O que é sustentabilidade afinal?
A China já tem mais de 2,6 milhões de quilômetros quadrados de terras em processo de desertificação, o que representa o dobro das terras cultiváveis do país. Imagens de satélite mostram que o processo de desertificação está aumentando em pelo menos cinco províncias e regiões autônomas chinesas (fonte: BBC)
Passei a manhã de hoje no Instituto Itaú Cultural, em São Paulo. O motivo da visita era participar de um debate – organizado pelo próprio Itaú, em parceria com o Instituto Ethos e com a consultoria britânica SustainAbility – sobre finanças sustentáveis. Depois de quase três horas ouvindo executivos destas instituições e seus convidados contar, orgulhosos, como a sustentabilidade adiciona valor aos negócios e é levada cada vez mais em conta pelos investidores, deixei o evento com a sensação de desamparo. Não bastaram as discussões sobre o aquecimento global ganharem corpo no ano passado e revelarem um caráter de calamidade eminente para a sociedade. No âmbito empresarial, continuamos tratando a questão da sustentabilidade apenas como uma nova oportunidade de negócios – ou até mesmo uma necessidade para não perdermos espaço no mercado. No entanto, ambientalistas e cientistas ligados ao tema já espalham aos quatro ventos a necessidade de mudarmos a forma como entendemos o que é desenvolvimento e progresso para atendermos às urgências sociais e ambientais atuais. Que o simples acúmulo de riquezas financeiras não é o caminho para o equilíbrio do planeta está bem claro. O difícil é encontrar o caminho para mudarmos este paradigma e, para isso, é preciso abrir as discussões neste sentido. Porque sustentabilidade já é uma questão de sobrevivência, no sentido mais literal da palavra.




















