Papo de Empreendedor

Papo de Empreendedor


Sem financiamento, nada feito

Eu nunca achei mesmo que o brasileiro tivesse o hábito de pensar no amanhã. Não à toa produtos financeiros mais sofisticados que a simples poupança, como fundos de investimento e de previdência privada, raramente têm suas regras bem compreendidas pela população, mesmo a das classes mais abastadas.

Recentemente, foi divulgado um estudo do instituto LatinPanel que revela que 74% das pessoas não poupam absolutamente nada no Brasil. Naaaaaada. E dos 26% restantes, apenas metade consegue guardar até 10% do que recebe mensalmente. Ok, é verdade que o custo de vida é alto para o baixo salário que a grande maioria recebe. Mas mais de 70% da população não ter o hábito de economizar nada é, sim, na minha opinião, impressionante e tem também um quê cultural.

Polêmicas à parte, isso só reforça o quanto é essencial que qualquer empresário ofereça financiamento à sua clientela para ao menos manter o ritmo das vendas pré-crise. Por mais que esteja difícil obter crédito no mercado, é preciso encontrar uma saída: seja usar capital de giro próprio, reduzir margens ou camelar de banco em banco em busca de menores taxas.

Não tem jeito. Se não oferecer a opção de pagamento parcelado, não vende. O consumidor não tem de onde tirar dinheiro. Ele tem mesmo que contar com o salário do mês para pagar tudo que comprou – a prazo, a perder de vista.

Dinheiro vindo do lixo

Imagine uma empresa que paga para as pessoas deixarem que ela recolha o lixo reciclável nas suas próprias casas. E que ainda ganha dinheiro, é rentável, dessa forma. Impossível? Esse é o modelo de negócios da RecycleBank, criada em 2005, na região da Filadélfia, nos Estados Unidos, por um ex-consultor da Deloitte Touche Tohmatsu, uma das principais consultorias do mundo.

Os consumidores se sentem motivados a vender o seu lixo porque em troca ganham cupons, por exemplo, que dão direito a produtos da rede de supermercados Whole Foods, especializada em orgânicos. Já a receita da RecycleBank vem do governo de cidades que, ao contratar a empresa, reduzem seus gastos com a construção de aterros sanitários e outras atividades relacionadas ao recolhimento e tratamento do lixo urbano.

A RecycleBank propõe uma solução para problemas do mundo moderno, sedento por novas idéias. Prova de que há oportunidades de negócios no meio desses novos dilemas que a sociedade enfrenta é que a RecycleBank chamou a atenção de diversos fundos de venture capital que já investiram milhões de dólares na companhia. Até a gigante Coca-Cola – que atualmente está empenhada em criar uma imagem sustentável – faz parte do grupo de investidores. Ela já injetou cerca de US$ 2 milhões na RecycleBank.

Dinheiro de graça

Tem dinheiro de graça no mercado. Isso mesmo, de graça. A Finep está disponibilizando R$ 180 milhões a pequenas empresas em seu novo programa de subvenção econômica. Para quem não sabe, por subvenção econômica entende-se a distribuição dos chamados recursos a fundo perdido. O programa está aberto a empresas com produtos ou serviços inovadores de seis áreas: tecnologia da informação e comunicação, biotecnologia, saúde, programas estratégicos, energia e desenvolvimento social. Serão escolhidos projetos de no mínimo R$ 1 milhão de reais. Do total, algo entre 5% e 20%, no caso de negócios menores, deve ser bancado pela própria empresa. Interessou-se? Mais informações e o formulário para a primeira etapa do processo de seleção no site da Finep.