Papo de Empreendedor

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Brasil – fonte de uma “nova ciência”?

É isso mesmo. Quem diria, mas um estudo recém divulgado na Inglaterra aponta o Brasil como uma das principais fontes mundiais da chamada “nova ciência”. De acordo com o levantamento, a pesquisa brasileira não se resume aos avanços na área de biodiesel, que, com freqüência, agora estão nas páginas dos jornais do mundo todo.

Ao contrário. O país também se destaca em áreas que vão de software a estudos com células tronco e é um dos que mais cresce com relação à produção de publicações científicas – algo inimaginável no passado recente. O levantamento, realizado pelo instituto Demos, afirma ainda que o número de PhDs tem crescido a uma média de 12% ao ano na última década. E o de estudantes posgraduados, dez vezes ao longo dos últimos 20 anos. E a gente bem sabe que boa parte desse público toca projetos próprios graças à sua veia empreendedora…

Mas claro que nem tudo são flores. A pesquisa também enumera quais são os principais entraves para o avanço da ciência e da inovação no país. Entre eles: desigualdade social; baixo índice da população com grau universitário (apenas 9,8% dos jovens entre 18 e 24 anos); e dificuldade em reter talentos (ao contrário da China e da Índia, onde os cérebros que estudam no exterior costumam voltar ao país de origem). Ok, são problemas nada fáceis de serem resolvidos. Mas pelo visto o levantamento mostra que, mesmo a passos lentos, estamos caminhando na direção certa. Ufa.

PS. O estudo, que foi divulgado no último dia 8 em Londres, deve ser lançado em português, em Brasília, em outubro.

Tão perto, tão longe

Apesar da estabilidade econômica e até mesmo do grau de investimento recém-conquistado pelo Brasil, a verdade é que as nossas cidades ainda estão longe de se tornar grandes centros de negócios. É o que mostra uma pesquisa divulgada nos últimos dias pela Mastercard chamada Worlwide Centers of Commerce Index (numa tradução livre, algo como Índice dos Centros Mundiais de Comércio). Entre 75 cidades analisadas, São Paulo ficou em 56º lugar. O Rio de Janeiro, em 65º. Londres, Nova York e Tóquio figuram no topo da lista.

São Paulo e Rio se saíram pior nos itens que levaram em conta, por exemplo, a produção científica, o fluxo financeiro e a estrutura logística. Para quem tem negócios por aqui, não é nenhuma novidade, certo? É consenso que são parcos os recursos destinados pelo setor público e mesmo privado para pesquisa e desenvolvimento, que o custo do dinheiro ainda é muito alto e que o transporte (seja ele civil ou de carga) é precário. Ok. Mas confesso que fiquei bem decepcionada ao ver que não conseguimos sequer liderar o “ranking latino-americano” – Santiago e Cidade do México ficaram à frente de São Paulo, e até Bogotá e Buenos Aires superaram o Rio de Janeiro. É preciso mesmo ser um guerreiro para empreender por essas bandas…