Já ouviu falar em “murketing”?
Dia desses estava numa festa do casamento e a banda tocava hits dos anos 80 e 90, incluindo sucessos da Xuxa e Balão Mágico. Mas foi na hora em que começaram as músicas do extinto Mamonas Assassinas que a criançada invadiu a pista de dança. A paixão da molecada pelo som do grupo sempre foi grande. Na verdade, nem os próprios componentes dos Mamonas (mortos em acidente no início dos anos 90) sabiam por que a criançada gostava tanto de suas músicas, já que o público-alvo eram os adultos. Isso acontece também no mundo dos negócios.
Muitas vezes, os consumidores que nem são alvo de determinada campanha publicitária descobrem um produto e passam a comprá-lo e recomendar aos amigos. Daí, o fabricante tem que correr para tentar entender esse novo consumidor. É o que o jornalista americano Rob Walker chama de “murketing”, fusão das palavras marketing e murky (nebuloso, em inglês). No seu recém-lançado livro Buying In (”comprando idéias”), Walker afirma que muitos consumidores de hoje têm critérios e vontades próprias para eleger as suas marcar preferidas. E não bastam simples anúncios de TV para conquistá-los.
Um exemplo de “murketing” são os tênis All Star, da Converse (comprada em 2003 pela Nike). A marca All Star, que tinha sido sucesso no começo do século 20, entrou em decadência nos anos 80 porque seus tênis simples não eram páreo para calçados cheios de tecnologia que chegaram ao mercado. Nos últimos anos, porém, os tênis de lona começaram a aparecer nos pés de roqueiros e jovens irreverentes e novamente viraram moda. Para voltar ao assunto casamento, no início deste ano uma repórter da redação casou-se em belíssima cerimônia, mas que fugia do convencional. O noivo estava de terno e tênis All Star. Os convidados acharam o máximo.














