Papo de Empreendedor

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Coca-cola evangélica

 

Em dezembro, deve chegar ao mercado o refrigerante Leão de Judá Cola, referência a um dos nomes bíblicos de Jesus Cristo. Trata-se de uma bebida destinada principalmente aos consumidores de produtos evangélicos. A embalagem da bebida, assim com toda a campanha de marketing e de vendas, é repleta de salmos, alguns deles “traduzidos” para o mundo dos negócios quando se trata, por exemplo, da convocação de parceiros comerciais para distribuir o produto pelo Brasil afora. O primeiro lote da “Coca-cola evangélica” terá 12 milhões de litros. O produto tem tudo para fazer sucesso. Ainda mais nesse período, em que a tão temida crise financeira mundial exigirá que as pessoas encontrem um refresco celestial que as ajude a engolir coisas amargas como alta de juros, redução de crédito e outros problemas típicos do mundo material.

Passageiro Inflável

Quem assistiu ao filme Náufrago, com Tom Hanks, deve se lembrar do Wilson, a bola que se transformava no companheiro imaginário do personagem que vivia na ilha deserta. Não por coincidência, este é também o nome do boneco inflável que tem circulado no banco do passageiro de alguns carros em grandes cidades como São Paulo. A intenção dos motoristas solitários é usar o boneco corpulento, narigudo, de bigode e de óculos escuros para intimidar os assaltantes no trânsito. O idealizador do Wilson é o empresário Juca Amaral, dono de uma fábrica de bonecos infláveis usados em postos de combustíveis. Ele teve a idéia de criar o passageiro inflável há dois anos, quando viu estatísticas da polícia informando que a presença de um acompanhante no carro reduz em até 90% as chances de assalto. O boneco custa R$ 350. O preço inclui uma sacola de transporte, um plugue e um motor de 12 volts para enchê-lo – pode ser ligado no acendedor de cigarros do automóvel. Por enquanto, Amaral vendeu 70 bonecos Wilson, mas a expectativa é que as vendas aumentem significativamente a partir do ano que vem. Ele acaba de fechar contrato com as Lojas Americanas, que comercializará o passageiro inflável.

Já ouviu falar em “murketing”?

 

Dia desses estava numa festa do casamento e a banda tocava hits dos anos 80 e 90, incluindo sucessos da Xuxa e Balão Mágico. Mas foi na hora em que começaram as músicas do extinto Mamonas Assassinas que a criançada invadiu a pista de dança. A paixão da molecada pelo som do grupo sempre foi grande. Na verdade, nem os próprios componentes dos Mamonas (mortos em acidente no início dos anos 90) sabiam por que a criançada gostava tanto de suas músicas, já que o público-alvo eram os adultos. Isso acontece também no mundo dos negócios.

Muitas vezes, os consumidores que nem são alvo de determinada campanha publicitária descobrem um produto e passam a comprá-lo e recomendar aos amigos. Daí, o fabricante tem que correr para tentar entender esse novo consumidor. É o que o jornalista americano Rob Walker chama de “murketing”, fusão das palavras marketing e murky (nebuloso, em inglês). No seu recém-lançado livro Buying In (”comprando idéias”), Walker afirma que muitos consumidores de hoje têm critérios e vontades próprias para eleger as suas marcar preferidas. E não bastam simples anúncios de TV para conquistá-los.

Um exemplo de “murketing” são os tênis All Star, da Converse (comprada em 2003 pela Nike). A marca All Star, que tinha sido sucesso no começo do século 20, entrou em decadência nos anos 80 porque seus tênis simples não eram páreo para calçados cheios de tecnologia que chegaram ao mercado. Nos últimos anos, porém, os tênis de lona começaram a aparecer nos pés de roqueiros e jovens irreverentes e novamente viraram moda. Para voltar ao assunto casamento, no início deste ano uma repórter da redação casou-se em belíssima cerimônia, mas que fugia do convencional. O noivo estava de terno e tênis All Star. Os convidados acharam o máximo.

Massagens com cobras

 

 

 Depois e um dia estressante, você chega em um spa e deita-se na maca para receber massagens. Só que, em vez de usar as mãos, o massagista espalha cobras vivas sobre as suas costas. Pois saiba que isso já ocorre em um spa criado no norte de Israel. A dona do local, Ada Barak, garante que, passados os primeiros minutos de estranhamento, os freqüentadores se acostumam com o passeio dos “bichinhos” sobre as costas. E saem da maca livres de males como dores nas costas e enxaqueca. Uma sessão com seis cobras custa 300 shekels (equivalente a R$ 140). Dona de uma fazenda onde cultiva plantas carnívoras (alimentadas por cobras), Ada conta que muitas pessoas que visitavam o local se sentiam mais aliviadas quando tocavam as cobras. A partir daí, ela teve a idéia de criar o spa, onde só usa cobras não venenosas importadas dos estados americanos da Flórida e Califórnia. Como o mercado do bem-estar tem sempre uma novidade – e o Brasil é um terreno fértil no ramo –, quem sabe esta seja uma tendência que ainda vai ganhar espaço por aqui. Você acha que um negócio assim seria promissor?

Google vai premiar grandes idéias

Os professores pardais que sonham com um mundo melhor têm uma bela oportunidade para mostrar seus projetos. E, quem sabe, ainda podem se tornar ricos e famosos. O Google lançou o projeto 10^100 (lê-se dez elevado a 100), que distribuirá o total de US$ 10 milhões (cerca de R$ 19 milhões) entre as cinco melhores idéias vindas de qualquer parte do mundo e que possam beneficiar tantas pessoas quantas for possível. O prêmio foi lançado para comemorar o aniversário de dez anos do Google. As inscrições vão até o dia 20 de outubro e o formulário que deve ser preenchido, assim como as informações detalhadas e as condições impostas aos participantes estão no site do prêmio. A escolha das melhores idéias começará em janeiro de 2009. Primeiramente, os internautas elegerão os projetos mais interessantes. Os mais votados serão submetidos a uma comissão julgadora que avaliará as idéias dentro das categorias Comunidade, Oportunidade, Energia, Meio Ambiente, Saúde, Educação, Moradia. A escolha dos vencedores levará em conta critérios como alcance da idéia, impacto que ela poderá provocar, tempo necessário para a sua implementação e relação custo-benefício para concretizá-la. Já imaginou quanta coisa interessante e até curiosa deve surgir por esse mundo afora?

O mercado da morte

Funeral Home: serviços de luxo em região nobre

Funeral Home: serviços de luxo em região nobre

Ninguém gosta de falar na morte. Ou quase ninguém. Há quem goste de viver falando no assunto e ainda consiga encontrar belas oportunidades nesse universo. É o caso da empresária Milena Romano, que garante ter investido R$ 3,5 milhões para criar em São Paulo a primeira casa especializada em funerais de luxo. Batizado de Funeral Home, o negócio funciona num casarão tombado em região nobre paulistana. Possui lounges com TV de plasma para que a família possa exibir filmes em homenagem ao falecido e oferece serviços de bufê, manobristas, música ao vivo, além de bem-velados (doces tipo bem-casados para estas ocasiões). Os pacotes de serviços variam de R$ 4.000 a R$ 40.000, segundo o site http://ww2.funerarianet.com.br/. Exagero? Nada disso. O mercado da morte está, digamos, aquecido. A Funexpo, a feira anual do setor funerário, recebeu na edição 2007, realizada no Guarujá, lirotal paulista, mais de 5.000 visitantes. Teve até banda de axé nos estandes e concorridíssimos sorteios de caixões.

Cliente espião

Quando caminho pelas ruas ou pelos corredores de um shopping, costumo bancar o cliente espião. Entro nas lojas para perguntar preços, condições de pagamentos e, assim, analisar o atendimento, fator essencial para o sucesso de qualquer negócio.
O teste é suficiente para perceber que muitos estabelecimentos vendem bem menos do que seu potencial porque têm na linha de frente pessoas despreparadas e com má vontade para atender – o problema pode estar no esquema de comissões, mas quem tem que resolver não é o consumidor.

Nada mais irritante do que o vendedor que atende o cliente e ao mesmo tempo se dirige ao colega do lado, continuando um assunto pessoal que os dois já estavam discutindo, só para citar um exemplo. Dificilmente volto a um estabelecimento como esse, mesmo que precise realmente comprar algo que é vendido ali. Em compensação, confesso que nessas andanças chego a fazer compras, ainda que não tenha planejado, simplesmente porque o vendedor me “fisgou” com um papo convincente, boa vontade e profissionalismo. E ainda viro cliente. Por isso, quando as pessoas que sonham em empreender me perguntam que tipo de negócio dá dinheiro, eu costumo responder: “os que, antes de mais nada, oferecem bom atendimento.” Simples assim.

Músicas customizadas

Vivemos a era da customização. As pessoas gostam de comprar produtos feitos sob medida, com detalhes que sejam a sua cara. É também crescente o volume de compras pela internet – as vendas pela rede somaram R$ 6,4 bilhões em 2007, volume que deve crescer 35% este ano. Além disso, o hábito de baixar músicas pela web está se tornando mais e mais comum. O que tudo isso tem a ver? Na combinação de todas essas tendências pode haver oportunidade, por exemplo, para negócios especializados na venda de músicas customizadas pela internet. Uma dica é tomar por base o site canadense tailoredmusic.com, no qual o usuário pode escolher entre 17 ritmos e encomendar a sua música. A empresa envia, por e-mail, a letra com espaços em branco para que o cliente preencha com palavras de sua preferência e envie de volta para gravação. É possível escolher também o intérprete. A música pronta pode ser baixada pela Web ou entregue em CD. Os preços variam de US$ 219 a US$ 299 por música.

Sagrado celular

Você é daquele tipo de pessoa que quando sai de casa e esquece o celular volta correndo para buscá-lo, mesmo que esteja atrasado? Pois saiba que existe muita gente com o mesmo hábito. Segundo pesquisa realizada pelo IDC com 2.367 entrevistados, 30% das pessoas afirmam que se tivessem que ficar fora de casa por 24 horas e só pudessem levar um item, tendo que escolher entre laptop, chaves, CD player, carteira de documentos e celular, optariam por este último. Detalhe: a porcentagem de gente com essa mania, segundo a mesma pesquisa, tende a subir para 40%. É a confirmação de que o universo de oportunidades para negócios ao redor do bendito aparelhinho está muito longe de se saturar.

Escritório virtual

Dia desses estive na sede da Edge It, uma pequena empresa de tecnologia fundada em 2005. O escritório fica na Avenida Paulista e sua estrutura me impressionou. No 17º andar de um belo edifício comercial, uma recepcionista me conduziu a uma sala de espera. Dali segui para a sala de reuniões, onde os donos me concederam a entrevista. Todos os ambientes eram muito confortáveis e bem decorados. Terminada a conversa, fomos para uma sala no piso superior, onde tomamos um café expresso diante de uma bela vista aérea da avenida. Elogiei a estrutura e o bom gosto dos empresários, achando que eles tinham investido muito dinheiro ali. Que nada. A Edge It funciona em um escritório virtual, esses espaços que oferecem toda a estrutura para a montagem de negócios. E os usuários podem dispor dos recursos na medida das suas necessidades. Sem querer, vi na prática como funciona um escritório virtual. Realmente, é uma ótima alternativa para quem vai montar um negócio. Ah, sim, minha entrevista era sobre um produto inovador criado pelos donos da Edge It.