Telefonema pra lá de inconveniente
Semanas atrás estava no pronto-socorro com uma crise de asma, daquelas que parecem nunca mais terminar. Depois de muita espera, chegou felizmente a minha vez de respirar o poderoso ar do aparelho de inalação. Pois foi exatamente nesse tão aguardado momento que meu celular tocou. Do outro lado da linha, uma voz que insistia em ser simpática, disparava sem nenhuma cerimônia uma série de perguntas, após uma saudação de praxe repetida centenas de vezes ao longo do dia. A moça muito bem treinada pela empresa de telemarketing na qual trabalhava, se quer me dava tempo de dizer onde eu estava e em que situação me encontrava. Quando consegui interromper seu discurso decorado, avisei-lhe que estava no hospital. Qual não foi a minha surpresa quando sem a mínima cerimônia ela disparou: “Mas são apenas três perguntas. A senhora não gostaria de responder enquanto respira melhor?”. Ora, tenha a santa paciência! Ninguém contesta a força do telemarketing como alavanca de vendas e de negócios, afinal o setor movimentou em 2007 nada menos do que R$ 1,5 milhão, reunindo 250.000 profissionais só na cidade de São Paulo, que fazem cerca de 2 milhões de ligações por hora. Mas é preciso estabelecer limites, ser menos inconveniente. Fico me perguntando até que ponto ligações como a que eu recebi rendem algum tipo de retorno, a não ser um sentimento de invasão de privacidade e muita raiva? É algo para se pensar.





















junho 24th, 2009 at 6:02 pm
Compreendo a indignação, já recebi chamadas em horários impróprios, como sábado às 08 horas em ponto da manhã (após uma semana de provas, só queria dormir mesmo). E errei com a atendente, acabei sendo grosseiro gritando ao telefone que “não quero nada de um jornal que me acorde quando estou com sono”.
Porém, no teu caso, um ataque de asma, sem poder falar direito… Como é que você atende ao celular numa situação dessas? Com certeza o telefone identificado (ou sem identificação) não estava na lista do celular.