Redes de empresas são alternativa para se manter competitivo no mercado
Manter-se competitivo no mercado não é um desafio apenas para as pequenas empresas. Diante do imperativo de inovar e do crescimento do número de concorrentes, mesmo as megacorporações penam para manter-se à frente na competição tecnológica e na busca de novas soluções. Devido às transformações nos mercados, as empresas, de um modo ou de outro, foram forçadas a mudar sua hierarquia e admitir modelos mais flexíveis, adotar parcerias e compartilhar seu conhecimento. É a solução para driblar as grandes exigências de capital e know-how necessárias para satisfazer o apetite de inovação dos consumidores.
Se companhias do porte da Embraer e da Votorantim integram outras empresas à sua linha de produção, as pequenas e as médias também podem se beneficiar com alianças de cooperação. “Para se manter vivo no mercado, muitas vezes é preciso dormir com o inimigo”, diz a professora da Fundação Dom Cabral Rosiléia Milagres, especialista em redes de empresas. Com parcerias, as empresas adquirem maior capacidade de pesquisa, trocam informações técnicas, ganham escala na logística e aumentam o poder de compra.
A necessidade de firmar parcerias não se restringe unicamente a ligar-se aos concorrentes. Pode ser também um entendimento maior entre os diversos elos de uma cadeia. As pequenas e as médias empresas têm mais flexibilidade nos processos e maior capacidade de inovação – uma ótima seara de novas soluções para as grandes empresas, que podem delegar as tarefas e, assim, reduzir custos e dedicar-se a suas atividades-fim. É uma bela oportunidade para os pequenos de acessar o repertório de conhecimento das grandes empresas, conquistar novos mercados e assinar contratos generosos.
Construir uma rede, porém, não significa apenas procurar empresas interessantes e sugerir uma parceria. É preciso haver transparência no compartilhamento do know-how e a certeza de que o conhecimento produzido será coletivo. “Os objetivos não precisam ser idênticos, mas convergentes”, afirma Rosiléia. Isso exige certa abnegação da empresa, que deve priorizar, para os projetos conjuntos, os interesses coletivos em detrimento dos seus próprios. Segundo a professora, de 40% a 70% das redes fracassam. Um estudo da consultoria Pricewaterhouse Coopers indica que a diferença cultural entre parceiros é responsável por 27% do insucesso dessas parcerias, e a incompatibilidade de estratégia, por 25%.
A forma de rede mais comuns nas pequenas empresas são as franquias, mas não são as únicas. Abaixo estão alguns modelos que podem ser tentados pelas pequenas e médias empresas:
Arranjos produtivos locais: são o conjunto de empresas instaladas no mesmo local e que trabalham em cooperação para desenvolver os diversos elos da cadeia. Geralmente estão voltadas para a identidade comercial e industrial da cidade onde estão instaladas. Nesses “clusters”, concorrentes trocam experiências para ganhar corpo e alcançar outros mercados.
Crowdsourcing: para lançar produtos ou serviços, as grandes empresas vão promover uma espécie de competição aberta. Elas vão lançar desafios e tarefas e as pequenas empresas vão competir para proporcionar soluções. Os que tiverem as melhores ideias ganharão prêmios ou a possibilidade de realizar aquela tarefa, formando uma rede com as grandes empresas.












