Papo de Empreendedor

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Fidelidade a toda prova

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Semana passada, procurei uma das mais tradicionais farmácias de manipulação de São Paulo para aviar uma receita. Sou cliente da casa há muito tempo, mas ainda não tinha me dado conta do quanto eles são atentos aos hábitos de compra da clientela. Isso porque, ao pedir o orçamento, fui surpreendida com uma boa notícia: tinha um crédito em aberto no valor da nova compra, que estava arquivado há mais de um ano. E o valor não era tão modesto assim,era suficiente, diríamos para fazer uma boa feira livre. Confesso que eu não me lembrava de ter pago a mais e, portanto, se eles não me avisassem, pagaria normalmente pela fórmula. Fiquei realmente surpreendida com a correção da farmácia, afinal créditos com mais de um ano costumam expirar.

Atitudes como essa ajudam a fidelizar o cliente para sempre e colaboram para aumentar o que os especialistas chamam de uma boa propaganda boca-a-boca, que em tempos de concorrência acirrada, há de agarrá-la com todas as forças.

Desculpa, mas aqui não tem nada para você

- Posso te ajudar, moça?

- Pode, sim. Estou procurando alguma coisa até 10 reais para um amigo secreto.

- Ah, moça, posso te dar uma sugestão? Vai lá na (nome de loja), porque aqui não tem nada para você.

Acreditem, esse diálogo é verídico. Fiquei chocada com a conduta do vendedor, que não só me constrangeu, como sequer se esforçou para resolver o meu problema. Ontem, estava no shopping há horas, finalizando minhas compras de natal - exausta - e tudo o que queria era achar um presente legal dentro do piso estipulado na brincadeira de fim de ano que farei com as minhas amigas. E não pensem que entrei numa joalheria para encontrar algo de até R$ 10, tanto que encontrei lá o que queria, dentro das condições impostas.

Fui até o caixa e a moça me perguntou quem estava me atendendo. Respondi que ninguém (porque o moço, mesmo vendo que eu insistia na loja, não me ajudou). Ela reclamou com outra moça do caixa: “Três brigando para atender e a moça sozinha”. Ao pagar, ela insistiu “ninguém viu você entrar na loja?”. Respondi que uma pessoa começara a me atender, mas que havia feito isso muito mal. Não disse quem foi, mesmo com o argumento de que ela gostaria de melhorar o atendimento da loja. Não acho que acusar o vendedor pela falta de tato resolveria o problema, que foi falta de treinamento dos temporários. A loja estava, de fato, com muitos vendedores: a maioria perdida e atrapalhada em meio aos diversos produtos que com um tombo quebrariam (o que também aconteceu durante minha compra). Quantidade de vendedores definitivamente não significa qualidade de atendimento.

Cliente espião

Quando caminho pelas ruas ou pelos corredores de um shopping, costumo bancar o cliente espião. Entro nas lojas para perguntar preços, condições de pagamentos e, assim, analisar o atendimento, fator essencial para o sucesso de qualquer negócio.
O teste é suficiente para perceber que muitos estabelecimentos vendem bem menos do que seu potencial porque têm na linha de frente pessoas despreparadas e com má vontade para atender – o problema pode estar no esquema de comissões, mas quem tem que resolver não é o consumidor.

Nada mais irritante do que o vendedor que atende o cliente e ao mesmo tempo se dirige ao colega do lado, continuando um assunto pessoal que os dois já estavam discutindo, só para citar um exemplo. Dificilmente volto a um estabelecimento como esse, mesmo que precise realmente comprar algo que é vendido ali. Em compensação, confesso que nessas andanças chego a fazer compras, ainda que não tenha planejado, simplesmente porque o vendedor me “fisgou” com um papo convincente, boa vontade e profissionalismo. E ainda viro cliente. Por isso, quando as pessoas que sonham em empreender me perguntam que tipo de negócio dá dinheiro, eu costumo responder: “os que, antes de mais nada, oferecem bom atendimento.” Simples assim.