
Já não bastavam o excesso de responsabilidades, a ambiguidade de funções, o ambiente hostil e outras insatisfações que costumam causar tanto estresse no ambiente de trabalho, a crise financeira estourou.
Segundo a diretora do programa de tecnologia industrial e professora do Departamento de Saúde Organizacional da George Mason University, Lois Tetrick, a insegurança gerada em períodos de instabilidade é um provocador agudo de estresse. Mas não só: a redução no poder de compra e o aumento dos preços, também consequências da famigerada crise, são outros fatores que influenciam no estado de espírito dos trabalhadores.
Inferi do pensamento da especialista que o aumento de trabalho em função de uma maior pressão por lucro e da necessidade de mostrar um bom desempenho, devido ao assombro das demissões, atrelados ao menor valor do salário causam muito estresse. A combinação trabalho a mais e menor recompensa só poderia resultar nisso.
Diferente do que pensa a maioria, Tetrick lembra que esses mesmos problemas afligem todos os níveis hierárquicos, inclusive diretores e presidentes, que não são demitidos, mas demitem. E que podem, sim, aumentar o seu lucro, mas antes precisam pagar todo o salário que devem. Certamente, em tempos de crise, muitos deles também estão sofrendo da estressante combinação que citei acima. O prejuízo não está sendo repassado unicamente aos funcionários.
Patrões às vezes se tornam monstros em períodos de dificuldades econômicas. Entretanto, é preciso ressaltar um aspecto levantado por Tetrick: é importante que sempre se faça a diferenciação entre motivação do lucro e a gânancia.
Isso pode evitar muito estresse.