Finalistas do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios dão a receita para empreender: paixão e muita força de vontade
Uma padaria que mais parece um shopping no norte do Mato Grosso do Sul, uma confeitaria que nasceu na garagem de casa em Porto Alegre e uma ex-doméstica de Brasília que fez pós-graduação em gastronomia e pilota um bufê. Continuo impressionada com as histórias de vida das empreendedoras finalistas do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, que deu reconhecimento, no início de abril, a 22 mulheres do Brasil todo, reunidas em Brasília. Prometi em nota anterior que relataria mais algumas delas. Repare como estes negócios relacionados à alimentação cresceram ao longo dos anos graças a um fermento certo: paixão e muita força de vontade.
Padaria que mais parece um shopping
Aos 8 anos, Catia Softov já saia às ruas de Coxim (MS) para vender os sonhos produzidos por seu pai, que, em 1977, conseguiu abrir a própria padaria. Aos 18, ela teve que abandonar os estudos em Campo Grande para assumir a parte administrativa do negócio, pois seu pai havia sofrido um derrame. Com visão inovadora, queria trazer panificadores e confeiteiros da capital, mas enfrentou muita resistência dos irmãos e, após a morte do pai, viu a empresa fracassar. Nem por isso desistiu: alugou um espaço e usou o maquinário que restou da padaria para dar início ao negócio próprio. “Além de ser mulher, eu era muito jovem e sem dinheiro, por isso não tinha a credibilidade para realizar negociações com fornecedores, mas com persistência, determinação e responsabilidade fui à luta e consegui respeito e crédito no meio comercial, as vendas alavancaram e comecei a prosperar”, conta Catia, que logo pensou em oferecer um espaço mais confortável para os clientes - em Coxim a temperatura média é de 40oC! Começou comprando o terreno ao lado da padaria, correu atrás de tendências no ramo da panificação e em 2003 abriu uma padaria grande e moderna em uma cidade de 33 mil habitantes. Com 720 m2 e climatizada, a Panificadora Softov funciona de 5h às 22h e serve café da manhã, lanches, produtos de conveniência, tem adega e banca de revistas. Catia tem 25 funcionários, mas faz questão de ser a primeira a mexer e a ensinar a usar novos equipamentos. Já inscreveu vários produtos inovadores em concursos nacionais de culinária – sua torta de acerola tirou o segundo lugar entre mais de 6 mil receitas inscritas em um deles.
Uma confeitaria que nasceu na garagem de casa
Bem no sul do país, Dona Ignês Brochetto dos Santos começou sua confeitaria na própria casa, na zona norte de Porto Alegre, em 1972, para completar a renda da família, fazendo doces e salgados. Seus consumidores fiéis indicavam seus produtos no boca a boca, uma propaganda que deu muito certo. Hoje, aos 71 anos, ela conta com as três filhas – “todas formadas em faculdade”—, na Confeitaria Dona Ignês, que soma mais de 50 funcionários e serviu 126 mil pessoas em eventos em 2009. Além da linha de festas e doces finos, Dona Ignês tem uma linha de doces diet, conta com um engenheiro de alimentos e uma nutricionista para assessorá-la e se orgulha de ter alcançado um índice de satisfação de 98% dos clientes atendidos, apurado em pesquisa pós-venda. “Mantenho a motivação dos colaboradores e os incentivo a progredir oferecendo cursos, treinamentos e palestras”, relata a simpática vovó-empresária, que não perde de vista o crescimento do negócio, com planos de construir uma área para produção, uma loja nova na zona sul da cidade e não descarta a possibilidade de franquias.
Ex-doméstica de Brasília pilota um bufê
De família pobre com 11 filhos do interior de Minas Gerais, Rosilene Camargo de Rosa trabalha desde pequena. Ao chegar a casa, mesmo cansada, ainda ajudava a mãe no fogão de lenha, pois adorava cozinhar. Chegou a Brasília com 15 anos de idade para trabalhar como empregada doméstica, mas sem abandonar os estudos. Aos 16 foi trabalhar em banco, depois como secretária de um superintendente da empresa Encol. Ali, assumiu a tesouraria aos 18. Com a falência da Encol, em 1995, pegou o dinheiro da rescisão e abriu um bistrô, incentivada por todos que elogiavam sua comida. “Desenvolvi um cardápio valorizando produtos brasileiros, porém com técnicas e apresentação francesa”, conta Rosilene, que exemplifica. “Rabada desfiada servida em leito de polenta mole e pesto de agrião; e galinha caipira desfiada ao aroma de pequi e chips de quiabo. Foi um sucesso.” Seu público seleto e exigente pedia, cada vez mais, alimentos para servir em casa, por isso ela resolveu fechar o bistrô e abrir o Gran Buffet. Não sem antes investir em cursos e viagens ao exterior e se formar chef de cozinha internacional. Pesquisou todos os bufês de Brasília na época, levantando pontos fracos e fortes. “Desenvolvi meu plano de negócios procurando fazer diferente do que já existia no mercado, lançando novos produtos, texturas e sabores, investindo em mão de obra especializada e surpreendendo a todos com técnica e inovação”, conta Rosilene, que tem a empresa há oito anos e nunca precisou de mídia paga. Cada festa realizada lhe trazia mais três! Aos 38 anos, a empresária é convidada a dar palestrar, oficinas e cursos e sempre se emociona ao contar sua história. Recém-formada na pós-graduação em gastronomia e segurança alimentar da UnB (Universidade de Brasília), ela ainda tem um sonho: montar uma cozinha-escola para dividir com os iniciantes na área tudo o que aprendeu.
Rosilene levou o troféu prata da categoria micro e pequenas empresas no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios – ciclo 2009, já Dona Ignês e Catia ganharam o troféu bronze. Prova de reconhecimento e incentivo muito bem-vinda para essas batalhadoras, que já não precisam provar nada para ninguém!











May 11th, 2010 at 8:37 pm
é mt gratificante ler materias como esta isto me deixa mt feliz de ver como as mulheres estão ocupando seu espaço parabens