Papo de Empreendedor

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Municípios de porte médio estão em alta

Há quase três meses quando mergulhei em busca de caminhos que norteassem a reportagem de capa da edição de agosto da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, o primeiro sinal que recebi dos estudiosos, mais precisamente de um geógrafo do IBGE, foi que os municípios médios, aqueles na faixa dos 200.000 habitantes, eram os que apresentavam melhores índices de crescimento. Batiam as grandes metrópoles com a vantagem de ainda guardar bons índices de qualidade de vida.
Reportagem na rua, eis que esta semana me deparo com mais um sinal de que eles são mesmo os astros do momento. Pesquisas revelam que os municípios com populações em torno de 200.000 pessoas também são os melhores endereços para expansão de shopping centers, principalmente os localizados nas regiões Norte e Nordeste. Portanto, quem está disposto a investir na área vale à pena ficar atento e pesquisar endereços com esse perfil.

Pequenas também inovam, sim, senhor!

O resultado de uma pesquisa do Sebrae de São Paulo, divulgada na semana passada, me deixou duplamente feliz. Primeiro porque comprovou – com dados estatísticos, para quem ainda duvidasse – que pequenos negócios também podem, sim, ser inovadores. Segundo porque mostrou que não são necessários rios de dinheiro para isso.

De acordo com o estudo, das 450 empresas ouvidas, mais da metade promoveu algum tipo de inovação no último ano. E quem fez isso já colhe frutos. Entre as micro e pequenas empresas inovadoras, 52% delas tiveram crescimento no seu volume de produção e 39% registraram ganhos de produtividade com sua mão-de-obra. Esses resultados são, em média, 100%¨superiores aos das empresas que não promoveram nenhum tipo de inovação no mesmo período.

Quanto ao “dim dim”, surpresa: metade dessas empresas investe até R$ 2 mil no desenvolvimento de novos produtos e o mesmo valor para chegar a novos processos de produção. Convenhamos que – pelo menos para a maioria – não é nenhuma fortuna.

A tal sazonalidade

Domingo fui a Campos do Jordão. Não costumo subir a serra fora do inverno, mas por questões familiares enfrentei 320 quilômetros de estrada, entre ida e volta no mesmo dia. Acostumada a não ter onde estacionar, de mal poder circular pelas ruas de tanta gente e ter de aguardar horas na fila para almoçar, fui surpreendida com uma cidade pacata e típica do interior. Apesar do céu azul, sem nenhuma nuvem, o outono dava o ar da graça com muitas folhas pelo chão e termômetros na casa dos 16º. O clima era o mesmo, o movimento não. Foi duro encontrar um restaurante aberto, os poucos que se aventuravam atendiam uma mesa aqui outra acolá. O movimento, com certeza, não pagava o salário dos garçons que bocejavam por falta de trabalho.
Fica difícil entender como empresários que investem quantias altíssimas e disputam o metro quadrado da cidade a peso de ouro no inverno, conseguem sobreviver nas demais estações. Todas as cartilhas de empreendedorismo dizem que é preciso trabalhar sério para enfrentar a sazonalidade. Mas, mesmo como muito trabalho, equilibrar as finanças fora da alta temporada é coisa para mágico. Será que o caminho para reverter esse tipo de situação não seria estimular outro tipo de turismo que não apenas o ligado ao frio? Com tantas trilhas, bosques, cachoeiras e rios, incentivar a prática de esportes de aventura e de eventos off road talvez aumentasse o fluxo de pessoas e, consequentemente, garantiria a sobrevivência de dezenas de pequenos negócios. Vale à pena pensar!!!