Papo de Empreendedor

Papo de Empreendedor

Arquivos da categoria ‘Bastidores da Revista’


Muitas decisões em pouco tempo

Vida difícil essa de empreendedor. Estou tendo uma leve idéia do que seja administrar uma empresa participando do Desafio Sebrae para jornalistas no Rio de Janeiro. Estamos administrando uma indústria de calçados e temos que tomar decisões sobre várias áreas: recursos humanos, operacional, estoque, financeiro, compras, produção, etc. Tudo num curto espaço de tempo. Nas pequenas empresas, normalmente os donos dos negócios é que precisam tomar todas (ou quase todas) as decisões. Isso sem muita informação de mercado. O feeling é muito importante, além, é claro, de ouvir os clientes e prestar atenção nos concorrentes. Para acompanhar minha participação no Desafio, clique aqui.

O espírito do tempo

A primeira matéria que escrevi para a Pequenas Empresas & Grandes Negócios foi “O modelo slow de produção”, publicada na edição de janeiro. A matéria conta a história de pequenas empresas italianas que têm como prioridade a qualidade dos produtos e de toda as etapas da produção e não mais o crescimento contínuo e a alta produtividade. Pois bem. Semana passada recebi um email da coordenadora de projetos do Slow Food Brasil falando que alguns empresários escreveram para o site depois de ter lido a matéria. Tinham se identificado com as empresas italianas e com o conceito de produção e queriam saber se já existia um movimento formado por empresários brasileiros que seguissem o “modelo slow”. A coordenadora ainda me pediu mais informações sobre o jeito slow de produzir dessas empresas, já que tinha sido convidada para dar uma palestra sobre o assunto em um encontro de agronegócios do SEBRAE. Fiquei feliz com o contato, feliz em saber que conseguimos, com a matéria, captar o l’air du temps: um desejo coletivo de desacelerar e de ter cada vez mais qualidade.

A autora desse post é a jornalista Elisa Correa.

É nosso!!!!!!

Leitores, blogueiros e empresários. Nós ganhamos o Best Blog Brazil, na categoria Blog Corporativo. Sim, acabo de ter essa notícia. Wagner Fontoura e Helton Kuhnen, da Coworkers Mídias Sociais, nossos mentores, acabaram de me avisar. É muito legal ter esse reconhecimento. É um trabalho muito bacana da redação da Pequenas Empresas & Grandes Negócios. Em um mês, o Papo de Empreendedor conseguiu page rank 6, que garante credibilidade e um bom índice de acesso. E agora, conquistamos esse título. Que legal. Eu, que participei também desse projeto, estou super feliz. Estou me despedindo da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, após quase nove anos desse mundo de empreendedorismo, e estou indo para o site de uma revista da casa: a Época Negócios. Sem dúvida, o Papo de Empreendedor é um trabalho que lembrarei sempre. Sem despedidas, pessoal. Vamos comemorar o nosso título!

Votem em nós

Atenção empreendedores, leitores e blogueiros. O Papo de Empreendedor é finalista do Best Blogs Brazil, uma premiação que seleciona os melhores blogs em cada área. A idéia desse prêmio é destacar sites que contribuíram para a reflexão sobre algum assunto: aqueles que emitiram opinião, inovaram de algum forma e, principalmente, ofereceram conteúdo de boa qualidade. Sim, estamos entre os 10 blogs selecionados na categoria corporativo. Isso é muito legal. Estamos felizes com o reconhecimento de um blog novo, que nasceu em março de 2008, estar concorrendo com sites com uma longa estrada de internet. Agora, qualquer pessoa pode se cadastrar no site do Best Blogs Brazil e votar. Mas o veredicto final será feito pelos palestrantes do Campus Party Brasil. No dia 14 de janeiro, saberemos quem será o vencedor. Gostou da notícia? Então, acessem o site e votem! Vamos colocar o Papo de Empreendedor entre os cinco blogs corporativos do Brasil. Para o alto e avante!

Pequenas Empresas ganha prêmio que coroa processo de reposicionamento

A revista Pequenas Empresas acaba de ganhar um prêmio, dado por um júri formado por membros da Academia Brasileira de Marketing, que escolheu os vencedores da 22ª edição do Prêmio Veículos de Comunicação, da revista Propaganda.

Para a turma da Pequenas Empresas, o prêmio tem um sabor especial. Ele coroa um processo de reposicionamento da revista, conduzido nos últimos dois anos. Nesse tempo, mudamos muita coisa.  Quebramos um paradigma e paramos de nos preocupar com o tamanho da empresa da qual falávamos na revista. O que é uma pequena empresa? A que tem menos de 100 funcionários? A que fatura menos de 30, 50 ou 80 milhões por ano? A verdade é que, hoje em dia, essas definições estão furadas, pois há empresas com meia dúzia de funcionários faturando milhões. E outras que faturam pouco, mas pertencem a um grande grupo e não sofrem nem metade dos problemas comuns aos empreendedores.  

Decidimos, naquela época, nos concentrar no empresário (independente do tamanho da sua empresa) que tenha uma mentalidade moderna: aquele que entende que o lucro é conseqüência de uma gestão bem feita e não um objetivo em si. O empreendedor que visa o lucro, pura e simples, vai achar que tudo o mais é custo e não investirá em tecnologia, em RH, em marketing (e, sinto dizer, esse cara tem vida curta).  

Aos poucos fomos mundo o tom da revista, que ficou mais profunda. Os jornalistas tiveram que estudar gestão (e não vão parar nunca mais de fazê-lo). O leitor, então mais concentrado na classe C, passou a ser também das classes B e A. Aos poucos os anunciantes foram chegando (as páginas publicitárias cresceram 71% em dois anos). Sentimos uma queda nas vendas em bancas, mas as assinaturas se mantiveram firmes e fortes, na casa dos 45.000 assinantes, e agora estão em franca expansão.

Foi um processo longo e difícil, que tive o privilégio de conduzir. Confesso que tive um medo danado de tomar decisões erradas. E é um alívio olhar para trás e ver que tomamos a estrada certa. Afinal, nosso assunto é gestão. Então, imagina se não conseguíssemos, nós mesmos, conduzir um processo de reposicionamento de produto de forma bem sucedida! Ufa! É bom saber que em casa de ferreiro, o espeto nem sempre é de pau!!

Qual você compraria?

A edição de outubro da revista começou quente. Logo de saída, tínhamos duas pautas candidatas à capa.

Uma das reportagens fala sobre as lições de quem se deu bem no varejo eletrônico. Conversamos com cinco empresários que fazem sucesso no comércio virtual e conseguem vender bem graças a boas práticas e muita criatividade. Assim, levantamos dicas para quem deseja se aventurar nesse ramo.

Já a segunda reportagem retrata as pequenas empresas que estão se unindo com concorrentes para fazer compras, ações de maketing, treinamento e até exportações conjuntas. A idéia da matéria é mostrar de que forma você, empreendedor também, pode aproveitar essa onda.

Bom, estamos quase terminando a edição. Só que bateu uma curiosidade: diz aí, qual capa você compraria?

Como perder clientes


Contraste a olhos vistos

Quanto mais se vive, mais se aprende, já dizia minha avó. E mesmo tendo apenas cursado a faculdade da vida em muitos momentos ela tem mesmo razão. Esta semana, fui de mala e cuia para Rio Verde, em Goiás, em busca de informações para uma grande reportagem que estamos preparando aqui na revista. Chegar lá já é uma aventura que dura, entre escalas e conexões, nada menos do que seis horas. Praticamente o mesmo tempo que os portugueses levam para viajar de Lisboa a Natal, no Rio Grande do Norte.
Rio Verde é um dos eldorados do centro-oeste do país, uma das cidades mais prósperas, com um PIB per capta alto e muito dinheiro circulando, fruto do agronegócio (www.rioverdegoias.com.br). Mas, se por um lado o progresso é claro, com a tecnologia de ponta ditando as regras nas lavouras e nas granjas, em alguns pontos a cidade se assemelha aos mais provincianos municípios.
Com bagagem e equipamento de trabalho, fomos surpreendidas, eu e a fotógrafa, com a ausência de um serviço simples: táxi no aeroporto. Isso mesmo. O aeroporto, que mais parece uma precária rodoviária (foto) fica distante do centro e conta boa parte do tempo apenas com a oferta de moto táxi. Cá pra nós, seria impossível cruzarmos longas distâncias na garupa de uma moto. Para quem está acostumada com as mordomias da maior metrópole do país, a surpresa é grande. Passado o primeiro impacto, fica aqui uma sugestão a quem deseja empreender e está em busca de uma oportunidade rentável: que tal oferecer um serviço de táxi de qualidade, com carros bem conservados, taxímetro aferido - esse é outro detalhe, a maioria lá prefere combinar a corrida a usar o tal aparelhinho – e pontualidade? A empreeitada não é nada difícil, já que Rio Verde conta apenas com dois vôos diários e demanda garantida, pois os aviões chegam e decolam lotados. Vale a pena pensar!

Despidos de preconceitos

Quando recebi a incumbência de viajar para o sul de Rondônia para fazer uma reportagem fiquei m perguntando o que encontraria pela frente. A tarefa era indiscutivelmente atraente, não só por conhecer um empreendimento de sucesso tão distante dos grandes centros, como pela expectativa de sobrevoar pelo menos um pequeno pedaço da Floresta Amazônica. A expectativa era ainda maior porque nós, acostumados com o “sul maravilha”, pouco (ou nada) sabemos da realidade dos estados do norte. E, não raras vezes, somos pegos no contrapé, em razão de tamanha desinformação.

A primeira surpresa foi com a distância. Apesar de cruzar o país, chega-se ao sul de Rondônia em cinco horas, após duas escalas e uma troca de avião. A cidade de Vilhena, meu destino final, mostrou-se não só acolhedora, como limpa, organizada e bem urbanizada. Cresce de forma ordenada, traz ainda um forte sotaque gaúcho de seus colonizadores e nada deixa a desejar a muitas cidades do interior de São Paulo. O comércio é forte e a área de serviços bem desenvolvida.

Se por um lado o crescimento é claro, por outro, a floresta se mostra viva, preservada não só nas reservas, mas nas propriedades. Circular entre suas árvores gigantes é, sem dúvida, emocionante, principalmente para urbanóides da maior capital do país, como eu e o fotógrafo Fabiano Acorsi. Depois de um pequeno mergulho nesse universo, saí com a certeza de que é possível empreender em qualquer parte deste país, basta despir-se de preconceito e acreditar que as boas oportunidades não estão exclusivamente nos velhos e já conhecidos endereços, isto é, no sul e no sudeste.

A que ponto chegamos

Quanto mais eu escuto, mais incrédula fico. Semana passada, depois de enfrentar duas horas de congestionamento e atravessar a cidade, finalmente cheguei à concorrida palestra da ministra do turismo Marta Suplicy. Envergando seu clássico terninho vermelho e se dirigindo à seleta platéia como “companheiros”, ela revelou em números o excelente momento vivido pela indústria do turismo no país. O que me deixou de olhos arregalados, entretanto, não foram as estatísticas do crescimento do poder de consumo das classes C e D, mas, sim, um alerta feito pela ministra. Segundo Marta, com o novo perfil de turista, que deixou de hospedar-se na casa de parentes para desfrutar do ambiente de pousadas e hotéis, o setor precisa urgentemente treinar sua mão-de-obra. Ora, será que o turista de baixa renda não se sentiria feliz em ser bem atendido, com tratamento vip? Se não temos qualificação para receber esse público, o que será dos serviços oferecidos nos resorts 5 estrelas que pipocam pelo Nordeste afora? Cá pra nós, fica difícil acreditar que um setor que está de olho no mais sofisticado turista estrangeiro ainda tenha que treinar a turma de plantão dos hotéis três estrelas!


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