O que a crise americana, produtos sustentáveis e Ronaldo têm em comum?
Com a chegada da crise financeira nos Estados Unidos, gráficos apontam um declínio nas vendas no varejo maior que a crise de 1991, um período em que a sociedade passou por grandes transformações, como a Guerra do Golfo, fim da União Soviética e crise na Índia.
E como essa crise está afetando o comportamento dos americanos? Observa-se uma nova tendência na sociedade americana. Símbolos do “American Way of Life” não são mais contemplados. Não é mais “cool” comprar carros grandes, pois eles consomem muito, existe uma procura por casas menores o “small house movement”, celebridades (tentam) não aparecer gastando os tubos com roupas e jóias e até mesmo a famosa Fashion Week de Nova York foi minguada este ano.
As grifes não gastaram tanto com desfiles, que foram menores e portanto com um número menor de convidados. Em visita a São Paulo, o sócio e administrador das marcas de Marc Jacobs, Robert Duffy disse para a revista Marie Claire: “A diminuição do evento foi uma necessidade, uma resposta à cobrança de como íamos nos posicionar na crise. Nossa responsabilidade é com as pessoas que trabalham pra gente e nossos recursos foram aplicados desta forma. Além desta loja em parceria com a NK Store, todas as outras lojas são próprias, então temos muitos empregados e preferimos mantê-los a fazer um desfile ostensivo”.
E essa mentalidade “saving is cool” está fazendo a diferença? Bom, o Wal-Mart, conhecido por ser voraz com seus fornecedores, criou a “Food & Agriculture Network“. É um projeto que promove a compra e venda de produtos sustentáveis, tomam cuidado em escolher fornecedores que não agridam o meio ambiente e pagam um preço justo por isso. Podemos concluir que essa mentalidade é algo real e vem sendo fundamentada por muitos durante muito tempo, apesar de muitos outros acharem que ela tinha sido enterrada em 1984, junto com Chico Mendes.
E o que Ronaldo tem a ver com tudo isso? Acostumado a todo o luxo que poucas pessoas no mundo podem ter, nosso atacante Ronaldo está se apoiando no que é real, verdadeiro e necessário para ele, o futebol. Para isso, ele trocou as escalas Paris, Milão e Barcelona, por Itápolis, Marilia e Barueri e me parece feliz com sua escolha.
O que esses tópicos têm em comum? Todos eles nos avisam que estamos passando por uma transformação e resta saber se estamos preparados. Você está preparado para viver com o necessário? Você está preparado a vender ou fabricar produtos sustentáveis? Lucrar menos e pagar um preço justo e, por consequência, melhorar a qualidade de vida de todos? Não sei, mas você pode nos dizer, deixe seu comentário!













April 2nd, 2009 at 12:05 pm
Marcel,
Concordo plenamente quando você fala que a crise nos fez repensar muito mais em como melhorar a qualidade de vida ao invés de simplesmente querer lucrar ao máximo.
Não exatamente sobre a questão de diminuir os luxos, mas defendo bastante a ideia de que uma empresa que queira ser realmente bem sucedida precisa entender muito bem como que ela melhora a qualidade de vida de seus clientes e da sociedade. Caso a empresa tenha impacto na qualidade de vida, ela terá tudo para ser bem vista e ter um ótimo volume de vendas. Acho que a crise está mostrando cada vez mais que esse pensamento não é mais conversa pra boi dormir, é algo que realmente faz diferença.
Recomendo também a leitura do post: 1- Causar impacto positivo; 2- Ganhar dinheiro
Grande abraço e parabéns pelo post!
Millor Machado
April 14th, 2009 at 12:12 pm
Este post é uma pérola na identificacao das tendências comportamentais decorrentes da “crise” econômica. Não está escrito, mas está concreto na mensagem, que Ronaldo parece ter acertado ao transferir-se para o Brasil, pois os emergentes receberão a Segunda Onda da Crise e, como tal, o impacto esta sendo menor do que o registrado no olho do furacão. O pequeno, o menor, o mais ágil terá mais “jogo de cintura” para as manobras de realinhamento. Olé!
April 14th, 2009 at 10:44 pm
Marcel,
Este post é uma pérola na identificação das tendências comportamentais decorrentes da “crise” econômica. Não está escrito, mas está concreto na mensagem, que Ronaldo parece ter acertado ao transferir-se para o Brasil, pois os emergentes receberão a Segunda Onda da Crise e, como tal, o impacto esta sendo menor do que o registrado no olho do furacão. O pequeno, o menor, o mais ágil terá mais “jogo de cintura” para as manobras de realinhamento. Olé!