Papo de Empreendedor

Papo de Empreendedor


Ao gosto do freguês

Criatividade é (ou deveria ser) a alma de todo bom negócio. Com ela, é possível reinventar produtos e serviços tradicionais e criar novos mercados. Foi o que fez a alemã MyMuesli, que abriu suas portas virtuais em maio de 2007, para que a clientela monte a sua própria granola. São mais de 70 ingredientes diferentes, como castanhas, cereais, frutas frescas e desidratadas (tudo orgânico) para enriquecer qualquer café da manhã. Mistura escolhida, o cliente ainda pode dar um nome à criação, o que facilitará sua vida nas próximas compras.

A idéia fez tanto sucesso que, além de expandir as operações para o Reino Unido e a Suíça, a empresa inspirou a criação da [Me]&Goji, nos Estados Unidos. Desde setembro, os americanos têm mais de 40 ingredientes naturais e orgânicos à disposição para montar pacotes customizados de granola. A iniciativa é boa e pode servir de ponto de partida para outras inovações. Pousadas poderiam anotar as preferências dos hóspedes no momento da reserva e oferecer cafés da manhã sob medida, por exemplo.

Achando Wally por satélite

Dessa vez está mais difícil encontrar Wally. O personagem mais procurado de todos os tempos saiu das páginas dos livros para o mundo, literalmente.

Para promover o lançamento de mais um livro da série Onde está Wally?, a livraria inglesa Borders articulou uma competição com o Google Earth e o jornal Daily Telegraph. Os participantes terão que encontrar o personagem usando esse software de mapeamento por satélite de acordo com as pistas divulgadas no jornal. Ao encontrá-lo, o competidor deverá registrar sua latitude e longitude no site da livraria.

Um pouco complicado para o leitor, mas o prêmio pode ser interessante: além de produtos, a livraria dará ao vencedor uma viagem de verdade ao destino final do viajante fictício.

A internet aliada softwares gratuitos e interatividade pode ser uma opção muito barata e eficaz para a promoção de produtos, ainda mais se forem direcionados ao público jovem. Não é necessário nada muito além de idéias para montar uma estratégia tão interessante quanto a da livraia Borders.

Além da pipoca

Aproveitando o movimento da 32ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, alguns bares e restaurantes estão oferecendo descontos ou drinks grátis para quem apresentar o ingresso ou a credencial do evento.

A idéia é muito boa porque, sem gastos maiores com divulgação de uma promoção ou festival, esses estabelecimentos estão usufruindo da pré-disposição de sair de casa e gastar com lazer que o público da mostra tem. Afinal, quem não gosta de trocar opiniões sobre um bom filme entre bebericadas e petiscos?

Bares e restaurantes não repassam taxa de serviço aos funcionários

Fiquei pasma com uma informação que recebi. Cerca de 70% dos bares e restaurantes de São Paulo não repassam a taxa de serviço de 10% paga pelos clientes aos funcionários. O dado é de um levantamento do sindicato dos trabalhadores do setor (Sinthoresp), que mostra também que 20% dos empresários repassam o valor sem efetuar os registros devidos na carteira de trabalho e apenas 10% efetuam o repasse corretamente. Após a denúncia, decidiu-se aplicar multa para esses empresários que desrespeitam a lei. O valor da penalidade é de um salário mínimo (R$ 415) por funcionário que deixar de receber a taxa de serviço. Em caso de reincidência, a multa será em dobro. O estudo do Sinthoresp apontou também outras formas de irregularidade. Existem empresários que repassam aos garçons uma quantia menor do que a de fato arrecadada e outros estipulam uma meta para efetuar o pagamento da taxa de serviço. Em São Paulo, existem cerca de 12.500 restaurantes e 15.000 bares e a taxa de serviço, apesar de ser opcional, se tornou um hábito dos paulistanos em reconhecimento aos bons serviços prestados.

A redação do artigo  457 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é clara e não deixa dúvidas sobre a obrigatoriedade dos empresários de repassar a taxa de serviço de 10% aos seus funcionários.

“Art. 457 - Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.
§ 1º - Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.
§ 2º - Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinqüenta por cento) do salário percebido pelo empregado.
§ 3º - Considera-se gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada à distribuição aos empregados”

Blog Action Day pelo microempreendedor individual

Blog Action Day

Hoje foi o dia escolhido para que todos os blogueiros do mundo se mobilizassem em prol da pobreza da maneira que fazem melhor: postando. É o Blog Action Day, movimento criado ano passado pelo australiano Collis Ta’eed, que teve a grande sacada de escolher essa mídia já tão disseminada para tratar de temas julgados urgentes no momento.

No ano passado, o tema foi meio ambiente e, segundo o site oficial do evento no Brasil, mais de 20 mil blogs falaram do assunto, contabilizando mais de 23 mil posts.  Para esse ano, quase 10 mil blogs se comprometeram a participar do Blog Action day. Os organizadores estimam que mais de 9,5 milhões de pessoas leiam os post relacionados.

Acho que o tema também deveria entrar na roda do Papo de Empreendedor e, por isso, chamo a atenção para mais um adiamento da votação para alterações da Lei Geral do Supersimples. O Projeto de Lei, que deveria ter sido votado no Senado nessa semana, teve emendas acatadas e terá que passar por vista do líder governo, senador Romero Jucá. Esse fato levou a votação para o próximo 28.

Dentro das alterações previstas no projeto está a criação do Microempreendedor Individual, que irá formalizar profissionais que tenham receita bruta anual de até R$ 36.000 e até um empregado com salário mínimo. Ao se formalizarem e optarem pelo Simples Nacional, esses trabalhadores pagarão apenas R$ 45,65 mensais para o INSS, mais R$ 1,00 de ICMS e R$ 5,00 de ISS, se for o caso.

Isso significa que eles estarão isentos de quase todos os tributos do sistema, pagando taxas muito inferiores aos demais contribuintes e terão direito a aposentadoria. Nada mais justo, ou ambulantes, manicures, costureiras, artesãos, entre outros, teriam que trabalhar para o resto de suas vidas sob o risco de – e agora cumpro a minha palavra – cair na pobreza.

Vamos torcer e pressionar com as ferramentas que estiverem ao nosso alcance para que dia 28 essa votação finalmente ocorra, pois duvido que haja lobistas dessa categoria para agilizar seus interesses. No Blog Action Day, foi o que fiz.

Restrições aos terceirizados

O Ministério do Trabalho encaminhou recentemente ao Planalto um anteprojeto de lei que vai dificultar ainda mais a contratação de terceirizados no país. Um exemplo: as empresas só poderão contratar o mesmo serviço de terceiros por, no máximo, cinco anos. No entendimento do governo, se há necessidade de ter um serviço por um período maior do que esse, faz-se necessária a presença de um trabalhador fixo. Seria o adeus aos serviços de limpeza terceirizados, por exemplo. A empresa de um funcionário só – aquela aberta pelos profissionais liberais - também estaria com os dias contados. A intenção do governo com tais medidas é incentivar as contratações via CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). O anteprojeto ainda será analisado pela Casa Civil e pela Advocacia Geral da União, mas será mesmo que regras assim ampliariam o número de funcionários registrados? E o custo? Como as empresas podem sobreviver a uma lei dessas?

Sustentabilidade em larga escala

Uma pesquisa da Universidade de Brasília (UNB) revelou que 77% dos consumidores de alimentos orgânicos têm renda familiar acima de R$ 3,5 mil e ensino superior completo. Os resultados do estudo, feito com 400 consumidores no Distrito Federal, não deve surpreender grande parte dos empresários do setor de orgânicos, que geralmente têm as classes A-B como público-alvo. Mas, além de revelar o perfil da clientela para quem investe no ramo, a pesquisa faz pensar: para que produtos, serviços e modelos de negócio de menor impacto socioambiental sejam amplamente difundidos, é preciso diminuir seus custos. Soluções sustentáveis têm surgido em todo o mundo, diariamente. O desafio agora é democratizá-las. Empresas inovadoras, que criarem produtos e serviços de baixo impacto ambiental (ou até mesmo que resolvam problemas ambientais atuais) de preços acessíveis, terão espaço garantido no mercado. Se a sua empresa está buscando a sustentabilidade, pense nisso. Como o seu produto ou serviço poderia resolver problemas em larga escala, e não apenas explorar nichos específicos do mercado?

Pesquisa de (des)opinião

Depois de um carro roubado e quase um mês a pé,  finalmente estou motorizada. Na sexta-feira, feliz da vida, fui buscar meu novo carrinho. Na hora de pegar a chave, uma funcionária veio com a inevitável pesquisa de opinião. Ela mesmo se encarregava de anotar as respostas. Na primeira oportunidade, reclamei de não terem enviado na véspera um fax com a nota fiscal da compra (sem o papel, não dá para fazer o seguro). Não é que e menina pede desculpas dizendo que foi para ela mesma que eu havia pedido o documento três vezes por telefone. Fiquei tão sem graça que poupei a concessionária de um montão de outras críticas (poupo você também da ladainha).

Para evitar mais constrangimento, quando a moçoila me pediu para dar uma nota ao serviço, não titubiei: oito. Mentira deslavada. Não mereciam nem metade disso. Não pretendo voltar lá, nem indicar o lugar para ninguém. Claro que o dono da empresa não sabe disso. Se quiser aprimorar seus serviços, minha avaliação só vai atrapalhar na tarefa. Então, fica para pensar: como confiar nos resultados de pesquisas de uma opinião se o cliente não tiver privacidade para respondê-la?

Carin Homonnay Petti

Consumir já não é mais fútil

Ao adquirir o pejorativo sufixo “ismo”, o consumo se tornou a marca da futilidade. E adquiriu tal competência nisso que foi capaz de criar toda a Geração Coca-Cola. 

Hoje, a Coca-Cola, emblema do consumismo, ainda é lider do ranking das empresas mais valiosas do mundo, no entanto, a geração com seu nome e seus seguintes frutos começam a mostrar uma nova era de consumo: o político.

O assunto está tão quente, que será o tema do 4º Encontro Nacional de Estudos do Consumo, que acontece amanhã na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Hoje, em entrevista à Agência Brasil, uma das pesquisadoras participantes desse evento, Laura Graziela, afirmou que o consumo está deixando de ser escolha individual: “As pessoas estão usando o consumo como forma de demonstrar, publicamente, as suas escolhas ideológicas, morais e políticas”.

Basta dar uma breve navegada pela internet para ver como essa teoria tem validade: são 64 comunidades no orkut com a palavra “sustentabilidade” no título, sendo que a a primeira - “Reciclagem Sustentabilidade” - tem mais de 71 mil membros; comunidades de boicote à gasolina, à sacola plástica, ao Mc Donald’s também existem e fazem sucesso. Aliás, o protesto contra o Mc Donald’s virou até mesmo tema de jogo online .

Além disso, encontra-se à venda, não só na internet, camisetas com mensagens de consumo consciente - as pessoas querem mesmo mostrar, publicamente, suas escolhas ideológicas.

           

Seu consumidor está gritando para o mundo o que deseja. Mas não é apenas através das comunidades em que está nos sites de relacionamento, das camisetas que usa, ou dos jogos que joga que a nova geração de consumidores se baseia. Certamente, seu cerne está muito mais na atitude do que no discurso. Mude, antes de um boicote.

  
 

 

Não tem pra ninguém!

Aqui na redação, só faltou estourar champanhe. Comemoramos a conquista do primeiro e do segundo lugar no Prêmio Fecomércio-RJ de Jornalismo, entregue ontem na Casa do Comércio, no Rio de Janeiro. Quem levou a melhor foi a repórter de tecnologia Viviane Maia, com a reportagem Tecnologia Já, nossa capa do mês de setembro de 2007. Vivi ficou quase um mês para reunir dicas sobre os melhores equipamentos e softwares para lojas, indústrias, escritórios e até para quem usa o carro como ponto de apoio na hora de atender clientes. O segundo lugar coube à matéria de Katia Simões e Viviane Maia Venda Mais: 52 idéias que vão ajudá-lo a melhorar os resultados e conquistar mais clientes, capa da edição de maio de 2007. Vivi e Kátia embarcaram para o Rio de Janeiro como finalistas, sem saber que tinham vencido. Achavam difícil que uma mesma revista ganhasse os dois prêmios principais. Pois aconteceu e foi merecido, você não acha?

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