Papo de Empreendedor

Papo de Empreendedor


A sabedoria do desapego

Vários autores, como Jack Welch  ou Ricardo Semler, já comentaram sobre a importância de ter coragem de revolucionar, de virar a própria mesa, de despir-se das verdades até então assumidas para poder sair de uma crise ou de um problema. Na essência, esses textos tratam de conseguir enxergar o cenário, jogar o velho armamento fora, desafiar-se a esquecer as antigas práticas e começar do zero. 

Desapego é libertar-se de uma rota antiga, porque as condições mudaram, porque novo caminho foi criado, melhor ou mais rápido. Porque novas tecnologias mudaram o modo de locomoção. Quando todas as condições mudaram, continuar seguindo um velho mapa só pode levar ao fracasso.

Imaginem uma empresa que, por ter um parque instalado de máquinas de escrever, tivesse se mantido firme na decisão de não aderir aos computadores, simplesmente porque o investimento já havia sido feito e a empresa cresceu e prosperou com esse modo de processamento?  Essa pergunta nos dias de hoje obviamente é ridícula, mas quantas empresas não perderam a trajetória da história por decisões tomadas sem o desapego necessário?

Parece óbvio quando observamos condições alheias ao nosso envolvimento, entretanto, desapegar-se dos acertos anteriores e começar tudo novamente é muito mais difícil do que parece. Quanto maior o acerto vivido, maior a dificuldade de mudar.

Quantas vezes não vimos ou mesmo vivemos disputas ferozes que nos conduziram a falsas vitórias, porque jogamos o jogo errado. Esquecemos o objetivo - atender as necessidades do cliente ou dos funcionários ou dos acionistas – e iniciamos, mesmo que inconscientemente, uma batalha pelo apego às ideias que realmente um dia foram valiosas?
 
O que nos distancia da verdade, não são as mentiras, mas as nossas convicções.
 
Quantas vezes acreditamos ser mais fácil fazer ajustes e adaptações aos processos atuais, reclamar da falta de entendimento do outro, dar respostas simples e rápidas aos grandes problemas ao invés de identificar realmente o quadro todo e perseguir objetivos reais, significativos e vitais? Quantas vezes fomos cruéis em criticar o novo ou o diferente e corremos na defesa de paradigmas conhecidos ao invés de parar para verificar a viabilidade de um novo ângulo de visão?

Cuidado! O sucesso passado costuma ser o maior inimigo do sucesso futuro.

Há um texto sobre a Sabedoria do Desapego, onde Krishna comenta que tanto é bom agir como é bom abster-se, porque aquele que nada deseja e nada recusa, inatingido pelos opostos, não é afetado nem por esperança nem por medo e assim chega à meta. Sábio é aquele que pela força da verdade renuncia a si mesmo, fica a serviço de todos e realiza todas as ações sem ser escravizado por nenhuma delas.

Somente somos capazes de grandes feitos quando, iluminados pela determinação, superamos nosso ego e conseguimos distinguir o momento de sacrificar conceitos do momento em que vale manter o modelo anterior porque ainda é mesmo melhor. 

Não é a espécie mais forte que sobrevive, nem a mais inteligente, mas aquela que melhor corresponde às mudanças. (Charles Darwin)

Sandra Boteguim  é Diretora Gerente Sênior da área de Produtos Pessoa Jurídica do Banco Itaú,  área que também é responsável pelos especialistas e consultores dedicados ao Projeto Extreme Makeover Tecnológico e Financeiro 4.

Mitos e dicas sobre motivação

Há algumas semanas escrevi aqui no blog sobre como motivar seus funcionários sem gastar muito. O tema gerou uma discussão legal, e acho que vale a pena voltar ao assunto. O americano David G. Javitch, Ph.D. em gestão empresarial e colunista da Entrepreneur, apontou cinco mitos em relação à motivação e dez maneiras rápidas de motivar os funcionários de uma empresa.

Segundo Javitch, os mitos são:
- Dinheiro motiva: apesar de deixar o funcionário empolgado com a função e a empresa, pesquisas indicam que aumento salarial ou bônus caem no esquecimento dos agraciados em seis meses.

- Manter os funcionários felizes é importante: para agradar os funcionários durante os intervalos e almoços, algumas empresas oferecem videogames, outras autorizam chamadas telefônicas de longa distância. Segundo Javitch, isso é ineficiente. A satisfação dos funcionários durante os intervalos não significa que eles terão melhor rendimento durante o expediente.

- É melhor ignorar os conflitos: muitos empresários estão tão preocupados em ser legais com os funcionários que acabam fugindo de suas responsabilidades. Não repreender um empregado com comportamento instável não leva a nada.

- Algumas pessoas são desmotivadas por natureza: todo mundo pode ser motivado, mas por razões diferentes. O desafio de um bom líder é descobrir o que motiva um funcionário displicente (isso se valer a pena manter a pessoa na empresa, claro)

- Funcionários inteligentes não precisam ser motivados: todo empresário quer pessoas inteligentes na equipe. Eles são mais rápidos para aprender, se adaptam facilmente e produzem mais. Infelizmente, inteligência e auto-motivação não andam lado a lado, segundo Javitch. Um funcionário inteligente também precisa se sentir motivado.

O especialista cita ainda dez rápidas maneiras de motivar a equipe:
1 - Elogie o funcionário com um “bom trabalho”, ou até mesmo por um bom trabalho realizado parcialmente;
2 - Se um funcionário está desestimulado, envolva-o em discussões sobre maneiras de criar uma atmosfera mais satisfatória, incluindo promoções;
3 - Deixe claro quais são suas expectativas;
4 - Tenha certeza que a função do funcionário envolve uma variedade de atividades;
5 – Deixe claro que a função dele impacta no resultado de um processo;
6 - Tenha certeza que o funcionário sente que a função é significante;
7 - Dê um feedback. Aponte aspectos positivos e negativos do funcionário durante o processo;
8 - Dê autonomia ao funcionário (baseado em experiências prévias, claro);
9 - Amplie as responsabilidade de um funcionário durante a execução de uma tarefa;
10 - Disponibilize a oportunidade de crescer.

E você, o que achou das dicas de Javicth?

Motivação que não custa nada

Para conseguir se destacar em períodos de crise, uma equipe de funcionários motivada é fundamental. Cindy Ventrice, autora do livro Make Their Day! Employee Recognition that Works (Faça o dia deles! Reconhecimento de funcionários que funciona, sem tradução no Brasil) conversou com o site da MSNBC e deu algumas dicas de como motivar um time sem gastar muito.

“Um prêmio pode ser um sinal de reconhecimento, mas os funcionários também valorizam muito uma oportunidade, por exemplo”, explica Cindy.

Segundo ela, confiar o atendimento de um cliente importante ao funcionário ou colocá-lo em contato com um processo estratégico da empresa são formas de estimular e dar motivação que não custam nada. Em 2007, Cindy realizou uma pesquisa com funcionários de diversas empresas e constatou que 57% das mais importantes formas de reconhecimento citadas por eles eram de graça e 80% custavam menos de US$ 20.

“Já foi identificado também que os funcionários valorizam mais o reconhecimento individual do que como parte de um grupo”, diz. A autora afirma que em uma pequena empresa é fundamental saber o nome de todos os funcionários, quais as funções e as aspirações deles. “Não tem como reconhecer e estimular o funcionário sem uma relação de respeito”, explica.

E você, o que faz para motivar seus funcionários?

4 dicas para o empreendedor motivar a si próprio

smiles1

Em tempos de crise econômica e de noticiários repletos de previsões terríveis sobre o futuro, é bom cuidar da motivação pessoal. Não se deixe contaminar pelo pessimismo, pois ele derruba o moral das equipes e diminui a produtividade na empresa. Eis algumas dicas do que fazer:

1- Encontre uma nova missão
Não há nada mais motivador do que correr atrás de faturamento para garantir a sobrevivência. Quando ele está estável e a sensação de segurança toma conta é hora de procurar um novo desafio. Pode ser a abertura de uma nova loja, a procura por mais eficiência, o lançamento de um novo produto. Ou uma missão pessoal, como aprender alemão ou fazer um trabalho social. Crie um novo porto e comece a remar para alcançá-lo!

2 – Pense positivo
Nosso subconsciente é uma ferramenta poderosa para o sucesso ou o fracasso. Se você disser que não consegue aprender inglês porque é difícil, aí é que não vai aprender mesmo, pois criou uma barreira mental. Alimente seu cérebro com afirmativas e pensamentos positivos.

3 – Mude a linguagem
Mais do que pensar de forma positiva, adote uma linguagem positiva. Em vez de dizer “problema”, diga “oportunidade”. Em vez de “fracasso”, diga “aprendizado”. Em vez de “não há nada a fazer”, diga “quais são as alternativas”.  Em vez de “eu tenho que”, diga “eu escolho”.  Essas frases não são tolas, elas devolvem a você a o controle das ações e as rédeas da sua vida.

4 – Leitura alto astral
Combata o baixo-astral do noticiário com leituras enriquecedoras. Leia biografias de gente que trilhou um caminho difícil, até mais difícil do que o seu, e chegou lá. Empresários de sucesso sempre enfrentam problemas. A diferença é que eles têm força para se levantar após um tombo, não importa quantos deles aconteçam.

Funcionário precisa ter orgulho da empresa ou do dono dela?

Acredito que podemos dividir os funcionários em dois grandes grupos quando se trata de cativá-los e motivá-los.

O primeiro, a base da pirâmide empresarial composta pelos funcionários com menos estudo, acredita que trabalha para uma empresa, uma entidade corporativa, uma imagem criada em torno de um logotipo. Para cativar esse pessoal, o importante é investir numa comunicação interna que mostre o que a empresa faz, seja em relação a produtos, marketing, responsabilidade social ou ambiental e por aí vai. Essa turma precisa sentir orgulho de trabalhar na empresa X, na Y ou na Z.

Mas essa receita não funciona tão bem quando se trata da média gerência para cima – gente que não trabalha exatamente para uma organização e sim para uma pessoa, um líder maior, seja ele o dono ou o presidente. Para ter esse grupo trabalhando duro, você precisa arregimentá-los em torno de seu nome, de seus sonhos, de sua visão de futuro. Eles precisam acreditar no comandante que os conduz. Precisam admirar o chefe, seja pela sua eloqüência, pelas suas idéias, pela energia, inteligência, carisma, coragem, determinação, por razões humanas, enfim. Para esse grupo, não adianta muito expor os feitos da empresa. Com eles, é o dono que precisa se expor e deixar-se conhecer.

Concorda?

O que motiva um empreendedor?

Eis uma pergunta com muitas respostas. Mas vamos procurar uma que tenha algum embasamento, buscando a famosa pirâmide de Maslow como referência. Abrahan Maslow propôs, em 1943, a Teoria da Motivação Humana, uma obra que virou referência no mundo da psicologia. Segundo ele, há uma hierarquia de necessidades a serem preenchidas e, conforme a pessoa satisfaz uma delas, tenta alcançar outra e mais outra.

Então, assim que supre suas necessidades fisiológicas (ter o que comer, onde dormir e com quem fazer sexo), a pessoa parte para a conquista da segurança (física, financeira, de saúde). Quando isso é satisfeito, surge um buraco a ser preenchido: a necessidade de ser amado (por amigos, por um companheiro, pelos filhos). Depois, vem a auto-estima e a vontade de conquistar o respeito e a confiança dos demais. Por fim, a auto-realização, a busca por um conhecimento maior sobre si e o mundo.

Que tal transportar essa mesma pirâmide para o mundo empreendedor? Foi o que eu fiz. Na base, teríamos as necessidades de sobrevivência do negócio (pagar as contas, gerar dinheiro). No patamar seguinte, viria a necessidade da empresa ter identidade própria, de fincar bases sólidas no mercado. Depois, a vontade de que o negócio tenha visibilidade social e seja identificado como algo de valor pelo mercado. Conseguido isso, surgiria a questão: qual o meu papel de empresa cidadã junto à comunidade? O que posso fazer para devolver um pouco do que conquistei para a sociedade? Por fim, no estágio final, o empreendedor seria tomado por uma vontade enorme de deixar um legado, de deixar algo positivo e importante como saldo de sua passagem pelo mundo. Alguns, por exemplo, abraçam a sustentabilidade como bandeira. Outros, a política e as entidades de classe.

Diariamente encontro empreendedores motivados em diferentes estágios dessa pirâmide, que acabei adaptando das teorias de Maslow. Qual o seu estágio?

O Dia do Manto Sagrado

Equipe motivada

Quer uma idéia para animar o pessoal? Veja essa da Ci&T, empresa de tecnologia de Campinas que retratamos na edição de agosto de 2007 da Pequenas Empresas & Grandes Negócios. A Ci&T é especializada em desenvolvimento de softwares e é a única empresa brasileira a constar entre as 100 melhores de tecnologia da revista americana Fortune.

Celeiro de novidades, a Ci&T criou o Dia do Manto Sagrado. Todo dia 15 os funcionários, tanto homens quanto mulheres, são convidados a trabalhar com a camisa do seu time do coração. A idéia para descontrair o ambiente foi de um dos sócios, César Gon. E a coisa pegou. Além de camisas dos grandes times, há quem use aquela velhinha, do time da escola, do Tabajara Futebol Clube, da seleção canarinho, da Argentina e por aí vai. E, claro, tem quem leve bandeira, urso verde…. uma festa. Bacana, né?

Sob pressão

Você já ouviu falar da Síndrome de Burnout? É um transtorno psicológico ligado ao ambiente de trabalho. Em geral, costuma aparecer em pessoas excessivamente críticas, muito exigentes consigo mesmas e com os outros e que têm maior dificuldade para lidar com situações difíceis. Os sintomas dessa síndrome se dão em um comportamento agressivo e irritadiço, o que resulta em exaustão e falta de motivação para fazer qualquer coisa durante o dia. Não há dados sobre a incidência da Síndrome de Burnout no Brasil, mas os consultórios médicos e psicológicos registram um aumento do número de pacientes com relatos de sintomas típicos da síndrome. Ela afeta especialmente os profissionais que lidam com pressão intensas no dia-a-dia. Bom, aí você deve estar pensando: todos nós, não? De acordo com algumas pesquisas, as áreas mais estressantes e propícias para desenvolver essa síndrome são: tecnologia, medicina, engenharia, vendas e marketing, recursos humanos, operações e produção. E, como todos nós sabemos, os ambientes corporativos estimulam, de alguma maneira, esse tipo de comportamento entre os profissionais, criando condições que podem predispor ao adoecimento e, na seqüência direta, em licenças médicas e eventuais afastamentos por longos períodos. O que há de fazer para que isso não contamine sua empresa? Saber estabelecer metas e saber cobrá-las mas, ao mesmo tempo, dar prazos para essas metas. Não entrar em ritmo de cobrança do dia para a noite, pois lembre-se que há pessoas que trabalham com você. E cada um tem seu limite.


  • Últimos Comentários