Papo de Empreendedor

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Um ombro em tempos de crise

namorados

Em um texto publicado no suplemento do NYT da semana passada, na Folha de S. Paulo, encontrei uma abordagem original para a crise econômica. Na reportagem, faz-se um panorama dos relacionamentos amorosos em tempos de crise. Sim, eles também são afetados! A pergunta é: o amor serve como refúgio quando a vida financeira fica mais áspera ou ele também é afetado pela insegurança que permeia a economia?

Quem apostou no amor como salvação… enganou-se. Com a situação financeira instável, as famílias hoje sofrem tensões que antes não existiam. Nos EUA, afirma a matéria, com a demissão dos maridos, muitas mulheres assumiram a posição de principal provedora da casa. Isso afeta a relação do casal, bem como a personalidade de cada um. Deve haver tolerância e entendimento mútuo quando há más notícias para a família, como uma demissão. Muitas pessoas têm grande parte do ego no emprego.

Apesar disso, há um fato que pode servir de consolo: os serviços de encontros amorosos cresceram de 40% a 50%, relata a matéria. Isso porque as pessoas não querem passar sozinhas por momentos incertos, com decisões difíceis. Em momentos de futuro incerto, o amor parece mais importante, e todos querem um ombro onde se apoiar.

E você? Concorda com a matéria, ou acha que o amor de verdade supera qualquer crise? Dê sua opinião!

Preços diferenciados para pagamento em dinheiro

No mês passado, representantes de entidades do comércio discutiram, na Câmara dos Deputados, a possibilidade de cobrar preços diferenciados para compras feitas em dinheiro e com cartão. Uma compra com cartão é mais cara porque o estabelecimento precisa pagar a comissão das operadoras de cartão e o aluguel das maquinetas, além de esperar 30 dias para receber o dinheiro da venda. Segundo os comerciantes, os custos das compras feitas com cartão são repassados aos preços e todos os clientes pagam a conta, mesmo que comprem com dinheiro. Permitir a cobrança de preços diferenciados é questão de justiça ou só vai causar confusão? Opine.

Controlar custos e combater o desperdício, eis a receita

Início de ano, hora de fazer balanços e projeções. Na Tecnoblu, fabricante de etiquetas para a indústria de confecção, não foi diferente. Diz Cristiano Buerger, sócio da empresa, que a crise impactou a empresa e o mercado em geral, especialmente o jeanswear, diminuindo entre 10% e 15% os negócios durante outubro e novembro de 2008. ”Mas em dezembro o varejo reagiu muito bem e penso que teremos um início de 2009 normal para o nosso setor. Terminamos 2008 com um crescimento de 23%”, diz Cristiano.

Os planos para 2009 são de expansão, os investimentos previstos serão mantidos e a empresa deve partir para novas linhas de produto e novos segmentos de mercado. “Agora é o momento, também, de fazermos a lição de casa bem feita… ajustarmos custos, despesas e também usar a criatividade para não fazer nenhuma demissão”, diz Cristino. A estratégia vale pra todo mundo. 2009 promete ser o ano da faxina interna, com revisão de processos, enxugamentos e combate ao desperdício.

Qual o PIB do Brasil e do mundo para 2008 e 2009? E o dólar?

Como estará a economia brasileira e a mundial no próximo ano? Eis a resposta do economista Robson Pereira, do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco. O PIB mundial e o brasileiro, segundo ele, devem crescer em ritmos menores. “Nos últimos quatro a cinco anos, o crescimento do PIB global foi muito forte, acima da média histórica e, agora, estamos diante de um processo de desaceleração, acentuado pela crise iniciada nos EUA”, diz ele. Vamos aos números da equipe do banco:

Previsões (feitas em 4/10/2008) para:

PIB mundial:
2008 - 3,7%
2009 - 3,2%

O PIB norte-americano deve encolher ainda mais:
2008 - 1,2%
2009 - 0,7%

O PIB brasileiro continuará crescendo, mas em ritmo menor:
2008 - 5,2%
2009 - 3,5%

“A economia mundial terá ajustes em 2009, mas as perspectivas de médio e longo prazos são favoráveis para o Brasil”, diz Pereira. “O PIB de 3,5% para o Brasil em 2009 é algo bem calibrado”, diz. “Pesam a favor o maior gasto do governo, a continuidade das obras de infra-estrutura, como os investimentos via PAC, por exemplo, e uma provável menor elevação dos juros diante das restrições de liquidez existentes.”

Pereira acredita que o consumo das famílias, que vinha apresentando taxas robustas de crescimento
desde 2004, sofrerá uma redução, mas ainda assim deverá registrar crescimento de 4,9% em 2009 -  valor que, se confirmado, ainda será um resultado expressivo. Já a taxa de desemprego, deve se manter estável, na casa de 8,2% em 2008 e 2009.

E o dólar? Segundo as projeções da equipe do Bradesco, a cotação deve ser de R$ 1,81 em dezembro de 2008 e R$ 1,91 em dezembro de 2009.

Os cenários, claro, são revistos pelo Bradesco o tempo todo. Mas, por hora, é com esses números que o banco está trabalhando. E é com eles que você, também, pode traçar seu planejamento de 2009.

Como conseguir um sócio para viabilizar uma idéia?

A leitora Rosita Rosa, de Porto Alegre, mandou um email contando que tem uma boa idéia, na área de alimentos saudáveis, e precisa de um sócio para viabilizá-la. O que fazer?

Bem, vou dizer o que eu faria. Em primeiríssimo lugar, escreveria um bom plano de negócios, com informações consistentes sobre a viabilidade financeira e o mercado. Um plano desses ajuda a organizar o pensamento, nos faz pensar em diferentes aspectos, nos pontos fracos e fortes. Depois, eu procuraria uma incubadora.

Existem quase 300 incubadoras no Brasil (os contatos você encontra na Anprotec). Várias estão dispostas a incubar novos projetos, já que o Sebrae está destinando verbas gordas para essa finalidade. Há muitas vantagens numa incubadora, como as consultorias (financeira, jurídica, de marketing) que boa parte delas presta. Depois, as incubadoras são os lugares mais visados (e visitados) por capitalistas dispostos a investir num novo negócio.

Caso a empresa já estivesse em estágio inicial, bateria também na porta da Finep, que organiza um evento bem interessante, chamado Venture Forum: os candidatos se inscrevem e, se forem selecionados, apresentam suas idéias a potenciais investidores. Não é fácil passar pela peneira da Finep: no último evento, havia 400 inscritos e só 16 chegaram a fazer apresentações.

Eu também inscreveria meu plano de negócios num concurso, pois eles às vezes rendem prêmios em dinheiro e visibilidade. Investidores costumam assistir a essas apresentações e alguns até fazem parte do júri.

Há várias competições. O único problema é que a maioria delas está voltada para estudantes, seja de graduação ou pós. Em São Paulo, há o FGV Latin Mootcorp, que está com inscrições abertas. Quem ganha a fase brasileira segue para uma nova rodada, nos Estados Unidos. A FGV organiza também o Desafio GV Intel, cujas inscrições estarão abertas em maio de 2009.

Ainda na FGV, há o Idea to Product, que abrirá inscrições em maio de 2009. Nesse caso, não é preciso de um plano de negócios. O candidato tem que apresentar uma idéia com aplicabilidade em produto ou serviço e demonstrar sua viabilidade de mercado. Todas as três competições da FGV exigem que pelo menos uma pessoa do grupo seja um aluno matriculado num curso técnico, de graduação ou pós-gradução, de qualquer instituição do país.

O Ibmec, de SP, tem também uma competição, mas ela é restrita aos alunos. O prêmio Santander de Empreendedorismo, cujas inscrições acontecem através do portal Universia a partir de maio, contempla planos de negócios de graduandos e pós-graduandos de todo o país.

Boa nova no Simples

Finalmente uma boa notícia para as empresas que acertam as contas com o fisco pelo Simples. A partir de 1º de janeiro, será possível calcular o valor do imposto a pagar com base no regime de caixa. Trocando em miúdos: o  recolhimento poderá ser feito só depois que o cliente fizer o pagamento e não na ocasião da emissão da nota fiscal, como ocorre hoje. Com a trégua da receita, muita gente ganhará fôlego para pagar a conta com recursos próprios, às vezes meses depois da entrega da nota. Boa chance de se livrar dos estratosféricos juros dos financiamentos para capital de giro. Em tempo: quem quiser, pode continuar adotando a forma atual, o regime de competência. A escolha será feita junto com o primeiro pagamento de 2009 e não poderá ser mofidicada no decorrer do ano. Quer saber mais sobre a mudança? Clique aqui para ler as informações da Receita Federal.
Carin Homonnay Petti

O lucro nas franquias

Recebi um email do leitor Marcos Almeida com uma dúvida sobre franquias. Ele está pesquisando redes, pois pretende ter seu próprio negócio, e se deparou com uma informação no nosso Guia de Franquias. Ali, pedimos para os candidatos perguntarem às redes sobre a existência ou não de um pró-labore nas projeções feitas em relação ao prazo de retorno/lucratividade. Isso porque muitas redes não levam em conta a remuneração do dono do negócio. O dono ficaria com o lucro.

Mas e se o franqueado precisa pagar suas contas e o arroz-feijão que põe no prato? Nesse caso, ele estará comendo o lucro, o que significa que não verá o tal retorno do investimento feito. Mas isso não inviabiliza o negócio? - questiona o leitor Marcos. E aí vai a resposta: Sim e não. Tem gente que acha que tudo bem viver assim, do lucro, sem jamais conseguir reaver o investido. É o que o mercado de franquias chama de “comprar uma vaga de trabalho”. E tem gente que, ao avaliar os números, considera o investimento ruim e desiste daquela franquia. Tudo depende do que se quer, das expectativas de cada um.

Dinheiro de graça

Tem dinheiro de graça no mercado. Isso mesmo, de graça. A Finep está disponibilizando R$ 180 milhões a pequenas empresas em seu novo programa de subvenção econômica. Para quem não sabe, por subvenção econômica entende-se a distribuição dos chamados recursos a fundo perdido. O programa está aberto a empresas com produtos ou serviços inovadores de seis áreas: tecnologia da informação e comunicação, biotecnologia, saúde, programas estratégicos, energia e desenvolvimento social. Serão escolhidos projetos de no mínimo R$ 1 milhão de reais. Do total, algo entre 5% e 20%, no caso de negócios menores, deve ser bancado pela própria empresa. Interessou-se? Mais informações e o formulário para a primeira etapa do processo de seleção no site da Finep.

Em busca do venture capital

Você tem uma pequena empresa tecnologicamente inovadora, precisa de recursos para continuar crescendo, mas não quer – ou não pode – bater nas portas dos bancos? Talvez seja o caso de considerar a busca de um aporte de fundos de venture capital. Ainda desconhecidos de muitos empreendedores, eles compram participação de empresas com grande potencial de crescimento e valorização para, alguns anos depois, revendê-las a outros fundos, outras empresas ou até na Bolsa – com boa margem de lucro, se tudo correr como previsto. Em 31 de julho e 1º de agosto representantes desses investidores participarão do Seed Forum, promovido pela Finep, em Belo Horizonte. Lá vão assistir a apresentações de empresários interessados em seus recursos. Se gostarem do que ouvirem, podem dar o início às negociações para um eventual aporte. As inscrições para o processo de seleção de empreendedores que irão se apresentar podem ser feitas pel pelo site www.capitalderisco.gov.br até 1º de junho.
Os empresários escolhidos para o fórum terão cerca de seis encontros para preparar a apresentação com profissionais da Finep e gestores de fundos. O processo costuma valer a pena até para quem não consegue a tão desejada injeção de capital. Explica-se: as sessões são boa oportunidade para esmiuçar o plano de negócio e, se for o caso, rever as estratégias de sua empresa.

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