Papo de Empreendedor

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Sem financiamento, nada feito

Eu nunca achei mesmo que o brasileiro tivesse o hábito de pensar no amanhã. Não à toa produtos financeiros mais sofisticados que a simples poupança, como fundos de investimento e de previdência privada, raramente têm suas regras bem compreendidas pela população, mesmo a das classes mais abastadas.

Recentemente, foi divulgado um estudo do instituto LatinPanel que revela que 74% das pessoas não poupam absolutamente nada no Brasil. Naaaaaada. E dos 26% restantes, apenas metade consegue guardar até 10% do que recebe mensalmente. Ok, é verdade que o custo de vida é alto para o baixo salário que a grande maioria recebe. Mas mais de 70% da população não ter o hábito de economizar nada é, sim, na minha opinião, impressionante e tem também um quê cultural.

Polêmicas à parte, isso só reforça o quanto é essencial que qualquer empresário ofereça financiamento à sua clientela para ao menos manter o ritmo das vendas pré-crise. Por mais que esteja difícil obter crédito no mercado, é preciso encontrar uma saída: seja usar capital de giro próprio, reduzir margens ou camelar de banco em banco em busca de menores taxas.

Não tem jeito. Se não oferecer a opção de pagamento parcelado, não vende. O consumidor não tem de onde tirar dinheiro. Ele tem mesmo que contar com o salário do mês para pagar tudo que comprou – a prazo, a perder de vista.

Cade, cadê você???

Não fiquei só surpresa com a fusão do Itaú e do Unibanco anunciada na última segunda-feira, 3 de novembro. Fiquei também preocupada. Seria consolidação bancária se grandes instituições estivessem comprando as pequenas. Mas o que dizer da união de conglomerados como Itaú-Unibanco e Santander-ABN? O que temo é uma concorrência cada vez menor que se traduza em menos oferta de crédito, menos taxas de juros  diferenciadas, menos opções de pacotes de tarifas de serviços. Não vejo como a pessoa jurídica nem a física se beneficiam desse tipo de negócio. Cade, cadê você? Em tempo: o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, órgão ligado ao Ministério da Justiça, analisará se autoriza ou não a fusão ainda neste mês. Mas confesso que não tenho esperanças de um voto contrário…

Qual o PIB do Brasil e do mundo para 2008 e 2009? E o dólar?

Como estará a economia brasileira e a mundial no próximo ano? Eis a resposta do economista Robson Pereira, do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco. O PIB mundial e o brasileiro, segundo ele, devem crescer em ritmos menores. “Nos últimos quatro a cinco anos, o crescimento do PIB global foi muito forte, acima da média histórica e, agora, estamos diante de um processo de desaceleração, acentuado pela crise iniciada nos EUA”, diz ele. Vamos aos números da equipe do banco:

Previsões de crescimento para o PIB mundial:
2008 - 3,7%
2009 - 3,2%

O PIB norte-americano deve encolher ainda mais:
2008 - 1,2%
2009 - 0,7%

O PIB brasileiro continuará crescendo, mas em ritmo menor:
2008 - 5,2%
2009 - 3,5%

“A economia mundial terá ajustes em 2009, mas as perspectivas de médio e longo prazos são favoráveis para o Brasil”, diz Pereira. “O PIB de 3,5% para o Brasil em 2009 é algo bem calibrado”, diz. “Pesam a favor o maior gasto do governo, a continuidade das obras de infra-estrutura, como os investimentos via PAC, por exemplo, e uma provável menor elevação dos juros diante das restrições de liquidez existentes.”

Pereira acredita que o consumo das famílias, que vinha apresentando taxas robustas de crescimento
desde 2004, sofrerá uma redução, mas ainda assim deverá registrar crescimento de 4,9% em 2009 -  valor que, se confirmado, ainda será um resultado expressivo. Já a taxa de desemprego, deve se manter estável, na casa de 8,2% em 2008 e 2009.

E o dólar? Segundo as projeções da equipe do Bradesco, a cotação deve ser de R$ 1,81 em dezembro de 2008 e R$ 1,91 em dezembro de 2009.

Os cenários, claro, são revistos pelo Bradesco o tempo todo. Mas, por hora, é com esses números que o banco está trabalhando. E é com eles que você, também, pode traçar seu planejamento de 2009.

Como conseguir um sócio para viabilizar uma idéia?

A leitora Rosita Rosa, de Porto Alegre, mandou um email contando que tem uma boa idéia, na área de alimentos saudáveis, e precisa de um sócio para viabilizá-la. O que fazer?

Bem, vou dizer o que eu faria. Em primeiríssimo lugar, escreveria um bom plano de negócios, com informações consistentes sobre a viabilidade financeira e o mercado. Um plano desses ajuda a organizar o pensamento, nos faz pensar em diferentes aspectos, nos pontos fracos e fortes. Depois, eu procuraria uma incubadora.

Existem quase 300 incubadoras no Brasil (os contatos você encontra na Anprotec). Várias estão dispostas a incubar novos projetos, já que o Sebrae está destinando verbas gordas para essa finalidade. Há muitas vantagens numa incubadora, como as consultorias (financeira, jurídica, de marketing) que boa parte delas presta. Depois, as incubadoras são os lugares mais visados (e visitados) por capitalistas dispostos a investir num novo negócio.

Caso a empresa já estivesse em estágio inicial, bateria também na porta da Finep, que organiza um evento bem interessante, chamado Venture Forum: os candidatos se inscrevem e, se forem selecionados, apresentam suas idéias a potenciais investidores. Não é fácil passar pela peneira da Finep: no último evento, havia 400 inscritos e só 16 chegaram a fazer apresentações.

Eu também inscreveria meu plano de negócios num concurso, pois eles às vezes rendem prêmios em dinheiro e visibilidade. Investidores costumam assistir a essas apresentações e alguns até fazem parte do júri.

Há várias competições. O único problema é que a maioria delas está voltada para estudantes, seja de graduação ou pós. Em São Paulo, há o FGV Latin Mootcorp, que está com inscrições abertas. Quem ganha a fase brasileira segue para uma nova rodada, nos Estados Unidos. A FGV organiza também o Desafio GV Intel, cujas inscrições estarão abertas em maio de 2009.

Ainda na FGV, há o Idea to Product, que abrirá inscrições em maio de 2009. Nesse caso, não é preciso de um plano de negócios. O candidato tem que apresentar uma idéia com aplicabilidade em produto ou serviço e demonstrar sua viabilidade de mercado. Todas as três competições da FGV exigem que pelo menos uma pessoa do grupo seja um aluno matriculado num curso técnico, de graduação ou pós-gradução, de qualquer instituição do país.

O Ibmec, de SP, tem também uma competição, mas ela é restrita aos alunos. O prêmio Santander de Empreendedorismo, cujas inscrições acontecem através do portal Universia a partir de maio, contempla planos de negócios de graduandos e pós-graduandos de todo o país.

Boa nova no Simples

Finalmente uma boa notícia para as empresas que acertam as contas com o fisco pelo Simples. A partir de 1º de janeiro, será possível calcular o valor do imposto a pagar com base no regime de caixa. Trocando em miúdos: o  recolhimento poderá ser feito só depois que o cliente fizer o pagamento e não na ocasião da emissão da nota fiscal, como ocorre hoje. Com a trégua da receita, muita gente ganhará fôlego para pagar a conta com recursos próprios, às vezes meses depois da entrega da nota. Boa chance de se livrar dos estratosféricos juros dos financiamentos para capital de giro. Em tempo: quem quiser, pode continuar adotando a forma atual, o regime de competência. A escolha será feita junto com o primeiro pagamento de 2009 e não poderá ser mofidicada no decorrer do ano. Quer saber mais sobre a mudança? Clique aqui para ler as informações da Receita Federal.
Carin Homonnay Petti

O lucro nas franquias

Recebi um email do leitor Marcos Almeida com uma dúvida sobre franquias. Ele está pesquisando redes, pois pretende ter seu próprio negócio, e se deparou com uma informação no nosso Guia de Franquias. Ali, pedimos para os candidatos perguntarem às redes sobre a existência ou não de um pró-labore nas projeções feitas em relação ao prazo de retorno/lucratividade. Isso porque muitas redes não levam em conta a remuneração do dono do negócio. O dono ficaria com o lucro.

Mas e se o franqueado precisa pagar suas contas e o arroz-feijão que põe no prato? Nesse caso, ele estará comendo o lucro, o que significa que não verá o tal retorno do investimento feito. Mas isso não inviabiliza o negócio? - questiona o leitor Marcos. E aí vai a resposta: Sim e não. Tem gente que acha que tudo bem viver assim, do lucro, sem jamais conseguir reaver o investido. É o que o mercado de franquias chama de “comprar uma vaga de trabalho”. E tem gente que, ao avaliar os números, considera o investimento ruim e desiste daquela franquia. Tudo depende do que se quer, das expectativas de cada um.

Dinheiro de graça

Tem dinheiro de graça no mercado. Isso mesmo, de graça. A Finep está disponibilizando R$ 180 milhões a pequenas empresas em seu novo programa de subvenção econômica. Para quem não sabe, por subvenção econômica entende-se a distribuição dos chamados recursos a fundo perdido. O programa está aberto a empresas com produtos ou serviços inovadores de seis áreas: tecnologia da informação e comunicação, biotecnologia, saúde, programas estratégicos, energia e desenvolvimento social. Serão escolhidos projetos de no mínimo R$ 1 milhão de reais. Do total, algo entre 5% e 20%, no caso de negócios menores, deve ser bancado pela própria empresa. Interessou-se? Mais informações e o formulário para a primeira etapa do processo de seleção no site da Finep.

Em busca do venture capital

Você tem uma pequena empresa tecnologicamente inovadora, precisa de recursos para continuar crescendo, mas não quer – ou não pode – bater nas portas dos bancos? Talvez seja o caso de considerar a busca de um aporte de fundos de venture capital. Ainda desconhecidos de muitos empreendedores, eles compram participação de empresas com grande potencial de crescimento e valorização para, alguns anos depois, revendê-las a outros fundos, outras empresas ou até na Bolsa – com boa margem de lucro, se tudo correr como previsto. Em 31 de julho e 1º de agosto representantes desses investidores participarão do Seed Forum, promovido pela Finep, em Belo Horizonte. Lá vão assistir a apresentações de empresários interessados em seus recursos. Se gostarem do que ouvirem, podem dar o início às negociações para um eventual aporte. As inscrições para o processo de seleção de empreendedores que irão se apresentar podem ser feitas pel pelo site www.capitalderisco.gov.br até 1º de junho.
Os empresários escolhidos para o fórum terão cerca de seis encontros para preparar a apresentação com profissionais da Finep e gestores de fundos. O processo costuma valer a pena até para quem não consegue a tão desejada injeção de capital. Explica-se: as sessões são boa oportunidade para esmiuçar o plano de negócio e, se for o caso, rever as estratégias de sua empresa.