Papo de Empreendedor

Papo de Empreendedor

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Funcionário precisa ter orgulho da empresa ou do dono dela?

Acredito que podemos dividir os funcionários em dois grandes grupos quando se trata de cativá-los e motivá-los.

O primeiro, a base da pirâmide empresarial composta pelos funcionários com menos estudo, acredita que trabalha para uma empresa, uma entidade corporativa, uma imagem criada em torno de um logotipo. Para cativar esse pessoal, o importante é investir numa comunicação interna que mostre o que a empresa faz, seja em relação a produtos, marketing, responsabilidade social ou ambiental e por aí vai. Essa turma precisa sentir orgulho de trabalhar na empresa X, na Y ou na Z.

Mas essa receita não funciona tão bem quando se trata da média gerência para cima – gente que não trabalha exatamente para uma organização e sim para uma pessoa, um líder maior, seja ele o dono ou o presidente. Para ter esse grupo trabalhando duro, você precisa arregimentá-los em torno de seu nome, de seus sonhos, de sua visão de futuro. Eles precisam acreditar no comandante que os conduz. Precisam admirar o chefe, seja pela sua eloqüência, pelas suas idéias, pela energia, inteligência, carisma, coragem, determinação, por razões humanas, enfim. Para esse grupo, não adianta muito expor os feitos da empresa. Com eles, é o dono que precisa se expor e deixar-se conhecer.

Concorda?

Crise de identidade na ponte Rio-SP (e o que não fazer em mkt)

Se você tomou o avião da ponte aérea Rio-São Paulo ultimamente deve ter notado uma certa confusão em torno da identidade visual da Gol e da Varig. O uniforme laranja das comissárias de bordo é da Gol, mas o lenço azul no pescoço é da Varig cada qual com seu logotipo.

No avião Gol, a barrinha de cereais foi aposentada: quem viaja na ponte pela  manhã, ganha caixinha com pão quentinho e manteiga, queijo e presunto. No horário do jantar, pelo menos do vôo que eu peguei, o cardápio incluía um cozido de carne seca com batatas. Caixinhas, guardanapos e copos, por sinal, com logotipo Varig.

Fiquei pensando: por que estão misturando dois logotipos, duas identidades visuais tão fortes? Por que criar essa confusão em vez de adotar um nome só, um único logo? Qual a estratégia? Nenhum papa do marketing recomendaria essa ação, pois ela passa idéias das mais variadas, menos a de uma compra de empresa bem sucedida. A mim, enquanto olhava a caixinha e talheres Varig só me ocorreu um pensamento: devem estar queimando estoque.

Há um ano, o logotipo da Varig foi mexido e a estrela azul ganhou a cor laranja da controladora Gol. Até aí, nada demais, os nomes das duas empresas continuavam sendo usados de forma separada. Mas qual a lógica de usar hora um hora outro, misturados? Enquanto eu quebrava a cabeça tentando entender, eis que um informante me dá o serviço: a empresa vai operar a ponte aérea Rio-SP sob o nome Varig. E o restante do país sob o nome Gol. O momento atual é de transição. Ah! Então tá explicado! A crise de identidade é apenas temporária! E ninguém está reinventando os manuais e bíblias de marketing! 

Mais uma lição da Toyota, dessa vez usada pelo Pão de Açúcar

A Toyota é a maior montadora de automóveis do mundo e um celeiro de idéias de como administrar um negócio. É dali que têm saído várias técnicas, copiadas e adaptadas por empresas de todo o mundo. A última delas é uma ampliação do just-in-time: a mercadoria não apenas chega na linha de montagem na hora em que se precisa dela, o que diminui custos com estoques. Também o funcionário terceirizado é quem se encarrega de descarregar e montar a peça, integrando-se ele mesmo à linha de montagem.

 O grupo Pão de Açúcar adaptou a idéia em seus supermercados. Se você entrar numa loja e topar com   um atendente vestindo um avental   e um boné com os dizeres Benassi bordados, não estranhe. São funcionários da empresa de frutas, não do supermercado. Eles descarregam os caminhões que abastecem a loja e também dão expediente no supermercado, cuidam da disposição das frutas nas cestas e bancadas, cortam pedacinhos para oferecer aos clientes, orientam se alguém tem alguma dúvida.

Vantagens? Muitas e para todas as partes. Primeiro, quem mais entende de frutas, como dispô-las, quais estão ou não maduras, quais são as nacionais ou importadas, é a Benassi, não o Pão de Açúcar. Isso significa que o treinamento de funcionários está em melhores mãos se for conduzido pela produtora de frutas e não pelo supermercado. No final, o cliente sairá ganhando com atendentes mais preparados.

O supermercado, por sua vez, não tem de arcar com os custos da contratação, nem preocupar-se com um setor que gera atenção constante e redobrada. E a Benassi, por sua vez, diferencia-se dos demais produtores, já que não entrega apenas produtos e sim um serviço agregado, que inclui o atendimento aos clientes.

Talvez você possa aproveitar a idéia em sua empresa. Desde, é claro, que tenha fornecedores capacitados.

Quem são e o que querem os jovens Millennials ou Geração Y

A juventude de hoje tem comportamento bem diferente das gerações anteriores. Nada de rebeldismo regado a muitas drogas e álcool. Nada de sonhos impossíveis e utopias irrealizáveis. Esses jovens são conhecidos como Millennials ou Geração Y e nasceram entre os anos 80 e 2000 (o nome Millennials foi talhado pelos estudiosos Neil Howe e William Strauss, no livro Millennial Rising). Eles são filhos da revolução feminista e da revolução sexual, cresceram numa época de liberdade e de muita informação. Se sua empresa tem produtos voltados para essa faixa etária, veja como essa moçada se comporta, segundo estudos do portal WGSN (só para assinantes):

  • É uma geração mais careta: ser nerd passou a ser legal
  • É uma geração que tem foco na saúde e na vaidade: menos drogas, menos bebida, mais beleza e sexo responsável
  • Usam marcas como uma forma de compor sua identidade; a customização dá a sensação de pertencer a um grupo e se destacar dentro dele
  • É uma geração obcecada por tendências de moda e como há grande rapidez na informação, as coisas perdem e ganham relevância muito rapidamente
  • Barreiras geográficas, diferenças etárias ou sócioeconômicas perderam importância: a cultura e os interesses comuns os aproxima e os aglutina.
  • As ”tribos” se formam por afinidade e identificação cultural, não importa que cada um esteja num canto do planeta.
  • Muitos Millennials vivem com seus pais: o conflito entre gerações é menor
  • Compartilham suas vidas pessoais na internet e não têm preocupação com o que é privado
  • Segundo pesquisas, 61% dos jovens americanos não expressa interesse pelo mundo adulto. Portanto, as marcas voltadas para eles devem celebrar a juventude, pois é isso o que importa para eles

Se você pensa em contratá-los, veja o que o espera:

  • Os jovens de hoje são mais estressados, pois sofrem maior pressão da família para ter sucesso
  • No trabalho, o dinheiro não é o principal motivador: flexibilidade de horário e a liberdade de usar roupas casuais no trabalho pesam tanto quanto
  • São inseguros em relação ao futuro: eles sabem que fazer uma faculdade ou conseguir um emprego não é garantia de estabilidade nem de sucesso
  • São descrentes de regras pré-estabelecidas, por isso costumam ser mais empreendedores do que os jovens do passado
  • São narcisistas e acham que sabem tudo
  • Não ficam idealizando o futuro. Eles vêem o que pode ser feito, de fato, para mudar o mundo e se mobilizam, via internet.

O que te parece? O mundo estará em melhores mãos?

Qual o PIB do Brasil e do mundo para 2008 e 2009? E o dólar?

Como estará a economia brasileira e a mundial no próximo ano? Eis a resposta do economista Robson Pereira, do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco. O PIB mundial e o brasileiro, segundo ele, devem crescer em ritmos menores. “Nos últimos quatro a cinco anos, o crescimento do PIB global foi muito forte, acima da média histórica e, agora, estamos diante de um processo de desaceleração, acentuado pela crise iniciada nos EUA”, diz ele. Vamos aos números da equipe do banco:

Previsões (feitas em 4/10/2008) para:

PIB mundial:
2008 - 3,7%
2009 - 3,2%

O PIB norte-americano deve encolher ainda mais:
2008 - 1,2%
2009 - 0,7%

O PIB brasileiro continuará crescendo, mas em ritmo menor:
2008 - 5,2%
2009 - 3,5%

“A economia mundial terá ajustes em 2009, mas as perspectivas de médio e longo prazos são favoráveis para o Brasil”, diz Pereira. “O PIB de 3,5% para o Brasil em 2009 é algo bem calibrado”, diz. “Pesam a favor o maior gasto do governo, a continuidade das obras de infra-estrutura, como os investimentos via PAC, por exemplo, e uma provável menor elevação dos juros diante das restrições de liquidez existentes.”

Pereira acredita que o consumo das famílias, que vinha apresentando taxas robustas de crescimento
desde 2004, sofrerá uma redução, mas ainda assim deverá registrar crescimento de 4,9% em 2009 -  valor que, se confirmado, ainda será um resultado expressivo. Já a taxa de desemprego, deve se manter estável, na casa de 8,2% em 2008 e 2009.

E o dólar? Segundo as projeções da equipe do Bradesco, a cotação deve ser de R$ 1,81 em dezembro de 2008 e R$ 1,91 em dezembro de 2009.

Os cenários, claro, são revistos pelo Bradesco o tempo todo. Mas, por hora, é com esses números que o banco está trabalhando. E é com eles que você, também, pode traçar seu planejamento de 2009.

O que motiva um empreendedor?

Eis uma pergunta com muitas respostas. Mas vamos procurar uma que tenha algum embasamento, buscando a famosa pirâmide de Maslow como referência. Abrahan Maslow propôs, em 1943, a Teoria da Motivação Humana, uma obra que virou referência no mundo da psicologia. Segundo ele, há uma hierarquia de necessidades a serem preenchidas e, conforme a pessoa satisfaz uma delas, tenta alcançar outra e mais outra.

Então, assim que supre suas necessidades fisiológicas (ter o que comer, onde dormir e com quem fazer sexo), a pessoa parte para a conquista da segurança (física, financeira, de saúde). Quando isso é satisfeito, surge um buraco a ser preenchido: a necessidade de ser amado (por amigos, por um companheiro, pelos filhos). Depois, vem a auto-estima e a vontade de conquistar o respeito e a confiança dos demais. Por fim, a auto-realização, a busca por um conhecimento maior sobre si e o mundo.

Que tal transportar essa mesma pirâmide para o mundo empreendedor? Foi o que eu fiz. Na base, teríamos as necessidades de sobrevivência do negócio (pagar as contas, gerar dinheiro). No patamar seguinte, viria a necessidade da empresa ter identidade própria, de fincar bases sólidas no mercado. Depois, a vontade de que o negócio tenha visibilidade social e seja identificado como algo de valor pelo mercado. Conseguido isso, surgiria a questão: qual o meu papel de empresa cidadã junto à comunidade? O que posso fazer para devolver um pouco do que conquistei para a sociedade? Por fim, no estágio final, o empreendedor seria tomado por uma vontade enorme de deixar um legado, de deixar algo positivo e importante como saldo de sua passagem pelo mundo. Alguns, por exemplo, abraçam a sustentabilidade como bandeira. Outros, a política e as entidades de classe.

Diariamente encontro empreendedores motivados em diferentes estágios dessa pirâmide, que acabei adaptando das teorias de Maslow. Qual o seu estágio?

Como conseguir um sócio para viabilizar uma idéia?

A leitora Rosita Rosa, de Porto Alegre, mandou um email contando que tem uma boa idéia, na área de alimentos saudáveis, e precisa de um sócio para viabilizá-la. O que fazer?

Bem, vou dizer o que eu faria. Em primeiríssimo lugar, escreveria um bom plano de negócios, com informações consistentes sobre a viabilidade financeira e o mercado. Um plano desses ajuda a organizar o pensamento, nos faz pensar em diferentes aspectos, nos pontos fracos e fortes. Depois, eu procuraria uma incubadora.

Existem quase 300 incubadoras no Brasil (os contatos você encontra na Anprotec). Várias estão dispostas a incubar novos projetos, já que o Sebrae está destinando verbas gordas para essa finalidade. Há muitas vantagens numa incubadora, como as consultorias (financeira, jurídica, de marketing) que boa parte delas presta. Depois, as incubadoras são os lugares mais visados (e visitados) por capitalistas dispostos a investir num novo negócio.

Caso a empresa já estivesse em estágio inicial, bateria também na porta da Finep, que organiza um evento bem interessante, chamado Venture Forum: os candidatos se inscrevem e, se forem selecionados, apresentam suas idéias a potenciais investidores. Não é fácil passar pela peneira da Finep: no último evento, havia 400 inscritos e só 16 chegaram a fazer apresentações.

Eu também inscreveria meu plano de negócios num concurso, pois eles às vezes rendem prêmios em dinheiro e visibilidade. Investidores costumam assistir a essas apresentações e alguns até fazem parte do júri.

Há várias competições. O único problema é que a maioria delas está voltada para estudantes, seja de graduação ou pós. Em São Paulo, há o FGV Latin Mootcorp, que está com inscrições abertas. Quem ganha a fase brasileira segue para uma nova rodada, nos Estados Unidos. A FGV organiza também o Desafio GV Intel, cujas inscrições estarão abertas em maio de 2009.

Ainda na FGV, há o Idea to Product, que abrirá inscrições em maio de 2009. Nesse caso, não é preciso de um plano de negócios. O candidato tem que apresentar uma idéia com aplicabilidade em produto ou serviço e demonstrar sua viabilidade de mercado. Todas as três competições da FGV exigem que pelo menos uma pessoa do grupo seja um aluno matriculado num curso técnico, de graduação ou pós-gradução, de qualquer instituição do país.

O Ibmec, de SP, tem também uma competição, mas ela é restrita aos alunos. O prêmio Santander de Empreendedorismo, cujas inscrições acontecem através do portal Universia a partir de maio, contempla planos de negócios de graduandos e pós-graduandos de todo o país.

Crianças empreendedoras

A revista Crescer de setembro reuniu 14 dicas para estimular o lado empreendedor das crianças (no site, o texto só está disponível para assinantes). As dicas são de autoria de Jeanne Callegari. Pincei uma delas:

Pink Dink Doo

Pink Dink Doo

Saber farejar – Farejar é a capacidade de enxergar oportunidades. Onde os outros vêem crise, o empreendedor vê uma chance. Como incentivar isso nas crianças? Aproveite os problemas para ajudá-las a procurar soluções. Se o brinquedo foi parar embaixo do armário, por exemplo, pergunte como é que poderiam fazer para pegar. Será que usar algum objeto dá certo? Quem sabe uma vassoura? Lembra da musiquinha da personagem do desenho Pink Dink Doo? “Se tenho um problema e não sei o que fazer, eu penso, penso, penso e penso até eu resolver”. É esse o espírito.

Holding da Zara lança rede de acessórios

A Inditex, holding espanhola que inclui a cadeia Zara, de roupas, lançou uma nova rede, a Uterqüe, para comercializar apenas acessórios. Foram abertas três lojas simultaneamente na Espanha. A idéia é ganhar mercado num ramo onde a Zara apenas beliscava: bolsas, óculos, bijuterias, artigos de couro e sapatos. A Inditex está posicionando a Uterqüe como uma grife sofisticada, com artigos cujos preços chegam a 200 euros (R$ 480), valor acima da faixa de preços trabalhada pela Zara.

A filosofia segue sendo a mesma da Zara, que revolucionou o mercado de moda: estoques repostos três vezes por semana, novidades constantes nas prateleiras, preços convidativos e aposta no design, feito por equipes internas do grupo. Tudo com enorme agilidade. A Inditex anunciou que abrirá entre 20 e 30 lojas ainda este ano, a maioria na Espanha, duas em Portugal e uma na Grécia.

Segundo informou o portal WGSN (apenas para assinantes), as lojas têm um jeito de butique, com apenas um exemplar de cada produto exposto nas prateleiras. Os móveis são de madeira preta ou marrom escuro e bege. Foram inspirados nas antigas livrarias inglesas. Será que a Uterqüe, com esse nome difícil, vai revolucionar o mercado de acessórios?

O lucro nas franquias

Recebi um email do leitor Marcos Almeida com uma dúvida sobre franquias. Ele está pesquisando redes, pois pretende ter seu próprio negócio, e se deparou com uma informação no nosso Guia de Franquias. Ali, pedimos para os candidatos perguntarem às redes sobre a existência ou não de um pró-labore nas projeções feitas em relação ao prazo de retorno/lucratividade. Isso porque muitas redes não levam em conta a remuneração do dono do negócio. O dono ficaria com o lucro.

Mas e se o franqueado precisa pagar suas contas e o arroz-feijão que põe no prato? Nesse caso, ele estará comendo o lucro, o que significa que não verá o tal retorno do investimento feito. Mas isso não inviabiliza o negócio? - questiona o leitor Marcos. E aí vai a resposta: Sim e não. Tem gente que acha que tudo bem viver assim, do lucro, sem jamais conseguir reaver o investido. É o que o mercado de franquias chama de “comprar uma vaga de trabalho”. E tem gente que, ao avaliar os números, considera o investimento ruim e desiste daquela franquia. Tudo depende do que se quer, das expectativas de cada um.

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