Dinheiro dado…

Procurei por um tempo alguma citação de escritor ou economista que traduzisse o que li hoje na Folha de S. Paulo. Não consegui achar, então uso a frase que já ouvi meu avô dizer tantas vezes: Se eu te dei cem reais, pode rasgá-los na minha frente; não são mais meus.
O que aconteceu hoje com a seguradora americana AIG e o Tesouro dos EUA ilustrou bem esta frase, embora o governo não tenha assumido uma posição tão passiva. No ano passado, a seguradora teve prejuízo recorde de US$ 99,3 bilhões, e de seis meses pra cá o governo americano tem dado ajudas polpudas à empresa, que totalizaram US$ 170 bilhões.
Seguindo seu regimento interno, diz a empresa, ela deve pagar hoje bonificação a cerca de 400 funcionários, somando US$ 165 milhões. Essa atitude revoltou Timothy Geithner, secretário do Tesouro, e o presidente Barack Obama, que julgou a atitude um “ultraje frente aos contribuintes que estão mantendo a empresa em pé”.
A oposição republicana aproveitou para criticar a administração de Obama, dizendo que o governo já sabia em que os contratos da empresa iriam culminar. O governo americano não podia deixar de investir na seguradora, que é um forte pilar da economia. A empresa, por sua vez, não quer reduzir a quantia por temer uma fuga dos executivos bonificados.
O presidente vai a todo custo tentar impedir, ou pelo menos reduzir, essa bonificação. A empresa, junto com o principal conselheiro econômico de Obama, Lawrence Summers, um tanto resignado, dizem que o governo não pode revogar um contrato.
E você, o que faria nessa situação? O dinheiro dado pode ser usado da maneira que a empresa bem entender, ou o governo deve ter controle rígido do financiamento?













