Papo de Empreendedor

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É tudo uma questão de cultura

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Nem tudo nas viagens de negócios é trabalho. Foi na parte turística da agenda, que visitei na semana passada os 15 quarteirões de Fort Worth, no Texas, considerada a cidade dos cowboys. A sensação que se tem é de um mergulho no tempo e na história, tendo como pano de fundo um cenário clássico dos filmes de faroeste. Ruas estreitas, construções de madeira, cowboys devidamente paramentados e uma parada de gado long corn, vacas e bois de chifres muito compridos, dão o tom do local. Os hábitos, aliás, são típicos das cidades do interior. Fomos convidados a jantar às 18h30, num dos restaurantes mais badalados do Fort, o H3 - Hunter Brothers’Ranch. Qual não foi a minha surpresa quando, ao olhar para o teto, me deparei com um quarto de traseiro de boi empalhado, acompanhado de roedores do deserto e de um javali, que insistia em exibir seus exuberantes dentes na minha direção. Confesso que a minha vontade era sair correndo, o que obviamente não fiz. Pensei com meus botões que as surpresas poderiam parar por ali. Mas não pararam. A carne assando sob os olhos dos clientes era um dos diferenciais da casa ao lado de verdadeiros baldes de chopp. Nada das tradicionais tulipas, típicas dos butiquins brasileiros. A cerveja é servida em taças gigantescas, com no mínimo meio litro da loira gelada. Por fim, o prato: carne grelhada acompanhada de batata assada e, pasme, uma espiga de milho assada servida com a rama. Lá, come-se o milho como cenoura, segurando a espiga pela palha. Tudo muito diferente! Mas, apesar do horário, a casa estava cheia, uma prova de que o sucesso é muitas vezes uma questão cultural.


Festa a bordo

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Estava distraída no trânsito no último sábado, sol do meio dia a pino, quando parou ao meu lado uma limousine de cinema. Preta, imensa e reluzente. Curiosa, logo olhei para o lado para tentar descobrir quem estava por trás dos vidros escuros àquela hora do dia. Pelo barulho, não foi difícil perceber que não se tratava de uma noiva a caminho do altar. O suntuoso veículo, de bancos de couro, equipado com frigobar e DVD, transportava nada menos do que sete meninas, na faixa dos 10 anos. Um grupo de amigas que escolheu comemorar o aniversário em grande estilo, circulando pela cidade com pompa e luxo.

A brincadeira pode durar de uma a quatro horas, com preços entre R$ 400 e R$ 1.400 dependendo do tempo. É a nova moda entre as pequenas que já invadiram os salões de beleza e os spas para encontros exclusivos. Quem deseja investir nesse negócio não pode esquecer de oferecer o kit completo: motorista bem preparado e com paciência de sobra para lidar com as pequenas, muito brigadeiro, refrigerante e, é claro, o clássico bolo com velinhas. Depois, é só mandar o luxuoso veículo para o lava rápido mais próximo.

Saiba mais sobre o mercado infantil na reportagem De olho nas crianças

Foco no cliente

Fui surpreendida com uma notinha publicada no jornal que, de certa forma, contradiz a teoria da maioria dos especialistas. Uma importante marca de roupas infantis anunciou que até o Dia das Pais exibirá em suas vitrines camisetas pólos para os adultos. E não se trata de peça de decoração, as ditas cujas estarão à venda. Tal filho, tal pai. Ora, não é de hoje que ouvimos falar aos quatro ventos que é preciso ter foco no cliente, conhecer seu público a fundo, saber o que ele deseja de sua marca e o quanto ele a estima. Fico me perguntando até que ponto iniciativas pontuais como essa ajudam a esquentar as vendas ou confundem ainda mais a cabeça do cliente. Fica a questão.

Entre a teoria e a prática

Há mais de 15 dias venho perdendo tempo e paciência para resolver um problema aparentemente simples: emissão da segunda via da conta de um telefone celular. Na minha ingenuidade, acreditei que em alguma área do site da operadora encontraria a opção. Puro engano. Fui obrigada a recorrer ao SAC. Fui atendida no tempo determinado pela lei, mas a eficiência parou por aí. Sem brincadeira, devo ter recebido uns três números de protocolo e a mesma quantidade de torpedos confirmando os ditos cujos. A segunda via da conta? Ah! Não recebi até agora.

De nada adianta gastar rios de dinheiro em campanhas publicitárias para dizer que o cliente é o rei, se na prática a empresa não consegue resolver com eficiência problemas simples, que devem se repetir aos milhares. O consumidor, com certeza, prefere ter suas necessidades satisfeitas a ser coberto de paparicos. O alerta vale para grandes e pequenos.

Alô ecologicamente correto

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Desde que o telefone celular virou um companheiro inseparável da maioria dos mortais, a maior preocupação era com o destino de suas baterias, tão prejudiciais ao meio ambiente. Não só as empresas têm se preocupado com o descarte dos componentes como têm trabalhado no desenvolvimento de modelos que não agridam o meio ambiente. É o caso da Motorola que lançou esta semana no Brasil a sua versão W233 Eco, cuja estrutura externa é feita de material reciclado de garrafas plásticas.

Como tudo o que é feito de pet, o aparelho mantém a atração do design e o colorido, com a diferença de que seu uso pesa menos na consciência.O novo modelo ainda possui um kit 100% reciclável, com embalagem e manual produzidos a partir de papel reciclado. Segundo a Motorola, o aparelho oferece, ainda, bateria com maior vida útil, com até nove horas de conversação, o que permite economia de tempo e de energia, e é o primeiro telefone do mundo com certificado CarbonFree. Um exemplo a ser seguido.

Inovação até no samba

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Hoje, fui surpreendida com a notícia de que a escola de samba carioca Porto da Pedra tem como tema de seu samba-enredo a Inovação. Na ala Inventores Curiosos, que prestará homenagem aos grandes inventores da história como Thomas Edson (luz elétrica), Graham Bell (telefone) e os irmãos Auguste e Louis Lumiére (cinema), reunirá pesquisadores, mestres, doutores e empreendedores. Todos de preto e branco e prontos para provar que têm samba no pé. Se o bloco vai fazer bonito no sambódromo ainda não dá para saber, mas que a iniciativa é maravilhosa, isso eu tenho certeza.

Não é de hoje que as escolas de samba têm boas lições a ensinar ao mundo dos negócios, principalmente no que diz respeito à criatividade, método de trabalho, distribuição, interatividade e comunicação. Seus ensinamentos foram, inclusive, tema de uma das matérias da edição de fevereiro da revista PEGN, com o título Lições da passarela.

Fidelidade a toda prova

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Semana passada, procurei uma das mais tradicionais farmácias de manipulação de São Paulo para aviar uma receita. Sou cliente da casa há muito tempo, mas ainda não tinha me dado conta do quanto eles são atentos aos hábitos de compra da clientela. Isso porque, ao pedir o orçamento, fui surpreendida com uma boa notícia: tinha um crédito em aberto no valor da nova compra, que estava arquivado há mais de um ano. E o valor não era tão modesto assim,era suficiente, diríamos para fazer uma boa feira livre. Confesso que eu não me lembrava de ter pago a mais e, portanto, se eles não me avisassem, pagaria normalmente pela fórmula. Fiquei realmente surpreendida com a correção da farmácia, afinal créditos com mais de um ano costumam expirar.

Atitudes como essa ajudam a fidelizar o cliente para sempre e colaboram para aumentar o que os especialistas chamam de uma boa propaganda boca-a-boca, que em tempos de concorrência acirrada, há de agarrá-la com todas as forças.

Seja bem-vindo, meu rei!

 

Como ninguém é de ferro, em janeiro eu desembarquei nas areias da Bahia para merecidas férias. E nada melhor do que ser recebida com muito sol, água morna, sem nenhuma onda, e uma paisagem paradisíaca. Confesso que era tudo o que eu precisava para recarregar as baterias. Mas, como jornalista é um bicho teimoso, que não sossega nem quando está de férias, fiquei atenta ao tratamento vip dispensado à clientela pelos “profissionais” da areia.

Por R$ 12, eu aluguei duas cadeiras de praia e um guarda-sol, ou sombreiro como dizem os soteropolitanos. É nesse momento que as surpresas começam a aparecer. Além de cuidar da instalação, meu fornecedor ainda removeu a areia quente do pedaço, para que eu não queimasse os pés, uma mordomia e tanto para quem não gosta de remexer na areia. Por fim, trouxe-me um refrigerante estupidamente gelado, sob um sol de 33 º C, sem que eu vislumbrasse onde estava o freezer capaz de garantir a temperatura. Para completar, com a simpatia típica dos baianos, minutos depois apareceu com um largo sorriso e um regador. Sem cerimônia, banhou meus pés com água fresquinha do mar. Juro que me senti a própria rainha.

E, só para registrar: o moço, com certeza, não aprendeu as mordomias em nenhum manual de gestão. Pelo contrário, descobriu na prática que para cativar o cliente, muitas vezes, não é preciso tempo ou dinheiro, basta dar-lhe atenção. Fica o recado e, para quem se sentir à vontade, o exemplo.

 

A força da classe C

 

Muito se falou (e ainda se fala) sobre o aumento do poder de consumo da classe C, mesmo em tempos de economia instável. Há quem diga - eu também me encontro nesse grupo -, que para crescer no varejo é preciso conquistar esse público não só pelo bolso, mas principalmente pelo coração. E para isso não basta ler sobre os hábitos e comportamentos desse público, é preciso ir onde a chamada nova classe média está. É exatamente isso que está fazendo a Coca-Cola. Desde o início deste mês, uma Kombi percorre bairros populares do Recife vendendo Coca-Cola. Por R$ 1,89, o cliente recebe um litro de refrigerante mais o vasilhame. Depois, quando quiser comprar mais, o consumidor leva a garrafa de vidro e paga R$ 1,39 para recebê-la cheia. A idéia é que a Kombi circulasse pela periferia do Recife por quatro horas. Para surpresa de todos, desde o primeiro dia a carga se esgota em duas horas, o que comprova de que falar com esse público vale mais do que a pena. Se até a Coca-Cola está prestes a investir pesado em uma nova estratégia de distribuição, por que não pensar no assunto?

 

Cuidado com a pizza!

Domingo à noite é dia de pizza em casa, pelo menos, para boa parte dos paulistanos. E eu me incluo nessa lista. Pizzaria é o que não falta nesta cidade. O díficil é conciliar preço, sabor, e entrega com qualidade. Quando digo qualidade não estou levando em conta a sofisticação dos ingredientes ou o atendimento, mas, sim, o estado como a pizza chega à mesa. Isso porque não foram poucas as vezes que a metade calabreza ganhou sabor de quatro queijos, graças ao vôo razante feito pelo motoboy entre a pizzaria e o prédio. Ninguém contesta que o serviço de delivery é uma mão na roda, que facilita a vida, mas que também deixa a desejar, isso deixa.

Estima-se que 2.500 restaurantes da cidade de São Paulo ofereçam o serviço e boa parte coleciona mais reclamações do que elogios. Assim, se você está disposto a agregar o delivery ao seu negócio, preste atenção: não dê mais valor à velocidade da entrega do que à qualidade do serviço. Cuide das embalagens para que a comida chegue quente, saborosa e com o visual esperado; equipe o motoboy com caixas com divisórias que permitam separar o quente do frio, o sólido do líquido, o salgado do doce; e, por fim, treine o entregador para que ele faça o transporte de maneira correta, sem altas emoções pelo caminho. O resultado, com certeza, não irá desapontar.

 

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