Sua empresa é realmente sustentável?
Com o passar dos anos - e reforçada pela crise iniciada no fim de 2008 -, sustentabilidade se tornou uma espécie de bandeira do bem contra o mal. Mas a discussão é muito mais profunda. Boa parte das empresas se aventura pelo tema sem entender direito esse conceito sistêmico. Para a maioria, o parâmetro ainda é o medo. De catástrofes ambientais, do colapso da economia, de esgotar o petróleo e até de faltar água. Hoje, as companhias ainda se empenham mais em compensar do que em mudar. O caso clássico: a corporação tem ações poluidoras, mas compensa plantando árvores. Funciona como uma espécie de conscience wash.
Por isso, muitos não conseguem incorporar de verdade sustentabilidade aos negócios. É preciso olhar os valores mais profundos da organização para conseguir isso. Na hora de fazer uma autoanálise, no entanto, o comum é imperar uma certa miopia. Acontece também com as pessoas. Quem consegue ser objetivo ao apontar de dentro para fora os defeitos, os vícios, as deficiências?
O professor do MIT, Peter Senge, em uma palestra em São Paulo, ao comentar a crise, explicou que as pessoas falam de ganância, mas sempre se referem ao outro: “Raramente dizemos que nós criamos o sistema, que fazemos parte dele e que queríamos ter ganho dinheiro com aqueles investimentos”, afirmou na ocasião.
Esse conscience wash não é mal intencionado, diferente do green wash, a difundida prática da maquiagem verde, quando o mero marketing substitui uma legítima política de responsabilidade ambiental. Pelo contrário, as aspirações costumam ser legítimas. O problema é o conceito em si que precisa evoluir. A ideia de sustentabilidade surgiu da necessidade de preservar. Isso traz implícita uma errônea sugestão de não mudar. Até a definição do termo na Wikipedia induz a essa conclusão: “sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana”. É preciso ir além e enxergar a verdadeira essência dessa concepção: Parar de desmatar ou recuperar florestas? Fazer doações ou gerar emprego e bem-estar à comunidade? Em resumo, salvar o planeta ou torná-lo melhor?













