Papo de Empreendedor

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Arquivos da categoria ‘Oportunidades’


Aos desenvolvedores, os sapatos

 

Tem algumas pessoas que acham oportunidades em momentos peculiares. Os desenvolvedores de games, por exemplo, tiveram uma semana bem agitada. Tudo para criar jogos em que era possível acertar um sapato em George W. Bush. Inspirado pelo ataque ao presidente dos Estados Unidos pelo jornalista iraquiano Muntazer al-Zaidi. E foram rápidos, para não perder tempo e nem a piada, que colocaram os jogos logo no dia seguinte. Também apareceram animações, como uma no estilo “Matrix”, em que Bush se movimenta como o personagem Neo para escapar de sapatos. No blog da revista “Wired”, há uma lista de animações e jogos gratuitos que simulam o ataque do jornalista. Há, por exemplo, um vídeo que o jornalista dá lugar a personagens de “Os Três Patetas”, cheio de tortas.
No site Sockandawe.com, o internauta tem 30 segundos para acertar Bush com sapatos o maior número de vezes possível – mesma meta de Bush Shoe Throw. Já Bush´s Boot Camp é um pouco mais agressivo: nele, também é possível atirar no presidente, enquanto ele recebe sapatadas. Mas, mesmo assim, se bater uma crise de consciência dá para o estado de saúde de mr. Presidente na barra no topo da tela. Alguns desses jogos tiveram mais de 20 milhões de usuários. De fato, eles aproveitaram muito bem o momento.

Crise? Que crise?

 

 Tem gente que enxerga oportunidade em qualquer período. Em meio a turbulência econômica mundial, Gary Cige, 28 anos, criou o site Zilok destinado às pessoas que querem alugar seus itens pessoais para conseguir um dinheirinho extra em caixa. Aí vale tudo: aquela bolsa Prada, a câmara fotográfica ou até mesmo o par de patins que você já acumulou poeira em seu armário.

 Um membro do site que reside em Paris alugou suas lentes para câmara fotográfica algumas vezes e ganhou cerca de 800 euros (R$ 2.700) em nove meses. Outro membro conseguiu em torno de 600 euros (R$ 2.000) em quatro meses ao alugar câmara, patins e videogame. Cige diz que o site fica com cerca de 5% dos negócios e ele afirma ter crescido cerca de 25% ao mês. E espera aumentar ainda mais com a tão famosa-e-assustadora crise.

Eu fiquei pensando que os sites de aluguel de equipamentos, bolsas e até automóveis são uma boa alternativa para quem têm dificuldades de fazer com que as contas fechem no fim do mês. E pode ser uma boa opção para os empreendedores. Será que essa moda pega no Brasil?

 

Coca-cola evangélica

 

Em dezembro, deve chegar ao mercado o refrigerante Leão de Judá Cola, referência a um dos nomes bíblicos de Jesus Cristo. Trata-se de uma bebida destinada principalmente aos consumidores de produtos evangélicos. A embalagem da bebida, assim com toda a campanha de marketing e de vendas, é repleta de salmos, alguns deles “traduzidos” para o mundo dos negócios quando se trata, por exemplo, da convocação de parceiros comerciais para distribuir o produto pelo Brasil afora. O primeiro lote da “Coca-cola evangélica” terá 12 milhões de litros. O produto tem tudo para fazer sucesso. Ainda mais nesse período, em que a tão temida crise financeira mundial exigirá que as pessoas encontrem um refresco celestial que as ajude a engolir coisas amargas como alta de juros, redução de crédito e outros problemas típicos do mundo material.

Passageiro Inflável

Quem assistiu ao filme Náufrago, com Tom Hanks, deve se lembrar do Wilson, a bola que se transformava no companheiro imaginário do personagem que vivia na ilha deserta. Não por coincidência, este é também o nome do boneco inflável que tem circulado no banco do passageiro de alguns carros em grandes cidades como São Paulo. A intenção dos motoristas solitários é usar o boneco corpulento, narigudo, de bigode e de óculos escuros para intimidar os assaltantes no trânsito. O idealizador do Wilson é o empresário Juca Amaral, dono de uma fábrica de bonecos infláveis usados em postos de combustíveis. Ele teve a idéia de criar o passageiro inflável há dois anos, quando viu estatísticas da polícia informando que a presença de um acompanhante no carro reduz em até 90% as chances de assalto. O boneco custa R$ 350. O preço inclui uma sacola de transporte, um plugue e um motor de 12 volts para enchê-lo – pode ser ligado no acendedor de cigarros do automóvel. Por enquanto, Amaral vendeu 70 bonecos Wilson, mas a expectativa é que as vendas aumentem significativamente a partir do ano que vem. Ele acaba de fechar contrato com as Lojas Americanas, que comercializará o passageiro inflável.

Ao gosto do freguês

Criatividade é (ou deveria ser) a alma de todo bom negócio. Com ela, é possível reinventar produtos e serviços tradicionais e criar novos mercados. Foi o que fez a alemã MyMuesli, que abriu suas portas virtuais em maio de 2007, para que a clientela monte a sua própria granola. São mais de 70 ingredientes diferentes, como castanhas, cereais, frutas frescas e desidratadas (tudo orgânico) para enriquecer qualquer café da manhã. Mistura escolhida, o cliente ainda pode dar um nome à criação, o que facilitará sua vida nas próximas compras.

A idéia fez tanto sucesso que, além de expandir as operações para o Reino Unido e a Suíça, a empresa inspirou a criação da [Me]&Goji, nos Estados Unidos. Desde setembro, os americanos têm mais de 40 ingredientes naturais e orgânicos à disposição para montar pacotes customizados de granola. A iniciativa é boa e pode servir de ponto de partida para outras inovações. Pousadas poderiam anotar as preferências dos hóspedes no momento da reserva e oferecer cafés da manhã sob medida, por exemplo.

Massagens com cobras

 

 

 Depois e um dia estressante, você chega em um spa e deita-se na maca para receber massagens. Só que, em vez de usar as mãos, o massagista espalha cobras vivas sobre as suas costas. Pois saiba que isso já ocorre em um spa criado no norte de Israel. A dona do local, Ada Barak, garante que, passados os primeiros minutos de estranhamento, os freqüentadores se acostumam com o passeio dos “bichinhos” sobre as costas. E saem da maca livres de males como dores nas costas e enxaqueca. Uma sessão com seis cobras custa 300 shekels (equivalente a R$ 140). Dona de uma fazenda onde cultiva plantas carnívoras (alimentadas por cobras), Ada conta que muitas pessoas que visitavam o local se sentiam mais aliviadas quando tocavam as cobras. A partir daí, ela teve a idéia de criar o spa, onde só usa cobras não venenosas importadas dos estados americanos da Flórida e Califórnia. Como o mercado do bem-estar tem sempre uma novidade – e o Brasil é um terreno fértil no ramo –, quem sabe esta seja uma tendência que ainda vai ganhar espaço por aqui. Você acha que um negócio assim seria promissor?

Quem são e o que querem os jovens Millennials ou Geração Y

A juventude de hoje tem comportamento bem diferente das gerações anteriores. Nada de rebeldismo regado a muitas drogas e álcool. Nada de sonhos impossíveis e utopias irrealizáveis. Esses jovens são conhecidos como Millennials ou Geração Y e nasceram entre os anos 80 e 2000 (o nome Millennials foi talhado pelos estudiosos Neil Howe e William Strauss, no livro Millennial Rising). Eles são filhos da revolução feminista e da revolução sexual, cresceram numa época de liberdade e de muita informação. Se sua empresa tem produtos voltados para essa faixa etária, veja como essa moçada se comporta, segundo estudos do portal WGSN (só para assinantes):

  • É uma geração mais careta: ser nerd passou a ser legal
  • É uma geração que tem foco na saúde e na vaidade: menos drogas, menos bebida, mais beleza e sexo responsável
  • Usam marcas como uma forma de compor sua identidade; a customização dá a sensação de pertencer a um grupo e se destacar dentro dele
  • É uma geração obcecada por tendências de moda e como há grande rapidez na informação, as coisas perdem e ganham relevância muito rapidamente
  • Barreiras geográficas, diferenças etárias ou sócioeconômicas perderam importância: a cultura e os interesses comuns os aproxima e os aglutina.
  • As ”tribos” se formam por afinidade e identificação cultural, não importa que cada um esteja num canto do planeta.
  • Muitos Millennials vivem com seus pais: o conflito entre gerações é menor
  • Compartilham suas vidas pessoais na internet e não têm preocupação com o que é privado
  • Segundo pesquisas, 61% dos jovens americanos não expressa interesse pelo mundo adulto. Portanto, as marcas voltadas para eles devem celebrar a juventude, pois é isso o que importa para eles

Se você pensa em contratá-los, veja o que o espera:

  • Os jovens de hoje são mais estressados, pois sofrem maior pressão da família para ter sucesso
  • No trabalho, o dinheiro não é o principal motivador: flexibilidade de horário e a liberdade de usar roupas casuais no trabalho pesam tanto quanto
  • São inseguros em relação ao futuro: eles sabem que fazer uma faculdade ou conseguir um emprego não é garantia de estabilidade nem de sucesso
  • São descrentes de regras pré-estabelecidas, por isso costumam ser mais empreendedores do que os jovens do passado
  • São narcisistas e acham que sabem tudo
  • Não ficam idealizando o futuro. Eles vêem o que pode ser feito, de fato, para mudar o mundo e se mobilizam, via internet.

O que te parece? O mundo estará em melhores mãos?

Google vai premiar grandes idéias

Os professores pardais que sonham com um mundo melhor têm uma bela oportunidade para mostrar seus projetos. E, quem sabe, ainda podem se tornar ricos e famosos. O Google lançou o projeto 10^100 (lê-se dez elevado a 100), que distribuirá o total de US$ 10 milhões (cerca de R$ 19 milhões) entre as cinco melhores idéias vindas de qualquer parte do mundo e que possam beneficiar tantas pessoas quantas for possível. O prêmio foi lançado para comemorar o aniversário de dez anos do Google. As inscrições vão até o dia 20 de outubro e o formulário que deve ser preenchido, assim como as informações detalhadas e as condições impostas aos participantes estão no site do prêmio. A escolha das melhores idéias começará em janeiro de 2009. Primeiramente, os internautas elegerão os projetos mais interessantes. Os mais votados serão submetidos a uma comissão julgadora que avaliará as idéias dentro das categorias Comunidade, Oportunidade, Energia, Meio Ambiente, Saúde, Educação, Moradia. A escolha dos vencedores levará em conta critérios como alcance da idéia, impacto que ela poderá provocar, tempo necessário para a sua implementação e relação custo-benefício para concretizá-la. Já imaginou quanta coisa interessante e até curiosa deve surgir por esse mundo afora?

Alimentos (e lucros) locais

Ganhei de presente de uma amiga jornalista da Globo Rural o inspirador livro O mundo é o que você come (Editora Nova Fronteira). Trata-se da história de uma família norte-americana que deixa a cidade de Tucson, no Arizona, para viver durante um ano inteiro em uma fazenda na costa leste dos Estados Unidos, alimentando-se somente do que eles próprios poderiam produzir ou comprar de fazendeiros locais.

Pois bem, Barbara Kingsolver (a autora) garante que qualquer pessoa com força de vontade pode – mesmo nas cidades – escolher fontes locais para comprar seus alimentos. Além de ficar mais saudável, quem aceitar o desafio estaria também estimulando a economia das pequenas empresas e economizando muitos barris de petróleo, utilizado largamente no transporte de comida pelo mundo.

Simpatizante da idéia, mas ainda um tanto cética quanto ao seu funcionamento nas cidades, vasculhei a internet em busca de indícios de que a prática é mesmo viável. Não apenas tive a confirmação de que os alimentos locais são mesmo uma tendência mundo afora, como descobri iniciativas empreendedoras realmente inovadoras!

No estado norte-americano do Oregon, a pequena Your Backyard Farmer planta e cuida de hortas orgânicas nos quintais de casas genuinamente urbanas desde 2006. Pela lida nas mini-roças nos fundos das residências e seus resultados (verduras e legumes frescos e sem agrotóxico semanalmente), as duas sócias da empresa cobram a partir de US$ 40 por semana!

Do outro lado do mundo, a australiana Rentachook foi ainda mais inovadora. Ela fabrica e vende uma variedade de pequenos galinheiros ecológicos, além de oferecer as galinhas, claro. Mas como nem todos têm um gosto nato pela criação destas aves, a Rentachook facilitou a vida de seus clientes urbanóides: é possível alugar o galinheiro por um período de até seis semanas, para testar a sua aptidão como criador. Se você gostar de ter os bichinhos ciscando no seu quintal e ovos orgânicos frescos diariamente, os 360 dólares australianos pagos pela estrutura com duas galinhas ficam com a empresa. Se você decidir que os ovos do supermercado estão de bom tamanho, a empresa aceita o produto de volta e te devolve 260 dólares australianos.

Em um mundo com consumidores cada vez mais preocupados com a sustentabilidade do que põem no prato, as iniciativas da Your Backyard Farmer e da Rentachook provam que as oportunidades estão por todos os lados! Que tipos de negócios a cultura da comida local poderia alavancar no Brasil? Alguma idéia?

O mercado da morte

Funeral Home: serviços de luxo em região nobre

Funeral Home: serviços de luxo em região nobre

Ninguém gosta de falar na morte. Ou quase ninguém. Há quem goste de viver falando no assunto e ainda consiga encontrar belas oportunidades nesse universo. É o caso da empresária Milena Romano, que garante ter investido R$ 3,5 milhões para criar em São Paulo a primeira casa especializada em funerais de luxo. Batizado de Funeral Home, o negócio funciona num casarão tombado em região nobre paulistana. Possui lounges com TV de plasma para que a família possa exibir filmes em homenagem ao falecido e oferece serviços de bufê, manobristas, música ao vivo, além de bem-velados (doces tipo bem-casados para estas ocasiões). Os pacotes de serviços variam de R$ 4.000 a R$ 40.000, segundo o site http://ww2.funerarianet.com.br/. Exagero? Nada disso. O mercado da morte está, digamos, aquecido. A Funexpo, a feira anual do setor funerário, recebeu na edição 2007, realizada no Guarujá, lirotal paulista, mais de 5.000 visitantes. Teve até banda de axé nos estandes e concorridíssimos sorteios de caixões.