Zé do Caixão, o marqueteiro
Os camelôs são o terror dos cineastas, atores, cantores e todos aqueles que se sentem lesados – e com razão — pela venda de CDs e DVDs piratas. Mas há “vítimas” que têm habilidade para ir além das campanhas que pedem a apreensão do material ilegal e prisão dos infratores. Dia desses, o ator José Mojica Marins, o Zé do Caixão, visitou a região da rua 25 de Março, em São Paulo, com a intenção de recolher cópias do seu filme “Encarnação do Demônio”. Só que os camelôs o reconheceram e começaram a gritar o seu nome (tem coisa melhor para um artista?). Ele não só desistiu da batida planejada como autografou DVDs piratas de seu filme, que, assim, passaram a ser vendidos por alguns reais mais caros do que os não autografados – em geral, as banquinhas de rua vendem três filmes por R$ 5. Depois, o Zé do Caixão esbravejou uma maldição: “Por brincarem assim com um demônio encarnado, que um corrosivo coma o cérebro dos fabricantes de DVDs piratas e escorra até o chão, e eles andem sem cabeça para o resto da eternidade.” Ou seja, a praga foi dirigida somente aos que produzem as cópias e não aos camelôs, agora praticamente amigos de Mojica. Se o ator saiu perdendo? Nem tanto. Sua “batida” transformou-se numa bela tática de marketing, revelando que ele está em plena forma, com bom humor e com filme novo na praça.











