A mente empreendedora de George Lucas

Ao se falar de empreendedorismo, não convém esquecer de alguém que é responsável pela criação de uma das sagas mais amadas do cinema do século 20, e além. Conhecido mundialmente pela criação da space opera Star Wars, George Lucas mostrou-se, ao longo de sua carreira, uma mente realmente empreendedora, responsável pela fundação de várias empresas e de uma rede gigantesca de produtos. Suas iniciativas estão entre as mais lucrativas do mundo.
Eterno fã de aventuras, George Lucas nasceu em Modesto, na Califórnia, e na realidade desejava se tornar um piloto de corridas, pois amava a velocidade. Um acidente quase fatal, entretanto, o desviou deste caminho, e ele foi estudar cinema e direção na Universidade da Califórnia do Sul na década de 60, uma das primeiras a ter um setor destinado ao estudo da área. Lá ele conheceu alguns dos maiores apoiadores de sua carreira, colaboradores e amigos de longa data, Francis Ford Coppola e Steven Spielberg.
Após sua formação, Coppola e Lucas fundaram em conjunto o estúdio American Zootrope. Eles queriam sair do trajeto de Hollywood e produzir filmes independentes, mas não deu muito certo. A produtora chegou a produzir dois filmes de Lucas: “THX 1138″, um longa baseado no curta de mesmo nome que George Lucas fez durante a graduação, e “American Graffiti“. Apesar do sucesso de American Graffiti, uma comédia baseada na região da infância de Lucas, o estúdio não conseguiu se recuperar e fechou as portas. O diretor chegou a propor uma adaptação da ficção Flash Gordon, mas os direitos de filmagem, pertencentes ao produtor Dino di Laurentis, estavam indisponíveis.
Foi então que ele começou a escrever a sua própria saga, situada no espaço. Baseou-se muito nos escritos do teórico Joseph Campbell, um mitólogo que ficou famoso por escrever sobre a jornada do herói, identificando elementos comuns entre os protagonistas das lendas e mitos. Inicialmente, a ideia era fazer um seriado de aventura para os sábados à tarde, contudo, o projeto foi aumentando de proporção e Lucas vislumbrou a possibilidade de fazer, daquilo, um filme.

Para conseguir fazer Star Wars, George Lucas contou com a colaboração do produtor Alan Ladd Jr., da Fox Studios, que havia gostado de American Graffiti e achava Lucas talentoso. Mesmo assim, fazer o filme não foi fácil. As filmagens atrasaram e poucos acreditavam que o projeto daria certo. Para fazer os complicados - para a época - efeitos especiais, Lucas contou com o trabalho de muitos estudantes de cinema dos anos 70. Em 76, ano anterior ao lançamento, o diretor lançou um livro com a versão novelizada do roteiro do filme. Chamava-se Star Wars: From the Adventures of Luke Skywalker, escrito por Alan Dean Foster, porém creditado a George Lucas. O livro vendeu bem, esgotando os 125 mil exemplares produzidos. O filme estreou no dia 25 de maio de 1977 no Teatro Chinês, em Los Angeles, e foi um sucesso repentino. A Fox chegou a oferecer um aumento no salário de George Lucas. E aí que entra sua mente empresarial: ele recusou o aumento, em troca dos direitos sobre o marketing e de fazer as continuações do longa-metragem. A Fox, incerta do destino do filme, aceitou.
Star Wars chegou a arrecadar US$ 300 milhões em bilheteria (cerca de R$ 525 milhões). Para se ter uma ideia, um filme bem-sucedido na época, como Planeta dos Macacos, arrecadara cerca de US$ 30 milhões (R$ 52 milhões). O boom foi tão grande que imediatamente iniciou-se a venda de muitos bonecos e produtos relacionados. No final do ano de estreia, os bonecos esgotaram para o Natal, e Lucas aproveitou o recém-criado conceito de pré-venda. Eram vendidas caixas dos bonecos vazias, salvo por um “vale-boneco” que poderia ser trocado na loja em março, quando novas remessas chegariam ao mercado. Já com mais dinheiro e reputação, ele filmou as continuações de Star Wars, rebatizado de Star Wars: Uma Nova Esperança, e lançou Star Wars: O Império contra-ataca em 1980 e Star Wars: O Retorno de Jedi, em 1983.

George Lucas aproveitou o dinheiro que ganhou com American Graffiti e, principalmente, Star Wars, e fundou a sua própria produtora, a Lucasfilm. Ele juntou os responsáveis pelos efeitos sonoros e especiais em seu longa-metragem e oficializou a “Skywalker Sound” e a “Industrial Light and Magic - ILM“, referências em seus campos de som e efeitos especiais. Com o sucesso dos filmes, muitos jogos eletrônicos começaram a ser lançados pelo mundo, licenciados pela Lucasfilm Games, mais tarde rebatizada de LucasArts, fundada em 1982.
Além de bonecos e produtos de consumo, Star Wars gerou uma legião de jogos e livros que narram contos paralelos, anteriores ou posteriores aos filmes. Conhecido como Universo Expandido, George Lucas englobou estas histórias, inicialmente apenas contos feitos por fãs, e fundou um setor de sua empresa chamado Lucas Licensing para cuidar apenas do licenciamento dos produtos relacionados às propriedades da Lucasfilm, que também incluem Indiana Jones, por exemplo.
Os anos de 1999, 2002 e 2005 viram o lançamentos dos novos capítulos da saga Star Wars e, mesmo não sendo tão bem recebida entre muitos fãs mais velhos em termos críticos, a nova trilogia angariou uma nova hoste de fanáticos ao redor do globo, e catapultou mais uma vez as vendas e produção de tudo relacionado ao universo Star Wars. Atualmente, George Lucas conta com uma fortuna pessoal que ultrapassa os US$ 3 bilhões (mais de R$ 5 bilhões), e um verdadeiro império dos sonhos e fantasias que povoam a imaginação e as estantes de uma legião gigantesca de fãs. A Lucasfilm, da qual Lucas é proprietário único, chega a faturar mais de US$ 1 bilhão por ano. Frutos de uma cabeça que sabe muito bem vender o seu produto.














December 16th, 2009 at 11:26 am
Nossa, que história.
genial.
ótimo post.
abraços
December 16th, 2009 at 12:44 pm
Muito bom o texto. Seria interessante apontar que o Universo Expandido também já rende tanta discussão quanto os filmes, supervisionado pelas Lucas Licensing desde o início (hoje sob a tutela de Leland Chee na supervisão).
Após a Del Rey Books readquirir junto à LucasBooks/Lucas Licensing os direitos para a publicação dos livros de Star Wars no fim da década de 90, os editores optaram pelo lançamento estratégico da série The New Jedi Order, tendo no primeiro livro (Star Wars Vector Prime) a morte do wookie Chewbacca. Lançado quase que simultaneamente ao filme Star Wars - Episódio I, este livro acabou gerando mais discussão entre os fãs norte-americanos do que o próprio filme, mostrando o poderio do Universo Expandido na saga criada por George Lucas.
Victor Hugo
December 16th, 2009 at 9:21 pm
Excelente texto!!! bem coisa de nerd relacionar George Lucas com empreendedorismo… hehehehehehe
December 16th, 2009 at 9:29 pm
Apesar de estar crescendo, o mercado cinematografico brasileiro ainda é muito restrito. Pessoas com ideias tao inovadoras quanto a de George Lucas nao tem um decimo de apoio que ele teve nos anos 70.
Mas de qualquer maneira isso serve para mostrar que além de boas idéias é sempre bom pensar de forma abrangente !
Boa matéria. Não esperava encontrar algo assim por aqui !
December 16th, 2009 at 10:13 pm
Temos muitas lições a tirar:
1. Ele nao trabalhava sozinho, tinha e tem uma grande capacidade de fazer associações positivas com outras pessoas talentosas que o ajudaram nas pesquisas, na composição de seus personagens.
2. Ele teve a grande capacidade de “Ler o momento” enquanto o mundo se concentrava na corrida espacial, ele conseguiu filtrar isso e vender um produto ligado a idéia. No momento em que se falavam da conquista da lua, ele expandiu o universo, criou um mundo paralelo.
3. Capacidade de vender seus produtos vendendo sonhos e a capacidade de sonhar.
Parabéns pelo texto, parabens pela iniciativa.
luizsantos76@hotmail.com
December 17th, 2009 at 12:21 pm
Concordo, é interessante lembrar que durante as gravações do primeiro filme ele chegou a ser internado por um problema do coração. Por causa dos prazos, atrasos e todas as expectativas e incertezas dos investidores, pela criação de uma coisa nova, nunca vista antes. Imagina criar algo novo com uma tremenda incerteza de como o público iria receber isso. Para angariar fundos, só fazendo de graça e para lucrar, fazer o que ele fez……..Foi muito esperto.
Parabéns muito bom o texto.
December 17th, 2009 at 4:56 pm
George Lucas, além de aproveitar o momento certo e ter a idéia certa de um novo produto, aproveita bem para sempre alfinetar a sociedade na política, economia e demais sentimentos humanos.
Através dos diálogos nos filmes, ele consegue comentar de forma forte a atitude de politicos e da sociedade como um todo.
Pra mim, STAR WARS não é apenas filme, apenas ficção cientifica, é a pura genialidade de uma pessoa que consegue transpor o dia a dia em uma realidade paralela.
December 18th, 2009 at 8:34 am
Bom… se ele não é empreenderdor.. quem é?? o cara foi muito inteligente… pediu os direitos dosfilmes, da marca etc… ouvi dizer que o pai dele tinha uma fábrica de papel tb… e que Lucas nunca se interessou pela fábrica… sempre quiz fazer sua fortuna… rs
Parabens pelo texto…. excelente….
E parabens p/ George Lucas…. foi mto esperto e empreendedor…. e como dizem… o mundo é dos espertos…
Alguem viu meu sabre de luz por ae?
December 20th, 2009 at 9:41 am
exato!
George Lucas quando saiu de casa pra estudar cinema , disse ao pai que só retornaria rico.
December 21st, 2009 at 8:15 pm
Ótimo texto, Marcus Vinnie!
Dá até pra ‘esquecer’ o Jar Jar Binks, e a mãe do Anakin no Episódio 1.
January 13th, 2010 at 4:53 pm
George Lucas sem dúvidas foi um gênio quando criou a saga Star Wars! Ele praticamente criou o mercado de merchandising que temos hoje. Quando um filme faz sucesso eles lançam desenhos, revistas em quadrinhos, brinquedos, jogos, cereais, lancheiras, meias, etc. Não sei se ele foi pioneiro nisso mas foi ele quem ditou como a coisa funciona.
May the force be with you.
March 15th, 2010 at 2:20 pm
achei o texto muito bom mesmo, excelente e obrigado a ajudar no meu dever de casa!!