Papo de Empreendedor

Papo de Empreendedor


O consumidor é único

 

Esta semana, ao chegar em casa, encontrei nada menos do que cinco catálogos apresentando as novas coleções do verão 2008/2009. Confesso que de bate pronto, me interessei por dois. Os outros três ficaram esquecidos sobre a mesa. Todos, contudo, chamavam a atenção pela qualidade das fotos, do papel de primeira linha, da impressão cuidadosa. Depois de conferir os lançamentos das grifes que mais de moldam ao meu gosto (sou do tipo, clássica, confesso!), pensei o quanto as demais empresas haviam gasto com a produção dos catálogos e quanto deste dinheiro escorria pelo ralo, sem que a consumidora sequer removesse o celofane que envolvia a brochura. Assim como eu, muitas outras devem também tê-los esquecido em algum canto da sala.

Diante de uma realidade que a maioria já vivenciou, será que não está na hora das empresas reverem seus gastos com esse tipo de divulgação? Ou melhor, selecionar as diversas ferramentas de marketing de acordo com o perfil do seu público? No lugar de produzir 50.000 catálogos, será que o retorno não seria o mesmo com apenas 10.000 bem distribuídos? Dizem os especialistas, que uma ação de marketing de relacionamento, como o envio de catálogos, impacta em 15% nos resultados financeiros. Mas quando é diferenciada, chega a incrementar as vendas em até 21%. Diante das estatísticas, vale à pena personalizar muito bem as remessas, afinal cada cliente é único, e gosta de ser visto como tal.

Quem são e o que querem os jovens Millennials ou Geração Y

A juventude de hoje tem comportamento bem diferente das gerações anteriores. Nada de rebeldismo regado a muitas drogas e álcool. Nada de sonhos impossíveis e utopias irrealizáveis. Esses jovens são conhecidos como Millennials ou Geração Y e nasceram entre os anos 80 e 2000 (o nome Millennials foi talhado pelos estudiosos Neil Howe e William Strauss, no livro Millennial Rising). Eles são filhos da revolução feminista e da revolução sexual, cresceram numa época de liberdade e de muita informação. Se sua empresa tem produtos voltados para essa faixa etária, veja como essa moçada se comporta, segundo estudos do portal WGSN (só para assinantes):

  • É uma geração mais careta: ser nerd passou a ser legal
  • É uma geração que tem foco na saúde e na vaidade: menos drogas, menos bebida, mais beleza e sexo responsável
  • Usam marcas como uma forma de compor sua identidade; a customização dá a sensação de pertencer a um grupo e se destacar dentro dele
  • É uma geração obcecada por tendências de moda e como há grande rapidez na informação, as coisas perdem e ganham relevância muito rapidamente
  • Barreiras geográficas, diferenças etárias ou sócioeconômicas perderam importância: a cultura e os interesses comuns os aproxima e os aglutina.
  • As ”tribos” se formam por afinidade e identificação cultural, não importa que cada um esteja num canto do planeta.
  • Muitos Millennials vivem com seus pais: o conflito entre gerações é menor
  • Compartilham suas vidas pessoais na internet e não têm preocupação com o que é privado
  • Segundo pesquisas, 61% dos jovens americanos não expressa interesse pelo mundo adulto. Portanto, as marcas voltadas para eles devem celebrar a juventude, pois é isso o que importa para eles

Se você pensa em contratá-los, veja o que o espera:

  • Os jovens de hoje são mais estressados, pois sofrem maior pressão da família para ter sucesso
  • No trabalho, o dinheiro não é o principal motivador: flexibilidade de horário e a liberdade de usar roupas casuais no trabalho pesam tanto quanto
  • São inseguros em relação ao futuro: eles sabem que fazer uma faculdade ou conseguir um emprego não é garantia de estabilidade nem de sucesso
  • São descrentes de regras pré-estabelecidas, por isso costumam ser mais empreendedores do que os jovens do passado
  • São narcisistas e acham que sabem tudo
  • Não ficam idealizando o futuro. Eles vêem o que pode ser feito, de fato, para mudar o mundo e se mobilizam, via internet.

O que te parece? O mundo estará em melhores mãos?

Brinde pra que te quero?

Quantas vezes você já não se perguntou para que precisa de mais uma quinquilharia guardada na última gaveta do armário ou no baú de brinquedos das crianças? Com certeza, muitas. Afinal, assim como nove entre 10 brasileiros, não resistimos a um brinde, seja ele um pequeno chaveiro com o logotipo de uma empresa cujo produto você raramente consome, ou uma caneca colorida, um bonequinho de corda, um boné, etc, etc. Mas mesmo abarrotados de coisas não resistimos a uma convincente campanha de marketing e engordamos as filas em busca dos bichinhos da Parmalat, dos ursinhos da Coca-Cola, das camisas comemorativas da seleção brasileira distribuídas pela Guaraná. Fazemos o sacrifício porque achamos que vale a pena e nos sentimos orgulhosos quando completamos a coleção.

Do outro lado do balcão, o varejo gasta tempo e dinheiro na tentativa de despertar no consumidor o desejo de posse do produto agregado ao brinde. Segundo estudo divulgado recentemente pela Ipsos (www.ipsos.com.br), empresa de pesquisa, 52% dos consumidores informam que compram produtos com brinde promocional, principalmente alimentos, produtos de higiene pessoal e de limpeza. Quando questionados sobre que tipo de brinde mais desejam, eles não têm dúvida: gostam dos úteis, de boa qualidade, que podem ser escolhidos e que são entregues no ato da compra.

A pesquisa revelou, ainda, que entre um brinde sem grande apelo emocional e uma promoção, o brasileiro gosta mesmo é da segunda. “A promoção leve 3, pague 2 foi identificada como a mais popular do mundo, com 45% das preferências, seguida pela ganhe 1/3 a mais de produto, com 36%”, diz Sonia Bittar, diretora da área de Shopper & Retail da Ipsos. Fica o recado: se você quiser fisgar o consumidor através dos brindes pense muito bem no que irá oferecer. Sem valor emocional agregado você disperdiçará dinheiro no lugar de fidelizar o consumidor!

 

Os shoppings precisam se renovar

 

Em recente palestra realizada em São Paulo, o publicitário Roni Rodrigues, sócio da agência Box 1824, especializada em estudos do comportamento dos jovens, afirmou que está mais do que na hora dos shoppings centers se reinventarem. E não basta rever o projeto arquitetônico ou usar e abusar dos aspectos sensoriais para atrair o cliente. É preciso se transformar em um centro de educação, bem-estar e de geração de informações sobre as marcas que abriga.

As sugestões, num primeiro momento, confesso, parecem futuristas, mas têm sentido quando falamos de um mundo cada vez mais informatizado. Segundo Rodrigues, como o consumidor moderno varre a internet antes de ir às compras, nada mais óbvio que o próprio shopping facilite a sua vida e espalhe totens (terminais digitais de informações) por suas áreas com detalhes de vários produtos, incluindo preço e todas as lojas onde estão disponíveis. “O cliente é que escolherá o endereço que mais lhe interessar e cujo custo/benefício seja mais atraente”, diz o publicitário. Outra sugestão é que as roupas venham acompanhadas de um chip que, ao ser lido em um terminal, revelará não só as informações técnicas da peça, como sua disponibilidade de estoque e preço em vários endereços. Por fim, os shoppings devem facilitar o acesso dos freqüentadores às comunidades on-line, porque a opinião de quem já fez a compra terá cada vez mais peso para o consumidor na hora de fazer suas escolhas. Vale pensar!