A evasão dos cérebros

Esses dias estava lendo o Epicenter, blog da revista Wired, uma espécie de bíblia para quem gosta de tecnologia e inovação, e um dos assuntos me deixou cabreira. Na nota, os jornalistas repercutiam a saída do CIO do Google, Douglas Merrill, que deixou o gigante de buscas para ser presidente da divisão de música digital da EMI. Além dele, outros nomes de peso estão deixando a empresa considerada mais inovadora de nossos tempos. Entre eles, Sheryl Sandberg, vice-presidente de operações e vendas globais, que foi para a rede social Facebook. Detalhe: a cerca de 10 quilômetros do prédio do Google, o famoso Googleplex, na Califórnia. E não pára por aí. A lista de cérebros de todos os níveis que estão saindo da empresa é gigante. Próximo de comemorar 10 anos de vida, o Google se depara com o desafio de reter seus talentos. Um fator importantíssimo já que o Google recebe títulos de empresa mais inovadora justamente por conta de seus funcionários. Por ter esses “cérebros”, ele consegue inovar rapidamente e o deixa à anos luz de seus concorrentes.
E como se retém talentos? Alguns devem responder: um bom salário. Fiquei com isso na cabeça e era uma questão que fiz a outras empresas de tecnologia. E a resposta que eu tive é que só dinheiro não interessa. É claro que, o dinheiro faz a diferença sim, mas não é somente ele que faz com que os gênios fiquem nessas empresas. Para eles, o que conta (e muito) é o desafio do projeto.
Semana passada fui fazer uma entrevista com algumas empresas no Porto Digital, um dos principais pólos de tecnologia do país, instalado no Recife (PE), e questionei os empresários se eles tinham essa dificuldade. A resposta foi unânime: SIM. E todos são categóricos ao dizer que pouco pode fazer para parar com o êxodo. O que as empresas do Porto Digital fazem é transformar os estudos que ainda estão em fase de discussão na universidade em produtos de mercado. É claro, analisando a viabilidade de todo o projeto. É, sem dúvida, um primeiro estímulo. Mas, na sua opinião, como será que o Google e tantas outras empresas deve contra-atacar para manter sua liderança em inovação e, principalmente, com os melhores cérebros?













