Quando a propaganda não convence
Em busca de uma escola de idiomas que alie qualidade e um curso mais rápido, que não demore muitos anos, fui alertada por um professor a tomar cuidado com a propaganda desses centros de ensino. Principalmente em relação à rapidez com que, dizem, o aluno adquire fluência.
Pipocam por aí instituições que prometem em comerciais e anúncios publicitários cursos dinâmicos, fáceis e rápidos. Porém, na hora em que você vai até o local conferir, algumas escolas mostram que, na verdade, “a tal rapidez” pode durar seis anos ou sustentam o discurso da facilidade e o aluno só percebe a falta de qualidade do ensino quando já perdeu tempo e dinheiro.
Sinceramente, me sinto frustrada com esse tipo de propaganda e, mais ainda, com as empresas que adotam esse marketing. Para mim, isso demonstra a falta de seriedade do negócio. Desconfio de cara de produtos ou serviços milagrosos, e conheço muita gente que também o faz, mas ainda é grande o número de empresas que apostam em campanhas que tentam camuflar o seu negócio e inflacionar suas qualidade.
Esta semana mesmo, o Conar (Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária) suspendeu uma propaganda da Bombril em que o famoso garoto propaganda da marca afirmava que as lãs de aço em questão eram mais corretas ecologicamente do que as esponjinhas amarelo e verde. Segundo uma representação das empresas 3M e Bettanin (fabricantes de esponja sintética), tal campanha afetava de maneira negativa as imagens desses produtos e por isso o Conselho deveria intervir - e foi isso que o Conar fez. A Bombril, que vai recorrer da decisão, gastou R$ 30 milhões com a campanha.
Nesse caso, uma empresa sentiu, de fato, o poder que uma campanha publicitária pode alcançar - para o bem ou para o mal. Além da ação movida por outras organizações no Conselho, muitos fóruns na internet questionaram o discurso ecológico da empresa.
Para mim, parece claro que cada vez mais os consumidores estão prestando atenção no que as empresas dizem em suas propagandas e questionando os seus discursos prontos. Achar que o cliente engole tudo o que vê na televisão ou nos anúncios pode levar a erros graves.














July 16th, 2010 at 9:40 am
Bom dia Heloiza,
Li o seu desabafo acima e não me surpreendi, pois com mais de 25 no ramo de idiomas, ouço isso praticamente todos os dias. Gostaria de compartilhar com você da minha frustração ao ver que pessoas ainda acreditam que podem aprender um idioma rapidamente. Compare: Uma criança quando nasce leva em média um ano para começar a balbuciar algumas palavrinhas. E isto, ouvindo diariamente e o dia todo as pessoas a sua volta. Aos dois anos já se expressa com um pouco mais de desenvoltura e assim vai, aos poucos, adquirindo fluência verbal, até chegar à escola em torno dos sete anos, onde irá aprender a ler e escrever.
O aprendizado de um idioma não é diferente. É ouvindo que se aprende, com a diferença de que quando se inicia um curso de idiomas você normalmente já está alfabetizada e, portanto o processo tende a ser mais fácil. Partindo da premissa que é ouvindo que se aprende, o tal aprendizado “rápido” e com qualidade que você está buscando vai depender unicamente da carga horária. Você não ouve o idioma que quer aprender o dia todo, normalmente somente durante a aula. Daí, quanto mais horas você puder estudar por mês, menor será o tempo para atingir os seus objetivos. É certo que em um curso regular de duas horas semanais , perfazendo oito horas mensais, em grupo com vários outros alunos, leve em média três anos e, até a proficiência, seis anos ou mais. É claro que se puder se dedicar e financiar um curso individual, semi-intensivo ou intensivo de 20 a 40 horas mensais, a duração do curso caíra pela metade. A sua dedicação também faz parte da aceleração do aprendizado. Conversar com colegas de trabalho e amigos que também estudam a língua ajuda muito; ouvir musica e tentar entender o que se canta; assistir a filmes sem legendas ou com as legendas no idioma que se está estudando; surfar paginas na internet; ter amigos em sites de relacionamento que conversem com você no idioma; ler; um intercâmbio cultural em um país onde se fala a língua; viajar; etc.
Como você vê, não há milagres. É claro que você precisa ter cuidado para escolher uma empresa que leve o ensino de idiomas a serio, que tenha profissionais qualificados, material didático de última geração e acima de tudo, paixão pelo que faz, onde o ensino não seja apenas um negócio, mas principalmente amor pela profissão. Tempo é dinheiro e, neste caso, quanto mais você investir em horas aula, mais curto será o caminho para atingir as suas metas.
Estamos à disposição.
Abraços
Mariana
July 16th, 2010 at 11:32 am
Sobre a propaganda da Bom-Bril:
Além do que você já mencionou, essa propaganda contém um equívoco grave sobre o que seja ecologicamente mais apropriado, conhecido como “ecologicamente correto” - a meu ver uma denominação um tanto presunçosa, diante do desconhecimento que ainda temos sobre o meio ambiente. Mas, seguindo o nosso bonde, o que não se levou em consideração, neste caso, é a Energia Incorporada (EMERGIA) na produção do Aço que é utilizado na fabricação dessa lã.
Retenção energética na produção desses materiais.
Aço: 52.000 kW/m3
Poliestireno (expandido): 1.050 kW/m3
Para saber mais sobre Energia Incorporada, e ver a tabela ampliada desses valores, consulte nosso site: http://www.madeirambiente.com.br
Elcio IELPO
August 30th, 2010 at 2:39 pm
Há discursos que realmente não mais convencem. Por outro lado, parece que nem todas as empresas compreenderam o recado. Incoerência entre a palavra e a ação se traduz em descrença e propaganda negativa. Aliás, em tempos de eleição, é bom ficar atento para fazer escolhas inteligentes. Eu torço para que a peneira fique cada vez mais exigente.