Papo de Empreendedor

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Wraps cresce em 2008, mas diminui o ritmo de expansão

 

No post de ontem, vimos como foi o ano de 2008 e o que se espera para 2009 na rede de idiomas Yázigi. Hoje, conversei com Marcelo Ferraz, sócio da rede de alimentação Wraps, com 11 restaurantes. Segundo ele, o ano de 2008 foi bom. As lojas já estabelecidas tiveram aumento de 30% no faturamento e 20% no número de clientes. Uma segunda rede surgiu: a Go Fresh, fast food de saladas e grelhados, com duas lojas, uma delas prestes a abrir as portas.

 

“O saldo foi positivo”, diz Marcelo. “Mas decidimos diminuir o ritmo de abertura de novas lojas em 2009 e trabalhar no controle de custos, aumentando a rentabilidade dos pontos já existentes”. O que motivou a decisão não foi o temor de que diminuam os clientes, pois segundo Marcelo os preços do Wraps são competitivos e tiveram pouca variação durante o ano. O que mais pesou na decisão foi o valor dos pontos comerciais, que ele acredita que cairão, e o custo dos financiamentos, que andam encarecidos. É através de crédito, principalmente para compra de máquinas, que se dá a expansão da rede.  

 

“No final do primeiro trimestre teremos uma noção melhor de como será o ano. Então, pode ser que voltemos à expansão em ritmo acelerado, negociando novos pontos. Enquanto isso, vamos colocar ordem na casa, vamos aproveitar para racionalizar os custos, diminuir os desperdícios, procurar novos ingredientes, fazer mais com menos.” É isso aí.

Em 2008, a rede Yázigi cresceu 15%; 2009 requer cautela

 

Perguntei a alguns empresários como tinha sido o ano de 2008 e o que eles esperavam de 2009. Alexandre Gambirásio Silva, comandante da rede de franquias de ensino de idiomas Yázigi, disse que o saldo final de 2008 foi muito positivo, com um crescimento de 15% no faturamento bruto da rede. Novas franquias foram abertas e o número de alunos aumentou. O setor, segundo ele, foi até agora pouco afetado pela crise.

 

“Se houver aumento da taxa de desemprego, então veremos uma retração nos gastos com serviços e varejo em geral. Por enquanto, isso ainda não ocorreu e é a principal variável que temos que observar”, diz ele. “As escolas de idiomas têm seu período mais forte de matrículas no início de cada semestre. Para nós, isso significa que o volume de alunos novos e rematriculados até 31 de março será uma forte sinalização do que deverá ocorrer no ano. Se as matrículas se mantiverem relativamente estáveis, a tendência é que nosso segmento tenha um ano menos impactado pela crise. Portanto, estamos de olho no primeiro trimestre!”

 

Gambirásio diz que começará 2009 com cautela, mas sem pessimismo. “Quando nos deparamos com uma crise o importante é não ficar com excesso de medo e de pensamentos negativos. Afinal, quanto mais se pensa na crise, mas ela potencialmente cresce. Por outro lado, também não se pode desprezar a crise e assumir que passaremos por ela sem arranhões, mesmo que a empresa esteja forte e bem posicionada. Ou seja, o discurso das “marolas” adotado pelo presidente Lula foi demasiado otimista e ingênuo”, diz ele.

 

Segundo Gambirásio, o Yázigi vai adotarar um orçamento mais conservador em 2009, mas manterá a meta de vendas relativamente ousada: a previsão é de abrir ao menos 15 escolas novas em 2009 e comercializar mais 25 a 30 franquias para abertura em 2010, quando a rede completa 60 anos. Maravilha!

 

Oba! A idéia saiu mesmo do papel!

É tão bom quando uma idéia começa logo a se transformar em realidade! É o que está acontecendo no setor de franquias com os indicadores de responsabilidade social. No início de abril, anunciamos aqui neste blog que a Associação Franquia Solidária (Afras), braço de responsabilidade social da Associação Brasileira de Franchising (ABF), estava fechando uma parceria com o Instituto Ethos para elaborar indicadores específicos para o setor. Esta semana eles estão sendo divulgados – e já estão disponíveis para consulta pública no site da própria Afras.

Esses indicadores foram elaborados para o setor de franquias tendo como referência os que foram desenvolvidos pelo Ethos em parceria com o Sebrae para pequenas e médias empresas. A partir do mês de novembro, o questionário já será aplicado pelas 13 redes associadas da Afras que participaram da sua elaboração – Amor aos Pedaços, Arezzo, BIT Company, Bob´s, China in Box, CNA, Flytour, Linces Vistorias, McDonald´s, O Boticário, Rei do Mate, Spoleto e Yázigi. A idéia é que os indicadores sirvam de parâmetro para orientar as empresas a incluir o tema responsabilidade social no seu dia-a-dia.

Eu fico particularmente feliz com iniciativas como essa. O tema responsabilidade social é, com freqüência, indevidamente apropriado pelas áreas de marketing e está em segundo plano nas prioridades dos executivos. A criação dos indicadores por si só não muda essa realidade, claro, mas é um passo importante para começar a inserir o tema no planejamento estratégico das empresas. A responsabilidade social tem que estar presente na forma de lidar com os funcionários, com os parceiros e com a sociedade como um todo, não só com os clientes.

O lucro nas franquias

Recebi um email do leitor Marcos Almeida com uma dúvida sobre franquias. Ele está pesquisando redes, pois pretende ter seu próprio negócio, e se deparou com uma informação no nosso Guia de Franquias. Ali, pedimos para os candidatos perguntarem às redes sobre a existência ou não de um pró-labore nas projeções feitas em relação ao prazo de retorno/lucratividade. Isso porque muitas redes não levam em conta a remuneração do dono do negócio. O dono ficaria com o lucro.

Mas e se o franqueado precisa pagar suas contas e o arroz-feijão que põe no prato? Nesse caso, ele estará comendo o lucro, o que significa que não verá o tal retorno do investimento feito. Mas isso não inviabiliza o negócio? - questiona o leitor Marcos. E aí vai a resposta: Sim e não. Tem gente que acha que tudo bem viver assim, do lucro, sem jamais conseguir reaver o investido. É o que o mercado de franquias chama de “comprar uma vaga de trabalho”. E tem gente que, ao avaliar os números, considera o investimento ruim e desiste daquela franquia. Tudo depende do que se quer, das expectativas de cada um.

Indicadores, sim

Acabei de saber que a Associação Franquia Solidária (AFRAS), braço de responsabilidade social da Associação Brasileira de Franchising (ABF), deve firmar uma parceria com o Instituto Ethos para elaborar indicadores específicos para o setor. O objetivo é desenvolver uma metodologia customizada que permita avaliar o estágio em que as redes se encontram em relação ao tema. A expectativa é que o questionário esteja pronto em outubro e que após seis meses já haja um diagnóstico das empresas que aderirem à idéia — franqueadores e franqueados participarão do levantamento. Criada em 2005, a AFRAS reúne atualmente cerca de 50 redes, como O Boticário, McDonald’s, Yázigi Internexus, Rei do Mate, China House e Flytour.
A iniciativa da AFRAS mostra o amadurecendo da sua visão sobre responsabilidade social e o seu empenho em levar o assunto para além dos projetos que desenvolve junto à comunidade. Ela visa incluir o tema no dia-a-dia da gestão das empresas e fazer com que ele esteja presente na elaboração das suas ações estratégicas. No momento atual, quando tanto se fala em sustentabilidade e responsabilidade social (inclusive muitas bobagens), acho sempre saudável a adoção de indicadores. A meu ver, é uma demonstração de que existe a intenção real de tratar o assunto com a seriedade que ele requer, não como pura ação de marketing. Os indicadores são uma ferramenta para auxiliar as empresas a trilharem esse novo caminho, onde a maioria, independentemente do porte, ainda patina.

Na contramão

A Associação Brasileira de Franchising (ABF) em parceria com o Sebrae, serviço de apoio às micro e pequenas empresas, realizará a partir de junho um trabalho bem diferente. Escolherá entre as integrantes de incubadoras dirigidas pelo Sebrae duas empresas com perfil para expandir seus negócios sob o sistema de franchising. A ABF fará não só a formatação da nova franquia, como a lançará no mercado. A iniciativa segue na contramão do mercado, já que a maioria das empresas pensa não uma, mas dezenas de vezes, quais as chances que teria se enveredasse pelo universo da franquia. Os escolhidos têm mais é que comemorar, pois já dão o primeiro passo com muito mais segurança.