Ao adquirir o pejorativo sufixo “ismo”, o consumo se tornou a marca da futilidade. E adquiriu tal competência nisso que foi capaz de criar toda a Geração Coca-Cola.
Hoje, a Coca-Cola, emblema do consumismo, ainda é lider do ranking das empresas mais valiosas do mundo, no entanto, a geração com seu nome e seus seguintes frutos começam a mostrar uma nova era de consumo: o político.
O assunto está tão quente, que será o tema do 4º Encontro Nacional de Estudos do Consumo, que acontece amanhã na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Hoje, em entrevista à Agência Brasil, uma das pesquisadoras participantes desse evento, Laura Graziela, afirmou que o consumo está deixando de ser escolha individual: “As pessoas estão usando o consumo como forma de demonstrar, publicamente, as suas escolhas ideológicas, morais e políticas”.
Basta dar uma breve navegada pela internet para ver como essa teoria tem validade: são 64 comunidades no orkut com a palavra “sustentabilidade” no título, sendo que a a primeira - “Reciclagem Sustentabilidade” - tem mais de 71 mil membros; comunidades de boicote à gasolina, à sacola plástica, ao Mc Donald’s também existem e fazem sucesso. Aliás, o protesto contra o Mc Donald’s virou até mesmo tema de jogo online .
Além disso, encontra-se à venda, não só na internet, camisetas com mensagens de consumo consciente - as pessoas querem mesmo mostrar, publicamente, suas escolhas ideológicas.

Seu consumidor está gritando para o mundo o que deseja. Mas não é apenas através das comunidades em que está nos sites de relacionamento, das camisetas que usa, ou dos jogos que joga que a nova geração de consumidores se baseia. Certamente, seu cerne está muito mais na atitude do que no discurso. Mude, antes de um boicote.