Produção às escondidas

Gosto muito do suplemento do New York Times que a Folha de S. Paulo publica semanalmente. As reportagens (em geral sobre economia, negócios, arte e inovação) trazem sempre novidades, além dos textos serem leves e bem escritos. Prato cheio para quem aprecia o bom jornalismo.
No caderno do dia 11 de maio, saiu uma matéria interessante sobre dois empreendedores paquistaneses que estão ganhando dinheiro com o mercado erótico.
Assim como a maioria dos países muçulmanos, o Paquistão é conhecido por seus costumes rígidos e conservadores. Bares são ilegais e, não raro, mulheres adúlteras são apedrejadas nas ruas. Em uma sociedade dominada pelos preceitos islâmicos, onde qualquer desrespeito aos valores familiares pode custar caro, os irmãos Adnan e Rizwan Qaader decidiram desafiar as leis e montaram uma fábrica de artigos para sex shops.
O empreendimento tem ido bem. A AQTH fatura em torno de US$ 1 milhão por ano e produz 2 mil produtos de fetiche e bondage (submissão física). Como o mercado interno para esse tipo de produto é praticamente inexistente, as mercadorias são exportadas para os Estados Unidos e Europa.
O mais curioso é que eles tocam o negócio às escondidas. As mulheres e a mãe dos proprietários não sabem com o que eles trabalham e as dezenas de funcionárias responsáveis por produzir os artigos feitos à mão (corpetes, chicotes e bolinhas de pompoarismo) não têm a menor idéia da finalidade dos objetos. Para não despertar suspeitas, a fábrica funciona em um porão. Se descobertos, é cadeia na certa.
Nem de longe a realidade dos empreendedores brasileiros se parece com a paquistanesa, mas a vontade de prosperar dos irmãos Qaader certamente serve de exemplo.










