Massagens com cobras
Fiquei pasma com uma informação que recebi. Cerca de 70% dos bares e restaurantes de São Paulo não repassam a taxa de serviço de 10% paga pelos clientes aos funcionários. O dado é de um levantamento do sindicato dos trabalhadores do setor (Sinthoresp), que mostra também que 20% dos empresários repassam o valor sem efetuar os registros devidos na carteira de trabalho e apenas 10% efetuam o repasse corretamente. Após a denúncia, decidiu-se aplicar multa para esses empresários que desrespeitam a lei. O valor da penalidade é de um salário mínimo (R$ 415) por funcionário que deixar de receber a taxa de serviço. Em caso de reincidência, a multa será em dobro. O estudo do Sinthoresp apontou também outras formas de irregularidade. Existem empresários que repassam aos garçons uma quantia menor do que a de fato arrecadada e outros estipulam uma meta para efetuar o pagamento da taxa de serviço. Em São Paulo, existem cerca de 12.500 restaurantes e 15.000 bares e a taxa de serviço, apesar de ser opcional, se tornou um hábito dos paulistanos em reconhecimento aos bons serviços prestados.
A redação do artigo 457 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é clara e não deixa dúvidas sobre a obrigatoriedade dos empresários de repassar a taxa de serviço de 10% aos seus funcionários.
“Art. 457 - Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.
§ 1º - Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.
§ 2º - Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinqüenta por cento) do salário percebido pelo empregado.
§ 3º - Considera-se gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada à distribuição aos empregados”
A Toyota é a maior montadora de automóveis do mundo e um celeiro de idéias de como administrar um negócio. É dali que têm saído várias técnicas, copiadas e adaptadas por empresas de todo o mundo. A última delas é uma ampliação do just-in-time: a mercadoria não apenas chega na linha de montagem na hora em que se precisa dela, o que diminui custos com estoques. Também o funcionário terceirizado é quem se encarrega de descarregar e montar a peça, integrando-se ele mesmo à linha de montagem.
O grupo Pão de Açúcar adaptou a idéia em seus supermercados. Se você entrar numa loja e topar com um atendente vestindo um avental e um boné com os dizeres Benassi bordados, não estranhe. São funcionários da empresa de frutas, não do supermercado. Eles descarregam os caminhões que abastecem a loja e também dão expediente no supermercado, cuidam da disposição das frutas nas cestas e bancadas, cortam pedacinhos para oferecer aos clientes, orientam se alguém tem alguma dúvida.
Vantagens? Muitas e para todas as partes. Primeiro, quem mais entende de frutas, como dispô-las, quais estão ou não maduras, quais são as nacionais ou importadas, é a Benassi, não o Pão de Açúcar. Isso significa que o treinamento de funcionários está em melhores mãos se for conduzido pela produtora de frutas e não pelo supermercado. No final, o cliente sairá ganhando com atendentes mais preparados.
O supermercado, por sua vez, não tem de arcar com os custos da contratação, nem preocupar-se com um setor que gera atenção constante e redobrada. E a Benassi, por sua vez, diferencia-se dos demais produtores, já que não entrega apenas produtos e sim um serviço agregado, que inclui o atendimento aos clientes.
Talvez você possa aproveitar a idéia em sua empresa. Desde, é claro, que tenha fornecedores capacitados.
Os percalços financeiros que abalaram os mercados mundo afora colocaram à prova o modelo de desenvolvimento que tem regido a economia global. Os efeitos da crise na visão de sustentabilidade dos governantes e das empresas, entretanto, ainda é incerto.
Por um lado, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, anunciou esta semana que pretende vetar o plano europeu de combate às mudanças climáticas, com o pretexto de que as empresas não teriam mais condições de arcar com os custos da regulamentação, devido à crise.
Uma outra maneira de olhar a crise sugere que, passada a tempestade, as nações voltarão a demandar energia e recursos naturais para produzir. Como escreveu o jornalista Washington Novaes em sua coluna no Estado de S. Paulo, é justamente a escassez destes recursos que deve nos forçar a encontrar um novo modelo de desenvolvimento. Um modelo compatível com os limites físicos da Terra.
Um post da editora-executiva de Época Negóicos Cynthia Rosenburg apresenta a visão do economista Jeffrey Sachs, da Universidade Columbia, em Nova York, sobre o tema:
“(…) Essa recessão em algum momento vai passar. E aí as exigências em termos de energia, recursos naturais, água e biodiversidade vão aumentar drasticamente. É por causa dessas limitações que devemos criar uma nova forma de economia. Ela precisa ser muito mais cooperativa em termos globais e centrada em tecnologias sustentáveis (…)”
Ao que tudo indica, o mundo não deve sair desta crise como entrou.
Ao som de “Eye of the tiger”, trilha sonora do filme Rocky, Steve Ballmer, presidente da Microsoft, sobe ao palco e no melhor estilo ‘showman’. Fez gestos de boxeador e gritou que estava feliz por estar ao lado de seu público predileto: “desenvolvedores, desenvolvedores e desenvolvedores!” Na sua primeira visita ao Brasil, desde que assumiu o cargo máximo na maior desenvolvedora de software, Ballmer falou sobre a estratégia global da Microsoft. A boa nova é que os gigantes do software estão de olho nas pequenas e médias empresas. Como? Com a computação nas nuvens. Ele disse que ao trocar os softwares instalados em cada computador por programas pela internet (pagos por mês ou ano), terá uma particularidade no Brasil: em vez das grandes corporações, a meta no país, “é dominar os computadores de padarias”, afirma Ballmer. “Já que a economia brasileira tem uma participação enorme de empresas de pequeno e médio porte.”
Mas, a Microsoft entra na computação nas nuvens de uma forma diferente. Eles apostam na instalação do software no computador, como é feito normalmente, e usar algumas funções na internet. Ballmer disse que as pessoas gostam de programas instalados em seus computadores, elas gostam do fato de poderem configurar e utilizar da forma que melhor convém. Eu fiquei pensando sobre o assunto. Acho que as empresas ainda estão acostumadas a ter seus dados bem próximos. Porém, isso deve mudar em breve. A internet está mais segura, permite armazenar muito mais dados e o melhor: sem investir muito em equipamentos e softwares. Agora quero ouvir a sua opinião: você aposta na computação nas nuvens? Ou quer continuar a usar o sistema tradicional de licenças?

Hoje foi o dia escolhido para que todos os blogueiros do mundo se mobilizassem em prol da pobreza da maneira que fazem melhor: postando. É o Blog Action Day, movimento criado ano passado pelo australiano Collis Ta’eed, que teve a grande sacada de escolher essa mídia já tão disseminada para tratar de temas julgados urgentes no momento.
No ano passado, o tema foi meio ambiente e, segundo o site oficial do evento no Brasil, mais de 20 mil blogs falaram do assunto, contabilizando mais de 23 mil posts. Para esse ano, quase 10 mil blogs se comprometeram a participar do Blog Action day. Os organizadores estimam que mais de 9,5 milhões de pessoas leiam os post relacionados.
Acho que o tema também deveria entrar na roda do Papo de Empreendedor e, por isso, chamo a atenção para mais um adiamento da votação para alterações da Lei Geral do Supersimples. O Projeto de Lei, que deveria ter sido votado no Senado nessa semana, teve emendas acatadas e terá que passar por vista do líder governo, senador Romero Jucá. Esse fato levou a votação para o próximo 28.
Dentro das alterações previstas no projeto está a criação do Microempreendedor Individual, que irá formalizar profissionais que tenham receita bruta anual de até R$ 36.000 e até um empregado com salário mínimo. Ao se formalizarem e optarem pelo Simples Nacional, esses trabalhadores pagarão apenas R$ 45,65 mensais para o INSS, mais R$ 1,00 de ICMS e R$ 5,00 de ISS, se for o caso.
Isso significa que eles estarão isentos de quase todos os tributos do sistema, pagando taxas muito inferiores aos demais contribuintes e terão direito a aposentadoria. Nada mais justo, ou ambulantes, manicures, costureiras, artesãos, entre outros, teriam que trabalhar para o resto de suas vidas sob o risco de – e agora cumpro a minha palavra – cair na pobreza.
Vamos torcer e pressionar com as ferramentas que estiverem ao nosso alcance para que dia 28 essa votação finalmente ocorra, pois duvido que haja lobistas dessa categoria para agilizar seus interesses. No Blog Action Day, foi o que fiz.
Duas notícias chamaram a minha atenção nesta segunda-feira. Uma boa e outra má. A boa: o índice de mortalidade das micro e pequenas empresas do Estado de São Paulo, ao longo do primeiro ano de vida, caiu de 35% para 27% nos últimos dez anos. A má: uma pesquisa realizada pelo instituto Qualibest revelou que 55% dos consumidores estão revendo seus planos de consumo e que 43% já passaram a comprar menos no último mês, após o agravamento da situação econômica mundial.
Ainda há muita confusão no mercado, ninguém consegue avaliar ao certo qual será o impacto da crise no Brasil. Podemos dizer que a última década foi marcada por um período de bonança, aqui e lá fora, e que sem dúvida isso teve uma enorme contribuição para que um maior número de negócios prosperasse, como mostra o estudo do Sebrae-SP divulgado hoje. Mas e se os próximos anos forem marcados por forte recessão? Como se sairão os pequenos negócios? Qual a sua opinião? Você já sente reflexo da crise na sua empresa?
A juventude de hoje tem comportamento bem diferente das gerações anteriores. Nada de rebeldismo regado a muitas drogas e álcool. Nada de sonhos impossíveis e utopias irrealizáveis. Esses jovens são conhecidos como Millennials ou Geração Y e nasceram entre os anos 80 e 2000 (o nome Millennials foi talhado pelos estudiosos Neil Howe e William Strauss, no livro Millennial Rising). Eles são filhos da revolução feminista e da revolução sexual, cresceram numa época de liberdade e de muita informação. Se sua empresa tem produtos voltados para essa faixa etária, veja como essa moçada se comporta, segundo estudos do portal WGSN (só para assinantes):
Se você pensa em contratá-los, veja o que o espera:
O que te parece? O mundo estará em melhores mãos?
Do outro lado do balcão, o varejo gasta tempo e dinheiro na tentativa de despertar no consumidor o desejo de posse do produto agregado ao brinde. Segundo estudo divulgado recentemente pela Ipsos (www.ipsos.com.br), empresa de pesquisa, 52% dos consumidores informam que compram produtos com brinde promocional, principalmente alimentos, produtos de higiene pessoal e de limpeza. Quando questionados sobre que tipo de brinde mais desejam, eles não têm dúvida: gostam dos úteis, de boa qualidade, que podem ser escolhidos e que são entregues no ato da compra.
A pesquisa revelou, ainda, que entre um brinde sem grande apelo emocional e uma promoção, o brasileiro gosta mesmo é da segunda. “A promoção leve 3, pague 2 foi identificada como a mais popular do mundo, com 45% das preferências, seguida pela ganhe 1/3 a mais de produto, com 36%”, diz Sonia Bittar, diretora da área de Shopper & Retail da Ipsos. Fica o recado: se você quiser fisgar o consumidor através dos brindes pense muito bem no que irá oferecer. Sem valor emocional agregado você disperdiçará dinheiro no lugar de fidelizar o consumidor!
O Ministério do Trabalho encaminhou recentemente ao Planalto um anteprojeto de lei que vai dificultar ainda mais a contratação de terceirizados no país. Um exemplo: as empresas só poderão contratar o mesmo serviço de terceiros por, no máximo, cinco anos. No entendimento do governo, se há necessidade de ter um serviço por um período maior do que esse, faz-se necessária a presença de um trabalhador fixo. Seria o adeus aos serviços de limpeza terceirizados, por exemplo. A empresa de um funcionário só – aquela aberta pelos profissionais liberais - também estaria com os dias contados. A intenção do governo com tais medidas é incentivar as contratações via CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). O anteprojeto ainda será analisado pela Casa Civil e pela Advocacia Geral da União, mas será mesmo que regras assim ampliariam o número de funcionários registrados? E o custo? Como as empresas podem sobreviver a uma lei dessas?