Papo de Empreendedor

Papo de Empreendedor


Funcionário precisa ter orgulho da empresa ou do dono dela?

Acredito que podemos dividir os funcionários em dois grandes grupos quando se trata de cativá-los e motivá-los.

O primeiro, a base da pirâmide empresarial composta pelos funcionários com menos estudo, acredita que trabalha para uma empresa, uma entidade corporativa, uma imagem criada em torno de um logotipo. Para cativar esse pessoal, o importante é investir numa comunicação interna que mostre o que a empresa faz, seja em relação a produtos, marketing, responsabilidade social ou ambiental e por aí vai. Essa turma precisa sentir orgulho de trabalhar na empresa X, na Y ou na Z.

Mas essa receita não funciona tão bem quando se trata da média gerência para cima – gente que não trabalha exatamente para uma organização e sim para uma pessoa, um líder maior, seja ele o dono ou o presidente. Para ter esse grupo trabalhando duro, você precisa arregimentá-los em torno de seu nome, de seus sonhos, de sua visão de futuro. Eles precisam acreditar no comandante que os conduz. Precisam admirar o chefe, seja pela sua eloqüência, pelas suas idéias, pela energia, inteligência, carisma, coragem, determinação, por razões humanas, enfim. Para esse grupo, não adianta muito expor os feitos da empresa. Com eles, é o dono que precisa se expor e deixar-se conhecer.

Concorda?

O que motiva um empreendedor?

Eis uma pergunta com muitas respostas. Mas vamos procurar uma que tenha algum embasamento, buscando a famosa pirâmide de Maslow como referência. Abrahan Maslow propôs, em 1943, a Teoria da Motivação Humana, uma obra que virou referência no mundo da psicologia. Segundo ele, há uma hierarquia de necessidades a serem preenchidas e, conforme a pessoa satisfaz uma delas, tenta alcançar outra e mais outra.

Então, assim que supre suas necessidades fisiológicas (ter o que comer, onde dormir e com quem fazer sexo), a pessoa parte para a conquista da segurança (física, financeira, de saúde). Quando isso é satisfeito, surge um buraco a ser preenchido: a necessidade de ser amado (por amigos, por um companheiro, pelos filhos). Depois, vem a auto-estima e a vontade de conquistar o respeito e a confiança dos demais. Por fim, a auto-realização, a busca por um conhecimento maior sobre si e o mundo.

Que tal transportar essa mesma pirâmide para o mundo empreendedor? Foi o que eu fiz. Na base, teríamos as necessidades de sobrevivência do negócio (pagar as contas, gerar dinheiro). No patamar seguinte, viria a necessidade da empresa ter identidade própria, de fincar bases sólidas no mercado. Depois, a vontade de que o negócio tenha visibilidade social e seja identificado como algo de valor pelo mercado. Conseguido isso, surgiria a questão: qual o meu papel de empresa cidadã junto à comunidade? O que posso fazer para devolver um pouco do que conquistei para a sociedade? Por fim, no estágio final, o empreendedor seria tomado por uma vontade enorme de deixar um legado, de deixar algo positivo e importante como saldo de sua passagem pelo mundo. Alguns, por exemplo, abraçam a sustentabilidade como bandeira. Outros, a política e as entidades de classe.

Diariamente encontro empreendedores motivados em diferentes estágios dessa pirâmide, que acabei adaptando das teorias de Maslow. Qual o seu estágio?

O Dia do Manto Sagrado

Equipe motivada

Quer uma idéia para animar o pessoal? Veja essa da Ci&T, empresa de tecnologia de Campinas que retratamos na edição de agosto de 2007 da Pequenas Empresas & Grandes Negócios. A Ci&T é especializada em desenvolvimento de softwares e é a única empresa brasileira a constar entre as 100 melhores de tecnologia da revista americana Fortune.

Celeiro de novidades, a Ci&T criou o Dia do Manto Sagrado. Todo dia 15 os funcionários, tanto homens quanto mulheres, são convidados a trabalhar com a camisa do seu time do coração. A idéia para descontrair o ambiente foi de um dos sócios, César Gon. E a coisa pegou. Além de camisas dos grandes times, há quem use aquela velhinha, do time da escola, do Tabajara Futebol Clube, da seleção canarinho, da Argentina e por aí vai. E, claro, tem quem leve bandeira, urso verde…. uma festa. Bacana, né?

Sob pressão

Você já ouviu falar da Síndrome de Burnout? É um transtorno psicológico ligado ao ambiente de trabalho. Em geral, costuma aparecer em pessoas excessivamente críticas, muito exigentes consigo mesmas e com os outros e que têm maior dificuldade para lidar com situações difíceis. Os sintomas dessa síndrome se dão em um comportamento agressivo e irritadiço, o que resulta em exaustão e falta de motivação para fazer qualquer coisa durante o dia. Não há dados sobre a incidência da Síndrome de Burnout no Brasil, mas os consultórios médicos e psicológicos registram um aumento do número de pacientes com relatos de sintomas típicos da síndrome. Ela afeta especialmente os profissionais que lidam com pressão intensas no dia-a-dia. Bom, aí você deve estar pensando: todos nós, não? De acordo com algumas pesquisas, as áreas mais estressantes e propícias para desenvolver essa síndrome são: tecnologia, medicina, engenharia, vendas e marketing, recursos humanos, operações e produção. E, como todos nós sabemos, os ambientes corporativos estimulam, de alguma maneira, esse tipo de comportamento entre os profissionais, criando condições que podem predispor ao adoecimento e, na seqüência direta, em licenças médicas e eventuais afastamentos por longos períodos. O que há de fazer para que isso não contamine sua empresa? Saber estabelecer metas e saber cobrá-las mas, ao mesmo tempo, dar prazos para essas metas. Não entrar em ritmo de cobrança do dia para a noite, pois lembre-se que há pessoas que trabalham com você. E cada um tem seu limite.