim de que as botas calcem perfeitamente e se adaptem ao estilo de vida do consumidor, suas atividades, hobbies e lugares que frequenta.

Depois de uma minuciosa entrevista, é possível escolher desde modelos clássicos feitos de couro de vaca, até os mais inusitados, como os de couro de elefante, camelo, crocodilo e pele de pavão. Quem exige exclusividade, pode tirar as medidas, escolher o tipo de couro, a variedade dos recortes e a gama de detalhes. Depois, basta desembolsar até US$ 10 mil por um único par de botas e aguardar até um ano para receber a encomenda exatamente como imaginou. Caro? Há quem não ache. Fundada em 1922 e hoje sob o comando da terceira geração da família, a fábrica artesanal tem cadastrados 250 mil clientes, entre eles, Robert Redford e os presidentes Ronald Reagan e George W. Bush.

Ao sair da Leddy, ainda com o som da clássica música country soando nos ouvidos, tive mais certeza do que nunca de que trabalhar com nicho é, e será por muito tempo, um grande negócio. Afinal, quanto mais a tecnologia avança, mais sonhamos ter algo único, feito só para nós.

É tudo uma questão de cultura

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Nem tudo nas viagens de negócios é trabalho. Foi na parte turística da agenda, que visitei na semana passada os 15 quarteirões de Fort Worth, no Texas, considerada a cidade dos cowboys. A sensação que se tem é de um mergulho no tempo e na história, tendo como pano de fundo um cenário clássico dos filmes de faroeste. Ruas estreitas, construções de madeira, cowboys devidamente paramentados e uma parada de gado long corn, vacas e bois de chifres muito compridos, dão o tom do local. Os hábitos, aliás, são típicos das cidades do interior. Fomos convidados a jantar às 18h30, num dos restaurantes mais badalados do Fort, o H3 - Hunter Brothers’Ranch. Qual não foi a minha surpresa quando, ao olhar para o teto, me deparei com um quarto de traseiro de boi empalhado, acompanhado de roedores do deserto e de um javali, que insistia em exibir seus exuberantes dentes na minha direção. Confesso que a minha vontade era sair correndo, o que obviamente não fiz. Pensei com meus botões que as surpresas poderiam parar por ali. Mas não pararam. A carne assando sob os olhos dos clientes era um dos diferenciais da casa ao lado de verdadeiros baldes de chopp. Nada das tradicionais tulipas, típicas dos butiquins brasileiros. A cerveja é servida em taças gigantescas, com no mínimo meio litro da loira gelada. Por fim, o prato: carne grelhada acompanhada de batata assada e, pasme, uma espiga de milho assada servida com a rama. Lá, come-se o milho como cenoura, segurando a espiga pela palha. Tudo muito diferente! Mas, apesar do horário, a casa estava cheia, uma prova de que o sucesso é muitas vezes uma questão cultural.


Festa a bordo

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Estava distraída no trânsito no último sábado, sol do meio dia a pino, quando parou ao meu lado uma limousine de cinema. Preta, imensa e reluzente. Curiosa, logo olhei para o lado para tentar descobrir quem estava por trás dos vidros escuros àquela hora do dia. Pelo barulho, não foi difícil perceber que não se tratava de uma noiva a caminho do altar. O suntuoso veículo, de bancos de couro, equipado com frigobar e DVD, transportava nada menos do que sete meninas, na faixa dos 10 anos. Um grupo de amigas que escolheu comemorar o aniversário em grande estilo, circulando pela cidade com pompa e luxo.

A brincadeira pode durar de uma a quatro horas, com preços entre R$ 400 e R$ 1.400 dependendo do tempo. É a nova moda entre as pequenas que já invadiram os salões de beleza e os spas para encontros exclusivos. Quem deseja investir nesse negócio não pode esquecer de oferecer o kit completo: motorista bem preparado e com paciência de sobra para lidar com as pequenas, muito brigadeiro, refrigerante e, é claro, o clássico bolo com velinhas. Depois, é só mandar o luxuoso veículo para o lava rápido mais próximo.

Saiba mais sobre o mercado infantil na reportagem De olho nas crianças

Foco no cliente

Fui surpreendida com uma notinha publicada no jornal que, de certa forma, contradiz a teoria da maioria dos especialistas. Uma importante marca de roupas infantis anunciou que até o Dia das Pais exibirá em suas vitrines camisetas pólos para os adultos. E não se trata de peça de decoração, as ditas cujas estarão à venda. Tal filho, tal pai. Ora, não é de hoje que ouvimos falar aos quatro ventos que é preciso ter foco no cliente, conhecer seu público a fundo, saber o que ele deseja de sua marca e o quanto ele a estima. Fico me perguntando até que ponto iniciativas pontuais como essa ajudam a esquentar as vendas ou confundem ainda mais a cabeça do cliente. Fica a questão.

Entre a teoria e a prática

Há mais de 15 dias venho perdendo tempo e paciência para resolver um problema aparentemente simples: emissão da segunda via da conta de um telefone celular. Na minha ingenuidade, acreditei que em alguma área do site da operadora encontraria a opção. Puro engano. Fui obrigada a recorrer ao SAC. Fui atendida no tempo determinado pela lei, mas a eficiência parou por aí. Sem brincadeira, devo ter recebido uns três números de protocolo e a mesma quantidade de torpedos confirmando os ditos cujos. A segunda via da conta? Ah! Não recebi até agora.

De nada adianta gastar rios de dinheiro em campanhas publicitárias para dizer que o cliente é o rei, se na prática a empresa não consegue resolver com eficiência problemas simples, que devem se repetir aos milhares. O consumidor, com certeza, prefere ter suas necessidades satisfeitas a ser coberto de paparicos. O alerta vale para grandes e pequenos.

Alô ecologicamente correto

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Desde que o telefone celular virou um companheiro inseparável da maioria dos mortais, a maior preocupação era com o destino de suas baterias, tão prejudiciais ao meio ambiente. Não só as empresas têm se preocupado com o descarte dos componentes como têm trabalhado no desenvolvimento de modelos que não agridam o meio ambiente. É o caso da Motorola que lançou esta semana no Brasil a sua versão W233 Eco, cuja estrutura externa é feita de material reciclado de garrafas plásticas.

Como tudo o que é feito de pet, o aparelho mantém a atração do design e o colorido, com a diferença de que seu uso pesa menos na consciência.O novo modelo ainda possui um kit 100% reciclável, com embalagem e manual produzidos a partir de papel reciclado. Segundo a Motorola, o aparelho oferece, ainda, bateria com maior vida útil, com até nove horas de conversação, o que permite economia de tempo e de energia, e é o primeiro telefone do mundo com certificado CarbonFree. Um exemplo a ser seguido.

Inovação até no samba

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Hoje, fui surpreendida com a notícia de que a escola de samba carioca Porto da Pedra tem como tema de seu samba-enredo a Inovação. Na ala Inventores Curiosos, que prestará homenagem aos grandes inventores da história como Thomas Edson (luz elétrica), Graham Bell (telefone) e os irmãos Auguste e Louis Lumiére (cinema), reunirá pesquisadores, mestres, doutores e empreendedores. Todos de preto e branco e prontos para provar que têm samba no pé. Se o bloco vai fazer bonito no sambódromo ainda não dá para saber, mas que a iniciativa é maravilhosa, isso eu tenho certeza.

Não é de hoje que as escolas de samba têm boas lições a ensinar ao mundo dos negócios, principalmente no que diz respeito à criatividade, método de trabalho, distribuição, interatividade e comunicação. Seus ensinamentos foram, inclusive, tema de uma das matérias da edição de fevereiro da revista PEGN, com o título Lições da passarela.