A que ponto chegamos
Quanto mais eu escuto, mais incrédula fico. Semana passada, depois de enfrentar duas horas de congestionamento e atravessar a cidade, finalmente cheguei à concorrida palestra da ministra do turismo Marta Suplicy. Envergando seu clássico terninho vermelho e se dirigindo à seleta platéia como “companheiros”, ela revelou em números o excelente momento vivido pela indústria do turismo no país. O que me deixou de olhos arregalados, entretanto, não foram as estatísticas do crescimento do poder de consumo das classes C e D, mas, sim, um alerta feito pela ministra. Segundo Marta, com o novo perfil de turista, que deixou de hospedar-se na casa de parentes para desfrutar do ambiente de pousadas e hotéis, o setor precisa urgentemente treinar sua mão-de-obra. Ora, será que o turista de baixa renda não se sentiria feliz em ser bem atendido, com tratamento vip? Se não temos qualificação para receber esse público, o que será dos serviços oferecidos nos resorts 5 estrelas que pipocam pelo Nordeste afora? Cá pra nós, fica difícil acreditar que um setor que está de olho no mais sofisticado turista estrangeiro ainda tenha que treinar a turma de plantão dos hotéis três estrelas!











