Papo de Empreendedor

Papo de Empreendedor

Arquivos da categoria ‘Inovação’


Estratégia de mkt coloca um site de peixes na crista da onda

 

Você sempre ouviu dizer que peixe fresco é a muuuito melhor do que peixe congelado, né? Pois o empreendedor inglês Alistair Blair tem remado contra a maré. Amante da cozinha do mar, ex-executivo do mercado financeiro, ele se dizia decepcionado com a falta de bons peixes no mercado quando decidiu abrir sua empresa online, a The Fish Society, no Reino Unido.

 

Pelo site, pode-se comprar patas de caranguejo, salmão orgânico, salmão pescado em rios (dizem que é mais magro do que aquele de criadoro) e uma infinidade de peixes e crustáceos difíceis mesmo de serem encontrados. Por incrível que pareça, o lema de Blair “melhor congelado do que fresco” tem feito sucesso.

 

Ele alega que, para garantir a qualidade, os produtos devem ser congelados rapidamente. Mas a maioria das pessoas que compra peixe fresco, congela o bicho no freezer, em casa. Um freezer doméstico leva, segundo Blair, de 10 a 20 vezes mais tempo para congelar do que o processo industrial que ele usa. Então… melhor congelado do que fresco! Além disso, diz ele, peixe fresco deteriora rapidamente, portanto… Fisher Society na cabeça! 

 

Nada como uma estratégia de marketing diferente e bem traçada para colocar uma empresa de vento em popa rumo ao sucesso. A Fish Society foi escolhida como “Brand of Tomorrow” de 2008 pela The Walpol, organização que promove negócios de luxo no Reino Unido.

 

Da cadeira de rodas ao prêmio Empreendedor do Ano nos EUA

Eis a história: Alison Schuback estava parada no sinal vermelho, em Dallas, quando um carro em alta velocidade provoca um acidente que a leva ao hospital. Alison, uma bela garota de 23 anos, que gostava de dançar e estava prestes a tirar o diploma universitário, acorda do coma com graves danos cerebrais e uma paralisia que a prenderá a uma cadeira de rodas para o resto da vida. Meses e meses de fisioterapia, contas médicas na estratosfera, a levam a querer ganhar dinheiro. Como não estava disposta a viver de caridade, Alison trata de empreender. E que tal criar o Invisibib, um babador transparente para adultos, com um bolso para pegar migalhas?  

Alison diz ter ido muitas vezes com a família a restaurantes e era sempre embaraçoso. No início, ela precisava ser alimentada por alguém. Depois, conforme foi recuperando alguns movimentos, conseguia erguer a colher, mas os tremores a faziam derrubar a comida, manchando as roupas. “Era constrangedor”, dizia ela.

Protótipos e testes foram feitos até que o Invisibib ganhou as ruas. Alison começou a vender por telefone e internet, quase faliu por falta de capital, arranjou um sócio e no final deu a volta por cima. Assim resumido, parece ter sido fácil, mas a verdade é bem diferente. Alison teve que reaprender a falar, a engolir e mesmo hoje não consegue pegar um lápis e escrever num papel. Seu dia era consumido por 5 horas de terapia e sobrava pouco tempo para os negócios. Ainda assim, foi em frente com a empresa. Hoje, emprega 75 vítimas de traumatismo craniano, seja por atropelamento, por bala perdida ou acidente de carro.

Alison acaba de ganhar o prêmio de Empreendedor do Ano nos Estados Unidos. Sua história foi contada pelo editor Leigh Buchanan em reportagem na revista de empreendedorismo americana Inc (cujo texto de capa é igualmente interessante, sobre um dispositivo que permite movimentar, ligar ou desligar objetos eletrônicos apenas com o pensamento). Ali você poderá conhecer detalhes da trajetória de Alison. Vale a pena. Uma lição de vida.

Você conhece o FrankenPhone?

 

Comecei a fazer uma reportagem sobre smartphones - aqueles aparelinhos que você pode mandar e-mail, escrever um relatório, achar uma rota alternativa de trânsito e até telefonar (!!!!) - e me deparei com uma infinidade de modelos, tamanhos e preços desses equipamentos. Mas, depois de páginas e páginas da internet, acabei encontrando o que pode ser considerado modelo ideal. A PC World americana, uma das revistas especializadas em tecnologia, reuniu os melhores recursos disponíveis no mais modernos smartphones do mercado e criou o FrankPhone. Coube a empresa Brian Christie Design criar o telefone Frankenstein.

E como seria esse smartphone? Segundo a PC World, ele teria a interface multitouch do iPhone, o trackball (uma espécie de joystick que permite fazer as funções de forma mais rápida) que existe nos modelos da BlackBerry e ainda o teclado slide semelhante ao existente no HTC G1. Além disso, teria o sistema operacional da Apple combinado à abertura oferecida pelo Android do Google e utilizar qualquer software terceirizado. O resultado seria uma aplicação matadora que utiliza a câmera como scanner da retina para substituir senhas. Outro destaque do smartphone perfeito seria o armazenamento de 16 Gigabytes, presentes no iPhone 3G mas que também aceitasse cartões de memória como os novos BlackBerry. No quesito mobilidade, o FrankenPhone traria o serviço de navegação da AT&T (provido pela TeleNav), que oferece informações sobre tráfego, modo pedestre, serviço de voz e indicativos de direção. E ainda com imagens realistas do Google Maps. Eu ainda acrescentaria a opção de fazer ligações via VoIP, usando a tecnologia 3G, música como iPod e jogos bacanas para que os empreendedores e executivos pudessem se distrair entre uma reunião e outra ou durante o trânsito. Quais acessórios e serviços que você gostaria de encontrar no smartphone perfeito?

Coca-cola evangélica

 

Em dezembro, deve chegar ao mercado o refrigerante Leão de Judá Cola, referência a um dos nomes bíblicos de Jesus Cristo. Trata-se de uma bebida destinada principalmente aos consumidores de produtos evangélicos. A embalagem da bebida, assim com toda a campanha de marketing e de vendas, é repleta de salmos, alguns deles “traduzidos” para o mundo dos negócios quando se trata, por exemplo, da convocação de parceiros comerciais para distribuir o produto pelo Brasil afora. O primeiro lote da “Coca-cola evangélica” terá 12 milhões de litros. O produto tem tudo para fazer sucesso. Ainda mais nesse período, em que a tão temida crise financeira mundial exigirá que as pessoas encontrem um refresco celestial que as ajude a engolir coisas amargas como alta de juros, redução de crédito e outros problemas típicos do mundo material.

A força da classe C

 

Muito se falou (e ainda se fala) sobre o aumento do poder de consumo da classe C, mesmo em tempos de economia instável. Há quem diga - eu também me encontro nesse grupo -, que para crescer no varejo é preciso conquistar esse público não só pelo bolso, mas principalmente pelo coração. E para isso não basta ler sobre os hábitos e comportamentos desse público, é preciso ir onde a chamada nova classe média está. É exatamente isso que está fazendo a Coca-Cola. Desde o início deste mês, uma Kombi percorre bairros populares do Recife vendendo Coca-Cola. Por R$ 1,89, o cliente recebe um litro de refrigerante mais o vasilhame. Depois, quando quiser comprar mais, o consumidor leva a garrafa de vidro e paga R$ 1,39 para recebê-la cheia. A idéia é que a Kombi circulasse pela periferia do Recife por quatro horas. Para surpresa de todos, desde o primeiro dia a carga se esgota em duas horas, o que comprova de que falar com esse público vale mais do que a pena. Se até a Coca-Cola está prestes a investir pesado em uma nova estratégia de distribuição, por que não pensar no assunto?

 

Idéias infantis e brinquinhos de nariz

Já vi bijuteria feita de tudo: osso de animal, dente de gente,  jornal, garrafa pet, pena de pássaro, pneu velho, anel de latinha, côco, tecido, retalho de couro, porcelana, pedaço de Barbie…pedaço de Barbie? Sim, acreditem, uma designer de jóias mutilou a famosa boneca e fez brincos da sua boca, colares do seu braço, pulseiras dos seus seios e até mesmo decapitou o Ken para fazer os tais adornos femininos.

A assassina plástica, ops…artista plástica, Margaux Lange, afirma que a Barbie estimulou sua imaginação e criatividade desde a infância, além de lhe dar o gosto por bijuterias. A boneca teve praticamente o mesmo efeito na minha vida: passei a infância vestindo-a de roupas que eu mesma fazia com os retalhos que roubava da minha avó, decorando sua casa que eu tanto esperei ganhar no natal  e cortando seus cabelos até ficarem no toco. Estou a caminho de me tornar jornalista por isso. Não me tornei estilista, costureira, decoradora ou cabeleireira graças ao fiasco com a Helen, como eu chamava minha Barbie preferida, ela sempre estava mal vestida, com a casa horrível e o cabelo estranho.

Prestar atenção nas nossas idéias infantis pode nos render na vida adulta. Margaux chega a cobrar 150 por brincos de mãozinha e eu, com meu “enorme talento” estético, certamente vou me dar melhor escrevendo. Talvez lembrar da sua época de criança seja uma boa ferramenta para empreender.

Passageiro Inflável

Quem assistiu ao filme Náufrago, com Tom Hanks, deve se lembrar do Wilson, a bola que se transformava no companheiro imaginário do personagem que vivia na ilha deserta. Não por coincidência, este é também o nome do boneco inflável que tem circulado no banco do passageiro de alguns carros em grandes cidades como São Paulo. A intenção dos motoristas solitários é usar o boneco corpulento, narigudo, de bigode e de óculos escuros para intimidar os assaltantes no trânsito. O idealizador do Wilson é o empresário Juca Amaral, dono de uma fábrica de bonecos infláveis usados em postos de combustíveis. Ele teve a idéia de criar o passageiro inflável há dois anos, quando viu estatísticas da polícia informando que a presença de um acompanhante no carro reduz em até 90% as chances de assalto. O boneco custa R$ 350. O preço inclui uma sacola de transporte, um plugue e um motor de 12 volts para enchê-lo – pode ser ligado no acendedor de cigarros do automóvel. Por enquanto, Amaral vendeu 70 bonecos Wilson, mas a expectativa é que as vendas aumentem significativamente a partir do ano que vem. Ele acaba de fechar contrato com as Lojas Americanas, que comercializará o passageiro inflável.

Ao gosto do freguês

Criatividade é (ou deveria ser) a alma de todo bom negócio. Com ela, é possível reinventar produtos e serviços tradicionais e criar novos mercados. Foi o que fez a alemã MyMuesli, que abriu suas portas virtuais em maio de 2007, para que a clientela monte a sua própria granola. São mais de 70 ingredientes diferentes, como castanhas, cereais, frutas frescas e desidratadas (tudo orgânico) para enriquecer qualquer café da manhã. Mistura escolhida, o cliente ainda pode dar um nome à criação, o que facilitará sua vida nas próximas compras.

A idéia fez tanto sucesso que, além de expandir as operações para o Reino Unido e a Suíça, a empresa inspirou a criação da [Me]&Goji, nos Estados Unidos. Desde setembro, os americanos têm mais de 40 ingredientes naturais e orgânicos à disposição para montar pacotes customizados de granola. A iniciativa é boa e pode servir de ponto de partida para outras inovações. Pousadas poderiam anotar as preferências dos hóspedes no momento da reserva e oferecer cafés da manhã sob medida, por exemplo.

Crise de identidade na ponte Rio-SP (e o que não fazer em mkt)

Se você tomou o avião da ponte aérea Rio-São Paulo ultimamente deve ter notado uma certa confusão em torno da identidade visual da Gol e da Varig. O uniforme laranja das comissárias de bordo é da Gol, mas o lenço azul no pescoço é da Varig cada qual com seu logotipo.

No avião Gol, a barrinha de cereais foi aposentada: quem viaja na ponte pela  manhã, ganha caixinha com pão quentinho e manteiga, queijo e presunto. No horário do jantar, pelo menos do vôo que eu peguei, o cardápio incluía um cozido de carne seca com batatas. Caixinhas, guardanapos e copos, por sinal, com logotipo Varig.

Fiquei pensando: por que estão misturando dois logotipos, duas identidades visuais tão fortes? Por que criar essa confusão em vez de adotar um nome só, um único logo? Qual a estratégia? Nenhum papa do marketing recomendaria essa ação, pois ela passa idéias das mais variadas, menos a de uma compra de empresa bem sucedida. A mim, enquanto olhava a caixinha e talheres Varig só me ocorreu um pensamento: devem estar queimando estoque.

Há um ano, o logotipo da Varig foi mexido e a estrela azul ganhou a cor laranja da controladora Gol. Até aí, nada demais, os nomes das duas empresas continuavam sendo usados de forma separada. Mas qual a lógica de usar hora um hora outro, misturados? Enquanto eu quebrava a cabeça tentando entender, eis que um informante me dá o serviço: a empresa vai operar a ponte aérea Rio-SP sob o nome Varig. E o restante do país sob o nome Gol. O momento atual é de transição. Ah! Então tá explicado! A crise de identidade é apenas temporária! E ninguém está reinventando os manuais e bíblias de marketing! 

Além da pipoca

Aproveitando o movimento da 32ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, alguns bares e restaurantes estão oferecendo descontos ou drinks grátis para quem apresentar o ingresso ou a credencial do evento.

A idéia é muito boa porque, sem gastos maiores com divulgação de uma promoção ou festival, esses estabelecimentos estão usufruindo da pré-disposição de sair de casa e gastar com lazer que o público da mostra tem. Afinal, quem não gosta de trocar opiniões sobre um bom filme entre bebericadas e petiscos?