Papo de Empreendedor

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Holding da Zara lança rede de acessórios

A Inditex, holding espanhola que inclui a cadeia Zara, de roupas, lançou uma nova rede, a Uterqüe, para comercializar apenas acessórios. Foram abertas três lojas simultaneamente na Espanha. A idéia é ganhar mercado num ramo onde a Zara apenas beliscava: bolsas, óculos, bijuterias, artigos de couro e sapatos. A Inditex está posicionando a Uterqüe como uma grife sofisticada, com artigos cujos preços chegam a 200 euros (R$ 480), valor acima da faixa de preços trabalhada pela Zara.

A filosofia segue sendo a mesma da Zara, que revolucionou o mercado de moda: estoques repostos três vezes por semana, novidades constantes nas prateleiras, preços convidativos e aposta no design, feito por equipes internas do grupo. Tudo com enorme agilidade. A Inditex anunciou que abrirá entre 20 e 30 lojas ainda este ano, a maioria na Espanha, duas em Portugal e uma na Grécia.

Segundo informou o portal WGSN (apenas para assinantes), as lojas têm um jeito de butique, com apenas um exemplar de cada produto exposto nas prateleiras. Os móveis são de madeira preta ou marrom escuro e bege. Foram inspirados nas antigas livrarias inglesas. Será que a Uterqüe, com esse nome difícil, vai revolucionar o mercado de acessórios?

Consumidor precisa se reeducar

Pesquisa recém-saída do forno feita pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), realizada em parceria com o Provar/Fia e a Felisoni & Associados revela que as perdas nos supermercados brasileiros alcançaram 2,15% do faturamento de 2007, que foi de R$ 136,3 bilhões. Estamos cansados de saber que toda empresa trabalha com perdas e gasta fosfato e dinheiro para diminuir seus percentuais. Mas o que mais me chamou a atenção foi que a ruptura provocada nas gôndolas está diretamente ligada ao comportamento dos consumidores, na maioria das vezes, ao péssimo comportamento. Os dois principais vilões das quebras operacionais são o manejo inadequado dos produtos, que acaba por inutilizar as mercadorias para a venda, e os furtos. Um absurdo, para não dizer, uma vergonha.

Liquidações cada vez mais cedo

Quem neste fim de semana deu uma batida de pernas pelos principais shoppings de São Paulo se deparou com vitrines recheadas de promoções. Os descontos, pasmem, chegavam a 70%. Algumas lojas, ainda mais adiantadas, já apresentavam suas prévias da próxima estação, numa prova de que o calendário está definitivamente descontrolado.
É certo que um mês depois da entrada oficial do inverno, o sol insiste em brilhar e os termômetros a subir, mas não dá para o varejo sair queimando tudo o que está na prateleira com tamanha antecedência. Fico me perguntando, será que os pequenos lojistas têm fôlego suficiente para agüentar essa desova de estoque antecipada sem comprometer o fluxo de caixa? Como podem acertar o passo ao longo do ano a fim de não gastar nas compras, o que certamente não arrecadarão nas vendas?
Por outro lado, o consumidor não reclama, já que consegue garimpar peças de qualidade e atemporais pelo preço de custo. O resultado são corredores cheios e um volume de sacolas ainda não vistos desde que o inverno cravou oficialmente sua marca na folhinha.

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